Véspera de Feriado põe bolsa do Brasil em "stand by"

Com os feriados de fim de ano, a liquidez dos mercados está em queda. Lá fora há a perspectiva de um "rally" de fim de ano, ancorado no apoio que a China deu ao rublo russo. Aqui a bolsa está fraquejando, mas sem motivos concretos.Em janeiro poderemos avaliar de forma completa, os reais efeitos dos esquemas de corrupção sobre o "valuation" da Petrobrás.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

O Banco do Povo da China, o banco central da segunda maior economia do planeta, saiu em defesa do rublo. O banco chinês irá fazer como fez com  a Argentina : irá oferecer “swaps” para dar suporte à moeda russa caso ela continue a cair. As reservas internacionais da China somam quase US$ 4 trilhões e resolver o problema russo não é nada caro. Além disso, o país reforça sua posição alternativa nos assuntos econômicos e políticos. Já é assim na América Latina, na África, no Oriente e agora com a Rússia. E a China está jogando com o futuro: manter sua aliança com a Ex-URSS é garantir mais fontes de matérias primas de países não alinhados com os EUA. Com isso os mercados deixaram de considerar os riscos das dívidas corporativas da Rússia e operaram em alta na Ásia, Europa e estão em alta aqui e nos EUA.

O petróleo chegou a subir quase 1% mas virou para queda e está sendo negociado a US$ 60,61, com queda de 0,8%. A volatilidade de Petrobrás foi elevada e atuou para aumentar a oscilação a insatisfação do mercado com a declaração de Dilma de que manterá Graça Foster na presidência da Petrobrás por considerar que não houve, até agora, nenhuma prova que a envolva nos escândalos. Em relação a isso, em particular, as duas primeiras semanas serão importantes para que consigamos delimitar a extensão dos danos financeiros que o esquema de Paulo Roberto Costa, Youssef e empreiteiras, infligiu à petroleira. Com a poeira baixando - após o enorme barulho feito nos meios de comunicação e que levaram o mercado ao pânico em relação às ações da empresa – saberemos se o buraco foi de bilhões, de uma dezena deles ou de algumas dezenas. Políticos, jornalistas e comentaristas de economia chegaram a citar cifras de R$ 10 bilhões, de R$ 20 bilhões e de mais que isso. Os dados que vieram a público até agora mostram que o “rombo” pode ser substancialmente menor, indicando que o mercado pode ter exagerado. Essa questão é importante, não pelo seu apelo político (que não é o objeto desse espaço) mas por seu papel na determinação de um valor correto à Petrobrás. A eo0vlução das investigações no âmbito da lava a jato, dos processos nos EUA e das investigações da própria empresa poderão definir, já em janeiro, se Petrobrás é um caso para compra ou para venda. Até lá, tudo é resultado apenas da inevitável emoção.

Com os feriados de fim de ano e sua inevitável redução dos volumes negociados, é provável que tenhamos um “rally” de fim de ano. Lá fora, com certeza, isso já está acontecendo. Aqui ainda estamos sem uma direção garantida.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com