Por que traders dão aula?

“Se esse cara é bom mesmo, por que ele está dando aula em vez de só operar e ganhar dinheiro?”
Blog por Caio Sasaki  

15 de outubro, dia dos professores. Por mais piegas que possa parecer, para mim, esta é uma das atividades mais nobres que um ser humano pode exercer. Alguns podem dizer que defendo este ponto por lecionar há mais de uma década, ou talvez por ser filho de professora, mas se o que nos diferencia de outros animais é justamente a nossa capacidade de raciocínio , nada mais justo do que valorizar quem promove o desenvolvimento desta capacidade, não?

Por isso, aproveito a data para escrever a respeito de uma polêmica que vai e volta de tempos em tempos: porque dar aula?

“Se esse cara é bom mesmo, porque ele está dando aula em vez de só operar e ganhar dinheiro?”. Já escutei esta frase diversas vezes. Talvez tenha sido por absoluta má fé (querer desqualificar o profissional em questão, seja lá qual for o motivo), ou por ter encontrado professores mal preparados, ou por ignorância, falta de conhecimento, mas eu sou otimista e gosto de acreditar que quem diz isto age assim por pura ingenuidade. E para elaborar melhor esta perspectiva vou abordar dois pontos de vista.

Primeiro, como aluno. Não costumo comentar isto, mas já abandonei um mestrado num instituto altamente renomado porque era unicamente teórico, e atualmente curso um MBA numa das instituições mais respeitadas deste país porque os professores atuam no mercado. O fato de que os professores, mais do que ostentar títulos, atuam no mercado e colocam o que ensinam em prática é o grande diferencial para mim. Logo, aprender a investir com quem investe me parece fazer bastante sentido. Mas porque um trader daria aula?

Eu, particularmente, sempre dei aula, inclusive muito antes de me tornar um trader. Durante a minha graduação dei aulas em escolas, cursinhos pré-vestibulares, além de palestras em congresso e universidades. Sempre gostei desta atividade! Para mim, lecionar não é simplesmente dizer o que sei, mas fazer com que meus receptores compreendam minha mensagem. Este desafio me obriga a estar constantemente me reinventando e, consequentemente, evoluindo. Além disso, quando jovem (muito jovem!), eu só pensava em um dia conseguir um emprego, mas quando esta meta foi atingida passei a buscar uma remuneração mais satisfatória, e depois trabalhar fazendo o que eu gostava, e depois ter qualidade de vida. Quando tudo parecia pleno percebi que podia continuar mantendo meus planos e ainda ajudar outras pessoas a terem os mesmos tipos de conquistas que eu tive. Qualquer livro focado em desenvolvimento humano – The Power of Habit (Charles Duhigg), Outliers (Malcolm Gradwell)  e The Servant (James C. Hunter), só para citar alguns exemplos – aponta a gratificação, ou seja, o ato de ajudar outras pessoas, como um dos principais componentes da felicidade. Demorei para realmente compreender este conceito e isto só foi possível quando uma boa parte das minhas conquistas pessoais já havia sido atingida. Por isso, hoje não me espanta ver bilionários como Warren Buffett, Bill Gates e Mark Zuckerberg dedicarem boa parte de seu tempo e dinheiro para ajudar outras pessoas. E não é só uma questão de altruísmo, pois evoluímos muito mais ensinando do que se tratarmos nosso conhecimento com preciosismo e egoísmo. Já ajudei muitas pessoas, assim como também fui muito ajudado, e como retribuição desenvolvi habilidades diversas e conheci dezenas de traders com quem troco conhecimento até hoje.

Por último, claro que lecionar dá dinheiro (ok, nem sempre) e nada mais justo do que cobrar por este serviço, da mesma forma como um médico cobra por uma consulta. Quando alguém contrata meu coaching, não está me pagando por uma aula de análise técnica – isto eu já faço absolutamente de graça para qualquer pessoa que tenha interesse – está comprando erros que não devem ser repetidos, a experiência de quebrar no início da carreira e dar a volta por cima, a vivência em empresas líderes deste setor (como colaborador e como cliente), a passagem por vários mercados e o network com muitos outros profissionais deste mercado, inclusive com conhecimentos complementares aos meus, tudo orientado para o aumento de performance e obtenção de resultados. E quem conhece o valor disto, sabe muito bem que não tem preço!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

É trader, formado em Física pela USP e chegou a fazer mais de 300 operações por dia na Nasdaq e na Bolsa de Nova York. Foi estrategista em instituições como Citibank, Interfloat e XP Investimentos e hoje dedica parte de seu tempo para formar traders independentes. contato@sasakitraders.com.br