Trader compulsivo

Já parou para pensar porque alguns traders "viciam" no mercado?
Blog por Caio Sasaki  

Olá! Cá estou, de volta e com energias renovadas após uns dias de férias (porque não só de operações vive o trader, rs). Apesar da distância das cotações diárias, não consegui me desgrudar do mercado... eu geralmente enxergo analogia em tudo e no último final de semana, quando estava desfazendo as malas, encontrei vouchers de alguns cassinos por onde passei, em Las Vegas. É realmente impressionante ver como existem pessoas absolutamente viciadas naqueles caça niqueis e isso me lembrou do livro do repórter Charles Duhigg (O Poder do Hábito), em que ele descreve o mecanismo do vício em jogos. E, na minha opinião, é exatamente o mesmo processo que ocorre com traders compulsivos.

Resumindo, do ponto de vista neurológico, os “jogadores patológicos” ficam mais entusiasmados com vitórias do que jogadores normais, mas o ponto mais interessante é o que ocorre com estes viciados nas “quase vitórias”. Num estudo em que a atividade cerebral destas pessoas foi monitorada através de ressonância magnética, o ato de quase ganhar gerava uma reação igual a ganhar, enquanto para pessoas sem problemas com jogos perder por pouco continuava querendo dizer elas perderam. Desta forma um jogador patológico praticamente caminha de perda em perda com o mesmo entusiasmo que um vencedor. E sabendo destas informações os programadores das máquinas de cassinos criam diversas sequências de “quase vitórias”.

A bolsa de valores não possui um comportamento programado como um caça níquel, contudo, as oscilações de preços frequentemente geram a mesma sensação de quase vitória – naquelas operações em que a cotação chega muito perto do objetivo esperado, mas acaba devolvendo todo o movimento e encerra no prejuízo. Isto leva muitos investidores a pensar “quase! Na próxima eu acerto!” e desta forma muitos operam de perda em perda até estarem completamente quebrados.

O estudo neurológico do comportamento de consumo das pessoas possui pouco tempo, mas já se mostrou muito eficiente no mapeamento da atividade cerebral que leva as pessoas a tomarem decisões diversas. E ao contrário do que muitos imaginam, nosso subconsciente pensa muito mais do que nós pensamos. Daniel Kahneman (prêmio Nobel em economia) também aborda o assunto com maestria, mas este papo pode ficar para outro dia...

Voltando ao que nos interessa (trading!), encerro este texto citando novamente um dos maiores traders de todos os tempos, Jesse Livermore, “[o mercado] não é para o aventureiro que deseja enriquecer rápido”. Alguém duvida?

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

É trader, formado em Física pela USP e chegou a fazer mais de 300 operações por dia na Nasdaq e na Bolsa de Nova York. Foi estrategista em instituições como Citibank, Interfloat e XP Investimentos e hoje dedica parte de seu tempo para formar traders independentes. contato@sasakitraders.com.br