Alimentos turbinam inflação no atacado e no varejo.

A semana tem uma agenda modesta, com feriado amanhã nos EUA. O IPC-S e o IGP-M trouxeram aceleração, com forte influência dos alimentos. No varejo hortaliças e legumes, no atacado soja, milho e carne bovina. Seca e dólar devem continuar a exercer o papel determinante na inflação de novembro. Financial Times, segundo Valor e Broadcast, sugere que o Departamento de Justiça dos EUA e a SEC estão investigando a Petrobrás. Esse é, provavelmente, mais um "diz que me diz", que irá prejudicar os negócios da maior empresa nacional.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

Amanhã será feriado nos EUA e não temos uma agenda cheia de eventos que justifique um pregão volátil, seja nas bolsas do exterior, seja aqui no Brasil. Por conta disso, a abertura dos negócios hoje foi mais tranquila, com os ativos brasileiros sofrendo modesta valorização. Mas o Ibre-FGV divulgou o IPC-S da primeira semana de novembro e ele veio em alta. Depois de cair de 0,49% para 0,43% na última semana de outubro, ele voltou para os 0,49%. Veja o gráfico do IPC-S:

 

A principal pressão, novamente, foi do item alimentação, com hortaliças e legumes subindo mais de 6%. As capitais onde há apuração do IPC-S, ou estão com falta de chuvas (SP e BH) ou com excesso delas. Esse regime instável atua para alterar a oferta desses itens, extremamente sensíveis. Também pesou o aumento de energia elétrica e tarifas de ônibus. Essa alta será captura pelo IPCA, mas mantenho a estimativa de que ele feche o não ligeiramente abaixo do teto da meta. Veja o quaro com as principais altas do IPC-S:

Valor e Broadcast dão notas sobre uma suposta investigação sobre a Petrobrás (PETR4), que estaria em curso, a partir de informações divulgadas no Financial Times; novamente um "diz que me diz". De concreto, a empresa tem suas ações negociadas na NYSE e esses negócios representam 40% do volume diário. Segundo as notas, o Departamento de Justiça e a SEC estariam apurando os escândalos envolvendo a empresa no âmbito da lei americana de “Práticas Corruptas no Exterior”. Ela vale para empresas americanas que atuam no exterior e, refletindo brevemente essa questão, a empresa é brasileira e atua no exterior. De que maneira ela seria enquadrada pelas ações do Departamento de Justiça é coisa para ser avaliada por um especialista. Até onde pude entender, nenhum jurista foi consultado nas reportagens sendo, portanto, muito provável que a tal “investigação” seja outra coisa. O mais provável é que a SEC esteja querendo resguardar os direitos dos investidores americanos, que poderiam ser vítimas de prejuízos decorrentes das práticas corruptas da diretoria da empresa, caso isso fosse provado. Nesse caso, a SEC pode, de fato , estar se movendo no sentido de investigar as denúncias que ocorreram aqui e iniciar, ou não, um processo que pode chegar ao extremo, como indicado nas notas dos jornais, de suspensão dos negócios  da empresa na bolsa de Nova York. Isso vai atrapalhar ainda mais a empresa que, mais importante que os ruídos em torno dessa questão, precisa equacionar sua estrutura financeira ao desafiador cenário de queda dos preços do petróleo. Com os preços em queda, sua geração de caixa poderia ser afetada, comprometendo seus investimentos e sua nota de classificação de risco. Nesse campo a notícia vem da Opep, que tem reunião agendada para dia 27. Até lá, o secretário geral da organização, Abdalla el-Badri, pede aos mercados que não entrem em pânico.

 

A semana trará ainda resultados corporativos aqui e o PIB na Europa.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com