Petróleo encerra a 24a semana de queda.

Essa é a 24a quarta semana de queda do preço do petróleo que acumula 46% de desvalorização desde julho. A Petrobrás vem com queda de 58% desde julho, acelerada pelos eventos ligados à operação lava-a-jato. Hoje o seu balanço, sem o parecer dos auditores, será anunciado após o pregão e as expectativas em relação ao seu resultado estão muito dispersas.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

A semana vai terminando e o cenário global se intensificou, com a queda do petróleo, o aumento da percepção de risco em relação ao setor de matérias primas e queda de valor das empresas nas bolsas. Hoje, novamente, as bolsas caem, junto com o petróleo, por conta da desaceleração da produção industrial da China que subiu 7,3% de doze meses, frente à estimativa de 7,6% do mercado. Cotada a R$ 10,33, a ação da Petrobrás caiu 15,7% desde sexta feira passada; o real se desvalorizou 3% e as perspectivas não são animadoras para as  próximas semanas. Veja o gráfico da Petrobrás:

Petrobrás (cada barra é um mês- Broadcast)

 

 O crescimento menor na China foi apenas o motivo para o mercado reiniciar o “sell off” que já vem ocorrendo nos mercados. A intensidade da queda hoje, no entanto, indica que o movimento é mais do que uma simples correção nos preços. A Esso, maior empresa de óleo e gás dos EUA está com queda de quase 2% hoje e acumula perdas de 16% desde o pico de julho; a Chevron cai 2,11% e acumula perdas de 22,5% no mesmo período. Como afirmei no “post” de terça-feira (http://pepasilveira.blogspot.com.br/2014/12/panico-e-fim-da-complacencia-dos.html ), há todas as razões para pensarmos que o colapso dos preços do petróleo é o gatilho que pode iniciar um ciclo de quedas nos mercados (acionários e de crédito) que pode ter efeitos devastadores para a economia global. O discurso dos formuladores de política do hemisfério norte - que põe mais benefícios do que danos às suas economias - indica que não haverá qualquer tipo de ação por enquanto e isso aprofunda as quedas e mantém as perspectivas em baixa. Veja o gráfico com a queda do petróleo tipo Brent:

Petróleo Brent (cada barra é uma semana - Broadcast)

 

Foram 24 semanas de queda e apenas três de ligeira alta. Foram 46% de queda desde julho e agora esse nível dos preços pode inviabilizar a exploração de várias regiões e coloca, além do aumento dos riscos para o sistema bancário global, a possibilidade de fortes ajustes em economia altamente dependentes das exportações. Junta-se ao grupo de possíveis países problemáticos o México, que até agora vinha sendo poupado pelos mercados em função das reformas feitas pelo governo conservados do presidente Enrique Peña Nieto. De novembro até agora o índice TSX da bolsa mexicana caiu 9,1% e o peso se desvalorizou 10%. Veja o gráfico da bolsa mexicana:

Bolsa do México (bloomberg)

 

Mantenho a perspectiva de quedas para os mercado já que não há sinais de contenção por parte dos principais governos e bancos centrais: EUA, Zona do Euro e China. Acentua a tendência a intensificação da exposição da Petrobrás a partir do eventos ligados à operação lava-a-jato. Hoje serão divulgadas as demostrações contábeis, sem o parecer da auditoria externa Price, e ele será um evento à parte. Poderá sinalizar de forma mais clara os impactos da desvalorização cambial e da queda dos preços do petróleo em seu balanço.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com