Dilma se mantem à frente a quatro dias da eleição.

A pesquisa Datafolha anunciou que Dilma tem 52% dos votos válidos contra 48% de Aécio. Pela margem de erro eles podem estar empatados ou Dilma pode estar na frente com 8% de vantagem. O quadro eleitoral ainda está indefinido, seja pelos 28 milhões de pessoas que não votaram no primeiro turno, seja pelos 4 milhões que, pela Datafolha, se mantêm indecisos.
Blog por Pedro Paulo Silveira  

 

Hoje o Datafolha divulgou mais uma pesquisa e ela repete os resultados de ontem: 52% x 48% dos votos válidos, ou 47% x 43% contando 10% de brancos e indecisos. A análise qualitativa do instituto mostrou que os entrevistados penderam à campanha de Dilma em função de um otimismo em relação à economia e ao voto feminino no Sudeste. Ontem um jornalista engagé, tradicional adversário do governo, considerou a pesquisa da rival Folha de SP um disparate. Ele, sempre nada gentil, dispara:

 “A pesquisa divulgada pelo Datafolha nesta segunda-feira é apenas outro chute de longa distância que vai mandar a bola às nuvens ou fazê-la roçar o pau de escanteio. Na sopa de algarismos servida pelo instituto na semana passada, Aécio Neves tinha 51% dos votos válidos e Dilma Rousseff, 49%. Nesta tarde, ela apareceu com 52% e ele com 48%. Quer dizer que a candidata à reeleição ultrapassou o adversário tucano e lidera a corrida?”. 

Ao qualificar a pesquisa como um chute, ele mesmo chuta a lei dos grandes números e toda a evolução científica conquistada pela humanidade, desde Fermat, Pascal, Mersenne, Bernoilli e Poisson, para citar apenas os grandes pioneiros. O fato é que é inegável a possibilidade de que Dilma e Aécio estejam empatados e, da mesma forma, que Dilma tenha vantagem 4,5 milhões sobre Aécio. E mais, pela metodologia da pesquisa, caso os pesos regionais estejam certos e, adicionalmente, caso os ausentes estejam sejam calibrados com alguma exatidão (não o foram no primeiro turno), a chance do empate é igual a chance de Dilma estar com 8% de vantagem.

O que interessa à minha análise não é qual o candidato que eu prefiro, nem qual deles fará o Brasil andar para melhor, mas: qual candidato é o preferido pelo eleitor? É essa resposta que afetará os preços e minha função, inequívoca, é auxiliar os leitores nessa questão. Dessa forma, volto ao ponto das pesquisas anteriores: é pouco provável que institutos como o Veritá, o Sensus ou o Paraná tenham uma pesquisa melhor que as do Ibope, Datafolha, Vox Populi e dos trackings de partidos e bancos. O resultado eleitoral até ontem, com maior probabilidade, é melhor espelhado pelo Datafolha. Mas o cenário pode mudar, posto que houve cerca de 28 milhões de eleitores que não votaram no primeiro turno e ainda há 4 milhões de indecisos.

Ontem a Petrobrás foi rebaixada pela Moody´s por conta do elevado endividamento da empresa e das perspectivas para os preços do petróleo no mercado internacional. O petróleo vem caindo desde julho e acumula queda de quase 1/3, em decorrência da desaceleração global conjugada ao aumento da oferta por parte do EUA e da Líbia. Essa redução era esperada e ainda foi acompanhada pelo aviso de que a empresa está com perspectiva de novo rebaixamento. Caso seja rebaixada de novo ela sairá da posição de “grau de investimento’, o que poderá causar a obrigatoriedade de saída de vários investidores que são obrigados a investir apenas em empresas com grau investimento. Além disso, como a empresa é muito dependente de financiamentos, a sua situação fica mais exposta, já que a queda da nota aumenta os custos de captação para que ela aumente ou renove suas dívidas. Veja  o gráfico do petróleo tipo Brent, referência global de preços:

 

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Economista pela FEA-USP, CNPI, atua no mercado financeiro desde 1983 e hoje exerce funções de análise econômica e de valores mobiliários. pepa2906@gmail.com