Nova "injeção" de ânimo? Os efeitos na Raia Drogasil à liberação de vacinas em farmácias pela Anvisa

A diretoria colegiada da Anvisa aprovou resolução informando que farmácias e drogarias de todo o País vão poder oferecer o serviço de vacinação a clientes - animando investidores na ação 
Blog por Thiago SalomãoLara Rizério  

SÃO PAULO - Dona de um desempenho invejável na bolsa nos últimos quatro anos, com alta superior a 500%, a ação da RD (RADL3) pode ter encontrado mais um motivo para comemorar na bolsa. Na última terça-feira, a  Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou resolução informando que farmácias e drogarias de todo o País vão poder oferecer o serviço de vacinação a clientes. O serviço já era regulamentado em alguns estados. Dentre eles, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e Distrito Federal. Com a decisão, que será publicada no Diário Oficial da União nos próximos dias, ela será estendida às demais unidades da federação.  A notícia é obviamente positiva para o setor, mas qual é o impacto sobre a ação?

As ações sentem o impacto positivo na bolsa no começo da tarde, registrando ganhos de 2,50%, a R$ 88,34, apesar dos analistas do "sell side" terem praticamente "ignorado" a notícia em seus boletins diários enviados aos clientes. Esse movimento pode ter ocorrido porque, apesar de ser uma decisão benigna, o impacto dela é difícil de ser mensurado, como observado por diferentes gestores consultados pelo InfoMoney e pela própria companhia. 

"Obviamente a notícia é positiva, mas não é novidade pra ninguém", afirma Stephen Duvignau, gestor da Fama Investimentos, asset que possui uma posição de longa data em RADL3. "Essa decisão mostra uma postura pró-mercado do regulador do setor, buscando trazer melhores serviços para a população. Contudo, se ela é boa o suficiente para fazer preço, só vamos saber quando se provar economicamente viável e lucrativa", afirmou.

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Há ainda algumas dúvidas que a própria companhia não sabe a resposta.  "Embora este seja um mercado bem interessante, ele não é tão grande assim, existem certas indefinições sobre necessidade de demanda por este serviço em cada região(...) Isso me leva a pensar que, num impacto mais de longo prazo, essa decisão da Anvisa seria só mais uma conta que vai entrar no ‘bolo todo’ da RD", afirma o gestor da Fama. Em outras palavras: “se isso causar uma forte valorização hoje, eu ficaria surpreso”, diz Duvignau (a entrevista foi realizada por volta das 8h da manhã).  

Mas uma coisa é clara: isso vai dar uma capilaridade incrível ao setor e o governo poderá usar a medida para lançar campanhas. Desta forma, existe um grande potencial de mais negócios. "E a RD, pela sua competência apresentada por vários anos, pode abocanhar uma boa parte deste mercado. Mas ela não é a única que estava de olho neste segmento, outras redes já tinham isso no radar", conclui o gestor, que segue com uma posição significativa em RADL3. 

Questionada pelo InfoMoney, a companhia informou que neste momento não há como fazer uma estimativa, até mesmo porque não há base para realizar um cálculo. "Somente a partir do próximo ano, quando o serviço estiver implantado em nossas lojas, teremos mais clareza sobre resultados. Mas, certamente, consideramos que a notícia é muito boa para o segmento. A RD pleiteava essa a autorização de aplicação de vacinas junto à Anvisa há muito tempo", afirmou a RD em nota. 

Com uma visão ainda mais otimista, o gestor da Iporanga Investimentos, Robinson Dantas, ressalta que esta é uma evolução para o modelo do setor de saúde. "A demanda reprimida existe, é só ver os números de consultórios de passagem, como por exemplo o 'Dr. Consulta'”, afirma Dantas, citando a rede de clínicas particulares focada em rapidez do atendimento. Assim, para ele, esse é um primeiro passo na mudança do modelo de negócio das farmácias para prestação de serviço.  Dantas usa como exemplo o modelo inglês, que comporta esse tipo de serviços menores, com consultórios genéricos que fazem primeiro atendimento, o que diminui o custo do seguro saúde e tem ganhos para farmácias com prestação de serviço.

Vale destacar que a ação da RD, apesar de ser vista como uma ação já há muito tempo cara na bolsa, segue o movimento de alta, inclusive em novembro, mês em que ocorreu o Investor Day, reunião anual com os investidores da companhia (veja mais clicando aqui).  O reforço da mensagem, contudo, não foi sentido diretamente pelo mercado. Logo após o encontro com os investidores, a ação chegou a cair (entre os dias 10 e 14 de novembro), para só depois engatar um movimento de alta até atingir a máxima intradiária no dia 28 de novembro, aos R$ 92,00. O movimento se reverteu em parte, com as ações voltando a casa dos R$ 86 na última terça-feira para só depois registrarem um movimento mais expressivo nesta sessão e voltar aos R$ 88.

Afinal, várias redes podem ter ficado na expectativa e inclusive feito planos pela medida da Anvisa. Mas, dada a excelência da RD nos últimos anos, a expectativa é ainda maior para ela. 

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Perfil do autor

É editor de Mercados do InfoMoney e analista CNPI-P (analista técnico e fundamentalista, certificado pela Apimec). Trabalha há 6 anos no InfoMoney. Graduou-se em Administração de Empresas pelo Mackenzie, já acompanhou mais de 200 horas de cursos sobre mercados de ações. Possui MBA em Mercado de Capitais pela Fipecafi e MBA de Mercados Financeiros para Jornalistas pela UBS/BM&FBovespa. thiago.salomao@infomoney.com.br