O que é Tape Reading? (Parte 2)

Como uma técnica utilizada amplamente no Pregão Viva Voz resistiu as transformações do mercado e continua sendo utilizada até hoje?
Blog por Caio Sasaki  

Em meados de 2009 as famosas rodas de negociação da bolsa de valores brasileira estavam definitivamente extintas. Contudo, toda aquela massa de operadores foi parar em algum lugar (e a história de cada um deles renderia um belo artigo... mas vamos manter o foco – comento os “causos” outro dia), e este lugar era um escritório situado na Rua Boa Vista, no centro antigo de São Paulo – infelizmente extinto nos dias de hoje. Para a minha sorte eu estava neste lugar e momento, compondo o time de especialistas que fomentavam táticas e informações para um seleto público de traders. Um típico analista técnico poderia estranhar o fato de que a gigantesca maioria dos operadores provenientes do pregão não costumava tomar suas decisões com base num gráfico. Mas para mim aquilo soava bastante natural, pois meus alicerces profissionais foram construídos com base em papéis da NASDAQ e NYSE, em que “fui ensinado” a atuar de forma muito semelhante aos traders de pregão, ou seja, utilizando Tape Reading. Mas como isso funciona no mercado eletrônico?

Como comentei na primeira parte deste artigo, há poucos dias atrás, os tubarões eram rastreáveis. Mas por incrível que pareça, eles continuam deixando sinais. Contudo, estes sinais são um pouco mais difíceis de ler, pois a quantidade de “ruído” gerado pelo aumento de pessoas físicas na bolsa de valores, ou mesmo o aumento generalizado proporcionado pela tecnologia atual (robôs e algoritmos, inclusive através de players institucionais), acaba poluindo esta informação tão preciosa. As ferramentas básicas utilizadas estão ao alcance de qualquer um: o livro de ofertas (também chamado de Book ou Level 2, nos EUA) e a lista de negócios realizados (mais conhecida como Times & Trades ou Times & Sales, na terra do Tio Sam). Existem várias técnicas aplicadas ao assunto, mas no fim tudo se resume a encontrar um formador ou anulador de tendências. Parece uma técnica fantástica, não? E realmente é! Se eu tivesse que eleger apenas uma tática para atuar no mercado, esta seria o tape reading. Mas ainda bem que posso fazer uso desta técnica associada a muitas outras, como análise de contexto econômico e mesmo análise gráfica, pois abrir mão de outros canais de informação seria o mesmo que abrir mão de dinheiro!

Para finalizar, apesar de tantos pontos positivos, o Tape Reading não é o milagre que muitos procuram, pois há uma série de limitações nesta tática. Vou deixar este assunto para a terceira parte deste artigo, em que apontarei os prós e contras da técnica, além de levantar um ponto muito mais relevante do que qualquer tática de investimentos. Vou manter um suspense, mas é somente por 3 dias, ok?

Tenha um ótimo final de semana e nos vemos segunda-feira!

PS: Críticas, dúvidas e sugestões, por favor, deixe seu comentário abaixo!

Se você quer aproveitar as oportunidades que Bolsa está apresentando, clique na imagem abaixo e assista a um curto vídeo onde o analista André Moraes compartilha 3 dicas que podem fazer toda a diferença na hora de operar!

As 3 Dicas Que Eu Gostaria De Ter Recebido Quando Comecei na Bolsa

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

Deixe seu comentário

Perfil do blogueiro

É trader, formado em Física pela USP e chegou a fazer mais de 300 operações por dia na Nasdaq e na Bolsa de Nova York. Foi estrategista em instituições como Citibank, Interfloat e XP Investimentos e hoje dedica parte de seu tempo para formar traders independentes. contato@sasakitraders.com.br