Um ano de oportuniudades

O que esperar de 2015? Nunca saberemos o que o mercado nos reserva, portanto, resta apenas nos adaptarmos.
Blog por Caio Sasaki  

Pois é, meu caro, 2014 se passou e foi um ano complicado!

A economia começou letárgica com um carnaval tardio, em março, seguida da frustrante Copa do Mundo e uma eleição presidencial acirrada, além de polêmica. Enquanto isso o mundo assistiu um cenário caótico com o mercado americano promissor, Europa estagnada e China desacelerando, acompanhada pelas commodities em queda livre, como minério de ferro e petróleo (extremamente relevantes para as maiores empresas brasileiras). A Ucrânia foi palco de conflitos, colocando a Rússia em evidência, o que por sua vez afugentou investidores e contribuiu para intensificar uma crise eminente naquela região. Enquanto isso, na África, o ebola somava mais uma dor de cabeça numa região que já não goza de muitos benefícios estruturais e socioeconômicos.

De volta ao Brasil, a inflação avançou a todo vapor, juntamente com a cotação do dólar, forçando os juros a se firmar na casa dos dois dígitos e sem previsão de parada até o momento. O desemprego se mantém baixo, mas este dado maquiado já não ilude mais ninguém há um bom tempo. Como se não bastasse o desgaste destas engrenagens essenciais para o andamento de qualquer economia, ainda tivemos um escândalo de corrupção numa das maiores empresas listadas em nossa bolsa que, somado a falta de investimentos em infraestrutura, deve estrangular nosso crescimento a médio/longo prazo - o setor de logística nunca teve muita atenção, o que explica rodovias precárias e ausência de ferrovias; e o setor de energia (combustíveis e energia elétrica) deve sofrer com o fechamento de usinas e a seca no sudeste. E é com este enredo macabro que ingressaremos em 2015 – com muitos investidores pessoas físicas se perguntando: o que fazer?

Um grande amigo trader costuma afirmar, em tom sarcástico, que o trader perfeito precisa sofrer de Alzheimer, assim nunca se lembrará das porradas que tomou e nem se preocupará com as potenciais perdas eminentes. Em tese teria seu lado emocional preservado. Porém, ainda que não fosse uma piada, este conceito trataria apenas uma fração do aspecto emocional, pois a saúde psicológica de um trader vai muito além de não se deixar abalar pelos traumas e expectativas das operações mal sucedidas. Por exemplo, como gerar otimismo e motivação constante? Otimismo é um dos melhores "combustíveis" desta carreira, pois os períodos de turbulência sempre virão, e às vezes sem aviso prévio. Por isso, aqueles de auto estima vulnerável tendem a desistir desta profissão em pouco tempo. Não é a toa que os melhores traders que conheço dificilmente reclamam do mercado ou qualquer outro "componente externo" como plataforma, conexão, corretora ou o ambiente barulhento. Eles assumem que o dinheiro está sempre lá, a espera deles, e que se eles não conseguiram obter sucesso, é culpa única e exclusivamente deles mesmos. Alguém, em algum lugar qualquer está se dando bem, e se é possível para esse alguém, é possível para qualquer outro!

Com isto em mente, volto minhas expectativas para 2015, já me dando conta de que os desafios não serão poucos, nem fáceis... e será sempre assim, independentemente do cenário. Estou me preparando para crises, mais escândalos de corrupção, um mercado brasileiro fanfarrão, entre outros contratempos. Apesar disso tudo, sabe o que eu vejo (ou pelo menos me esforço ao máximo para ver, sempre)?

Um ano repleto de oportunidades!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

É trader, formado em Física pela USP e chegou a fazer mais de 300 operações por dia na Nasdaq e na Bolsa de Nova York. Foi estrategista em instituições como Citibank, Interfloat e XP Investimentos e hoje dedica parte de seu tempo para formar traders independentes. contato@sasakitraders.com.br