Traders vs Robôs?

Quando e como um robô pode ser bom ou ruim para um trader?
Blog por Caio Sasaki  

Não importa a época, não importa o comportamento do mercado, sempre haverão traders se queixando da atuação dos robôs. Em alguns casos (às vezes mais casos do que eu gostaria de ver) a culpa nem é do robô, mas sim do próprio trader que tem dificuldade em assumir as próprias falhas – que, aliás, são absolutamente normais na carreira de qualquer investidor.

Conforme prometi no artigo anterior, vou comentar a diferença entre o Tape Reading no mercado a vista e no mercado futuro – o que tem tudo a ver com robôs. Eu, particularmente vejo duas diferenças “práticas” entre estes dois mercados: o custo operacional (corretagem + emolumentos) e a variedade, pois ao passo que só existe um Ibovespa Futuro com liquidez, no mercado de ações as opções são bem mais amplas. Esta diferença define os tipos de robôs que atuam nos dois mercados e se o trader souber aproveitar, estas maquininhas são ótimas amigas!

Começando pelo custo, os mercados futuros de alta liquidez como Ibovespa e Dólar constituem o ambiente perfeito para o High Frequency Trading (HFT), mas este não é o único critério. Blue chips como PETR4 e VALE5 também possuem excelente liquidez, mas não contam com atuação de robôs HFT. A questão é que operações de alta frequência costumam ser numerosas, porém curtas, portanto precisam de um custo extremamente baixo para serem viáveis e o custo de operação nos mercados futuros é bem menor do que em mercados de ações, a vista. Nas ações é muito comum a atuação de robôs LFT (Low Frequency Trading) que executam operações mais direcionais e são muito mais interessantes para day traders e scalper traders, pois possuem uma “leitura” mais limpa – diferente dos robôs HFT que colocam e cancelam ordens a todo tempo e confundem quem está analisando o mercado por Tape Reading. Por conta deste aspecto, hoje, tendo como base os traders que eu conheço, a atuação em papéis tem gerado maior consistência nos resultados. Atuação em futuros necessita de uma análise um pouco mais detalhada, rigorosa e criteriosa.

Com relação a variedade, esta regra não se aplica somente a Tape Reading e não tem relação tão direta com robôs. Seja num dia volátil ou de pura lateralidade, um trader de ações sempre terá uma ampla gama de ativos para “garimpar” e encontrar aquele que se encaixa melhor ao seu estilo operacional. Já o trader de futuros, por não possuir muitas opções (às vezes nenhuma), precisa dominar múltiplas técnicas para domar o mesmo mercado em cenários diferentes. Neste caso é preciso ser versátil para se adaptar às condições existentes. E este é um ponto chave: repertório.

Seja lá qual for o estilo do mercado, um bom trader é aquele que possui um amplo repertório, pois não existe nenhuma técnica a prova de falhas. E digo isto por experiência própria, pois comecei com Tape Reading, passei por diversas escolas da Análise Técnica (como price action, setups e indicadores, análise correlacionada, etc), análise macro, e não tardou para que eu percebesse que todas estes estilos eram complementares e não excludentes. Por isso digo que um bom trader é como um bom lutador de MMA, ou seja, ele nunca será consistente se dominar apenas uma técnica.

Para finalizar, é importante dizer que esta é apenas “uma” das três colunas que sustentam um bom trader. E este é um assunto para abordarmos na segunda-feira!

Até lá, tenha um ótimo final de semana!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

É trader, formado em Física pela USP e chegou a fazer mais de 300 operações por dia na Nasdaq e na Bolsa de Nova York. Foi estrategista em instituições como Citibank, Interfloat e XP Investimentos e hoje dedica parte de seu tempo para formar traders independentes. contato@sasakitraders.com.br