Sem energia e alimentos, o IPCA fica em 4,75% em doze meses.

Os EUA tiveram a maior criação de vagas de trabalho desde 2012. Apesar do susto inicial, o dado deixou os mercados confiantes na recuperação da maior economia do planeta. Aqui oi IPCA veio em 0,51% e acumula 6,56% em doze meses. Alimentos e energia elétrica representaram 51% da alta mensal. Excluídos os efeitos dos aumentos de energia elétrica residencial e alimentos, o IPCA em doze meses fica em 4,75%.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

Os EUA tiveram uma criação de 321 mil empregos em novembro, contra uma de 214 mil em outubro e uma expectativa de 230 mil. Além disso, os salários subiram 0,4% no mês. É a maior criação de vagas desde janeiro de 2012 e confirma que a maior economia do planeta está indo bem. Mesmo com essa melhora substancial no mercado de trabalho, os preços não subiram, o que mostra que ainda há espaço para mais crescimento. Veja o gráfico com a criação mensal de vagas:

 

A taxa de desemprego ainda está em elevados 5,8%, mas o país está muito melhor que os da Zona do Euro e o Japão em termos de crescimento. A notícia, quando divulgada, chegou a abalar o mercado, mas depois prevaleceu o sentimento de otimismo. Apesar de existir um risco de mudança de panos do Federal Reserve, ele é baixo. O banco central está às vésperas de começar a subir as taxas de juros e pensar em reduzir a liquidez da economia que está com a oferta monetária está quase seis vezes superior à normal. Mas só fará isso se a economia mostrar solidez. O receio do mercado é que a mudança dos juros possa mudar os preços dos ativos e provocar uma queda generalizada; mas a diretoria do banco central tem consciência dos enormes danos desse evento para a economia real e não mexerá em nada se as coisas não estiverem realmente bem. Essa notícia, portanto, tem muito mais para sustentar os mercados do que para derrubá-lo.

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No Brasil  o IBGE divulgou o IPCA de novembro e ele subiu para 0,51%. Da inflação mensal, alimentos e habitação representaram 56% e continuam sendo o fator principal para a forte alta do ano. Veja a tabela com os grupos e o gráfico mensal:

 

Se retirados alimentos e energia elétrica1, o IPCA estaria acumulado em 4,75%. Veja o gráfico do IPCA sem os efeitos de energia elétrica residencial e alimentos:

 

Você pode observar que a inflação subiu fortemente em 2013 e teve um pico de 6% durante a Copa do Mundo. Boa parte desse movimento é explicado pela desvalorização cambial (forte em 2014 e menos intensa em 2014), pelos efeitos indiretos da alta de alimentos e energia elétrica sobre os outros grupos (eles são custos de produção de bens e serviços) e pela alta dos salários em 2013. A queda a partir de junho deve continuar, sobretudo com a desaceleração da economia e do mercado de trabalho.

 

 

 

(1)    Calculado pela subtração da contribuição de Alimentos e Energia Elétrica Residencial do Índice Geral e dividindo o resultado pelo peso de todos os outros itens.  

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com