O mercado está lateral. E agora?

Dia sem dado macroeconômico, discurso de autoridades nem resultado de empresas. Em outras palavras este é um dia inútil para um day trader, certo? Ledo engano! Saiba que enquanto uma série de traders surfa as ondas do mercado, outros operam lateralizações com maestria!
Blog por Caio Sasaki  

Há quase 10 anos atrás, quando operava na NASDAQ, não fazia a mínima ideia do que era análise técnica. Tudo o que eu sabia era como funcionava um candle, mas meu conhecimento passava longe de figuras de topo, padrões de reversão ou indicadores como médias móveis e bandas de Bollinger. A única função que um gráfico tinha na minha vida era como ferramenta de pesquisa para encontrar papéis com alto volume de negociação, porém baixa volatilidade. Em tese a minha tática não poderia ser mais simples, pois consistia em posicionar compra no piso e venda no teto de canais horizontais. Contudo, quem já tem algum tempo batendo e apanhando do mercado sabe muito bem que nem tudo é tão simples assim.

Como não havia oscilação, análise gráfica de fato não tinha muita utilidade neste caso e é claro que a técnica para tomar decisões no mercado era outra, desconhecida no mercado brasileiro, porém amplamente difundida em outros mercados como nos Estados Unidos, Europa e Ásia. Esta técnica consistia em ler o fluxo de negócios do mercado e escolher as melhores “filas” para entrar na operação. Com a baixa volatilidade o livro de ofertas estava sempre cheio de ordens posicionadas, de tal forma que eram formadas filas, ou seja, quem posicionava a ordem primeiro poderia ser executado primeiro. Mas o sistema do mercado norte americano permitia a formação de mais de uma fila na compra e na venda, o que é totalmente diferente e estranho para quem opera no mercado brasileiro, desta forma tanto na compra quanto na venda haviam filas que andavam mais rápido e mais devagar. Portanto uma análise de fluxo bem feita não consistia apenas em identificar a força predominante como sendo de compra ou venda, mas incluía a percepção de qual era o canal mais propício para realizar negócios. E isto variava de um dia para o outro. Outra grande questão era o custo das operações, pois no mercado norte americano era possível se remunerar com taxas operacionais, ao invés de pagá-las, simplesmente por posicionar as ordens no livro de ofertas, ou seja, dar liquidez ao mercado. Esta política de custos possibilitava operações extremamente curtas, o que ainda é inviável para muitos investidores da bolsa brasileira.

Mas como o mercado muda e o que funciona hoje pode não funcionar amanhã (e ás vezes não funcionar nunca mais), esta tática morreu. Foi quando precisei aprender um pouco mais sobre as outras táticas de operação, além de outros produtos como opções, índices e moedas. Os anos passaram, as mudanças me obrigaram a crescer profissionalmente, mas o que vinha funcionando nos últimos tempos estava falhando com frequência recentemente devido à baixa volatilidade do mercado brasileiro. Eis que, quando menos esperava, encontrei um trader que operou comigo no início da minha carreira fazendo exatamente a mesma coisa dos velhos tempos, só que no mercado brasileiro. E muitos outros traders estavam fazendo a mesma coisa! Foi a deixa para voltar a focar análise de fluxo. Por isso quando um trader se espanta e diz “mas você não é trader de futuros?” eu respondo brincando “se tiver liquidez eu opero até expectativa para final de novela!”.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

É trader, formado em Física pela USP e chegou a fazer mais de 300 operações por dia na Nasdaq e na Bolsa de Nova York. Foi estrategista em instituições como Citibank, Interfloat e XP Investimentos e hoje dedica parte de seu tempo para formar traders independentes. contato@sasakitraders.com.br