PIB dos EUA desacelera e confiança cai.

O PIB dos EUA desacelerou no último trimestre do ano passado fazendo com que o mercado passasse a apostar em menos inflação e em juros  mais baixos por mais tempo. Na Europa o desemprego atingiu 11,4% na Zona do Euro, com 18 milhões de desempregados e a taxa de infação é de -0,6% em doze meses.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

O PIB dos EUA veio em 2,6% em termos anualizados no último trimestre de 2014, abaixo dos esperados 3,2%. O terceiro trimestre teve alta de 5% e essa desaceleração já era esperada, mas não na intensidade verificada. As reações imediatas foram a queda dos futuros das bolsas e da taxa de juros de dez anos. Veja o gráfico das altas/baixas do PIB dos EUA:

 

Outro indicador que foi divulgado diz respeito aos salários. Os custos do trabalho subiram 0,6% e acumulam alta de 2,2% em doze meses, dentro que o FED considera modesto. Veja o gráfico:

 

Os salários precisam subir para indicar que o mercado de trabalho está se recuperando com força e que o processo de deflação pode ser afastado. As duas metas do FED no momento, as que guiam a sua retirada do plano de estímulos do Quantitative Easing, são a inflação, que deve ficar próxima de 2%, e os salários. A alta de 2,2% dos salários pode ser considerada modesta porque, além da alta da inflação, os salários devem subir com os aumentos da produtividade. Sendo uma alta modesta e sendo somada com a alta modesta do PIB, os agentes leram esses dados como um sinal de que o FED demorará um pouco mais para subir. No seu comunicado de quarta-feira, 28/01/2015, o FED avisou que o terá paciência para começar a subir as taxas de juros, acelerando a alta se a economia (preços e salários) subirem rápido demais, retardando a alta se, em caso contrário, houver mais lentidão. As taxas de juros dos títulos de fez anos dos EUA despencaram novamente, caindo para 1,68%, indicando que os agentes estão esperando inflação e juros muito baixos na próxima década. Nesse sentido é mais provável que o balanço dos riscos esteja mais para o lado da dificuldade de melhorar a confiança dos agentes do que do lado que promete m ais recuperação. Os dados objetivos da economia e as reações do mercado, hoje apontam para mais lentidão na alta dos juros do que esperávamos ontem.

A Europa continua divulgando dados que confirmam que os formuladores de política da Comissão Europeia e do BCE foram lentos ao aumentar os estímulos monetários na região. Hoje foi divulgado o desemprego e ele veio em 11,4% (18 países) na Zona do Euro e 9,9% na União Europeia (28 países). O total de pessoas desempregadas é de 24 milhões na União Europeia e de 18 milhões na Zona do Euro. Há uma dispersão razoável, mas são poucos os países que têm desemprego baixo como a Alemanha (4,8%) ou Áustria (4,9%); na outra ponta estão França (10,3%), Espanha (23,7%) e Grécia (25,8%). Veja a tabela com o desemprego na Europa:

 

Note como o desemprego entre os jovens é elevado e indica as condições precárias da economia europeia. Os jovens, entrantes no mercado de trabalho, não encontram oportunidades de emprego. Além desse dado, a Eurostat, agência de estatística europeia, anunciou a inflação da região. Veja o gráfico:

 

A inflação total, que inclui os preços de energia, que estão caindo por conta do petróleo, veio em -0,6%.Excluindo-se os efeitos das quedas de energia, os preços ficaram levemente negativos (-0,1%), mostrando que a economia está em DEFLAÇÃO. É o baixo crescimento, turbinado pela panaceia da austeridade, que está devastando o crescimento europeu.

 

Somando a tudo isso o rebaixamento da Petrobrás pela agência Moody´s, o tempo não poderia ser mais tenebroso para os otimistas.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com