Os mercados globais em derretimento.

Os mercados estão derretendo por conta da redução dos lucros industriais na China, da vitória do Syriza na Grécia, da queda das encomendas de bens duráveis nos EUA e pelas expectativas em relação à divulgação do balanço de Petrobrás. A inflação medida pela Fipe aponta recrudescimento dos itens alimentos, transportes e educação. A tendência é de aceleração, já que o regime de chuvas não mostra melhora. ao contrário, os reservatórios de todas as regiões, exceto a Sul, mostram as condições muito piores que no ano passado.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

Hoje a Fipe divulgou a inflação da terceira semana de janeiro em São Paulo e ela subiu de 0,87% para 1,27, impulsionada por alimentos, transporte e educação. A tendência é que os preços subam  mais até o final do mês, chegando a 1,5%. Veja a tabela e o gráfico:

 

 

Note que o índice explodiu em relação à sua tendência anterior, refletindo os fortes aumentos dos alimentos, do transporte (gasolina, passagens de ônibus, trens e metrô) e da educação. A tendência é a inflação continuar pressionada porque o regime de chuvas no Sudeste/Centro-Oeste continua muito abaixo do necessário, pressionando alimentos e outros itens.

Verificando as condições dos reservatórios das regiões temos:

 

                          Jan/2015             Jan/2014

 

Norte:                      36,63%                60,75%

Nordeste:                16,95%                42,62%

Sudeste/CO:           17,24%                40,28%

Sul:                            64,34%                57,56%

 

 

As condições gerais de armazenamento de água continuam se deteriorando e aumentando a chance de racionamento de água no segundo semestre. Nas capitais do Sudeste, e em todas as grandes cidades da região, o racionamento de água já está ocorrendo de maneira informal, mas tendem a se tornar mais efetivos nas próximas semanas.

Hoje deve ocorrer a reunião do Conselho de Administração da Petrobrás e seu balanço deve ser apresentado à noite sem a auditoria. Esse evento é crucial para termos uma ideia do atual estado da empresa, ainda que o mercado venha a desconsiderar as principais informações por conta da forte desconfiança que existe em relação ao governo.

No exterior as bolsas caem com a evolução do cenário pós eleição do Syriza na Grécia, com boa parte da Europa em queda. A China viu seu mercado cair pelo sexto pregão com a constatação de que as empresas do setor industrial estão com os lucros em queda. O minério de ferra foi cotado a US$ 62,80 a tonelada, acumulando uma queda de 51% em doze meses.

Nos EUA a queda forte é impulsionada por balanços ruins, pelos reflexos das fortes nevascas que o nordeste do país está sofrendo e pelo anúncio de que as encomendas de bens duráveis caíram 3,4% em dezembro, mostrando um forte tropeço da indústria. Veja o gráfico:

 

 

O dia tem um viés completamente negativo e é pouco provável que os próximos indicadores a serem anunciados consigam reverter as fortes quedas.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com