Com queda do petróleo Brasil ganharia 0.5% no PIB, mas isso não deve acontecer.

O petróleo continua afundando com as perspectivas de expansão da oferta e de baixo crescimento da demanda. A demanda nos EUA caiu mais de 8% desde 2010 e mais ainda na Europa. A Oxford Economics divulgou estudo com os impactos sobre o crescimento dos países dada uma queda do petróleo até os US$ 40. Aqui o PIB teria um impulso de pouco mais de 0,5%, mas isso dependeria do governo obrigar a Petrobras a baixar seus preços, o que, além de improvável, é imprudente, dadas suas despesas correntes e de investimentos e sua enorme dívida.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

Estamos em outro pregão de forte volatilidade e com forte queda do petróleo. As ações brasileiras oscilam por conta dos efeitos da queda das matérias primas, sobretudo petróleo, sobre o valor das empresas, seja de forma direta (Petrobrás, Vale, CSN e outras), seja de forma indireta, como o setor financeiro que têm empréstimos ao setor. Hoje a Bloomberg mostra que a corrida para tentar se proteger das quedas dos preços, levou perfuradores, destiladores e fornecedores de equipamentos a venderem grandes quantidades de contratos de futuros na bolsa de  Chicago. Segundo a Commodities Future Trading Commission,  as posições vendidas aumentaram em 21% por conta das ordens desses agentes. O artigo também cita que diversas empresas do setor estão recebendo avisos de rescisão antecipada de contratos de plataforma, em decorrência da redução dos gastos em exploração, em resposta à queda dos preços. Muitas regiões de exploração dos EUA estão entrando em uma região de baixa rentabilidade ou, até mesmo, de inviabilidade econômica. É de se esperar que o ritmo de expansão da oferta de petróleo nos EUA caia e, em caos extremo, se os preços continuarem a cair, comece a se tornar negativa. Veja o gráfico com os preços do petróleo Brent:

 

 

 

Somente nesse ano o petróleo caiu 15% e não dá mostrar de parar em sua queda. Pelo ritmo de expansão da oferta, pela Arábia Saudita e boa parte dos produtores do Oriente Médio, onde os custos são extra-baixos, é possível que o barril não suba acima dos US$ 50 por muito tempo. Nos EUA, o preço de equilíbrio para a produção nos campos de xisto é ao redor de US$ 45, mas os especialistas confiam na capacidade dos agentes do setor em baixar seus custos de sorte a continuar a expandir  seus campos (a vida média de um campo de “fracking” é de cerca de três anos).

A Fortune divulgou um “ranking” feito pela Oxford Economics, no qual é avaliado o impacto da queda dos preços do petróleo até os US$ 40. Veja o gráfico:

 

O Brasil teria um incremento de cerca de 0,5% em seu crescimento. Os maiores perdedores seriam Arábia Saudita, Rússia e União dos Emirados Árabes. Essa variação na taxa de crescimento, no  caso brasileiro, se daria pelos efeitos sobre a balança comercial (diminuiria o déficit comercial) e sobre a renda dos  consumidores, que veriam diversos preços caírem. Ocorre, no entanto, que não é tão certo que os consumidores tenham esse benefício, posto que é possível que a Petrobrás não abaixe os preços por conta de seus custos e de sua dívida. Os setores mais conservadores estão defendendo uma redução dos preços dos combustíveis e derivados para conter a inflação e “permitir que os mecanismos de mercado atuem mais livremente no país”. Mas, levando em conta a situação da empresa, essa será uma dura batalha.

 

Em termos globais seria prudente criar impostos sobre o uso dos combustíveis e derivados do petróleo, para impedir a alta de seu consumo, utilizando a arrecadação para investimento em setores de energia limpa. Mas estamos longe de chegar a esse estado...

A volatilidade dos mercados continuará elevada, sobretudo com o início da divulgação dos balanços do último trimestre nos EUA,

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com