O FED manterá o discurso suave.

Hoje Janet Yellen deve repetir seu discurso suave, procurando mostrar que juros e liquidez continuarão como estão por muito mais tempo. Aqui no Brasil o BC também não deve mexer na taxa básica. A arrecadação de setembro bateu recorde para o mês, mas a renúncia fiscal do ano chegou em R$ 76 bilhões. Essa discussão deve ficar mais tensa quando o tesouro anunciar o resultado fiscal.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

Hoje o comitê de política monetária (FOMC) do Federal Reserve terminará sua reunião e a presidente, Janet Yellen, deve fazer um pronunciamento novamente baixista de juros. A maior economia do planeta está com indicadores bastante positivos em sua taxa de crescimento, na produção industrial e a na criação de vagas, mas ainda está longe de se desligar dos estímulos que o FED realizou. Ele injetou mais de US$ 3,8 trilhões na economia e, com isso, manteve os juros reais muito baixos e a liquidez da economia muito elevada. Mas os salários e os preços ainda mostram que a recuperação da economia ainda está longe de dispensar os estímulos do FED. Veja o gráfico abaixo, da inflação acumulada em doze meses:

 

Como a meta do FED é de uma inflação inferior a 2%, enquanto ela se mantiver abaixo, como está desde a crise, o sinal é a de que a economia está fraquejando. Com um discurso novamente enfático em relação à manutenção dos estímulos, Yellen poderá dar sustentação aos mercados.

Aqui estamos vendo a uma realização, depois da euforia de ontem. O mercado está azedo com a falta de notícias sobre o aumento da gasolina e do diesel e com a falta de definição de data para a divulgação de seu resultado. Outras empresas estão divulgando seus resultados trimestrais e eles têm vindo mistos.

Hoje a receita federal anunciou o resultado da arrecadação de setembro e a notícia  foi boa: houve aumento real de 0,92% em relação a setembro do ano passado. Veja o gráfico da arrecadação:

 

Há três linhas: uma com os dados originais, outra com os dados ajustados sazonalmente, com a retirada das oscilações que ocorrem em cada mês do ano e, finalmente, uma linha de tendência. É a maior arrecadação, em termos reais, para o mês de setembro e ela conta com a ajuda do Refis, programa de refinanciamento de débitos tributários, que engordou os cofres do tesouro em R$ 1,6 bilhões. No ano o governo arrecadou R$ 831,6 bilhões, mas abriu mão de arrecadar certa de R$ 8,4 bilhões em setembro e R$ 76 bilhões no ano, por conta das desonerações a alguns setores, como forma de evitar uma maior desaceleração da economia. Estão entre os beneficiados o setor automotivo, eletrodomésticos e móveis. Se correta, essa conta indica que a arrecadação poderia ter sido de R$ 907 bilhões, fortemente engordada pelo Refis e pelos leilões de concessões. Esse é o calcanhar de Aquiles da política econômica e a discussão deve ficar mais intensa nos próximos dias, quando o governo anunciar o resultado fiscal.  

 

Hoje será anunciada a taxa Selic a vigorar nas próximas cinco semanas e o Copom deve mantê-la estável, em 11%.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com