ESPECIAL: 3 motivos para (tentar) entender a alta de 10,5% da Magazine Luiza

Reforço de mensagem positiva do "ML Day" animou mercado, com executivos da companhia reforçando expectativas positivas
Blog por Lara Rizério  

SÃO PAULO - Nenhuma grande novidade, mas uma disparada de 10,55% da ação - tudo isso num dia que o Ibovespa caiu 1,07%. Afinal, o que explica o forte movimento das ações do Magazine Luiza (MGLU3) nesta quinta-feira (7), dia em que foi realizado o "ML Day 2017", evento realizado na sede da varejista em São Paulo e que reuniu mais de 170 analistas e investidores? 

De forma sucinta: nenhuma novidade disruptiva ao ponto de justificar essa disparada foi anunciada. No entanto, como havia uma enorme quantidade de investidores - e como muita gente no mercado ainda não tem MGLU3 em carteira, apesar da disparada de 2.800% desde 2016 -, as duas novidades anunciadas pela empresa somadas com o cenário bem otimista desenhado pelos diretores durante o evento podem ter servido de combustível para esta disparada.

Separamos em 3 tópicos os motivos para entender essa alta da MGLU3 na bolsa nesta quinta-feira (7):

1. Otimismo com novas lojas em 2018
O evento teve um tom bastante positivo. O CEO do Magalu, Frederico Trajano, abriu o evento falando que a empresa é hoje "o maior caso de 'omnicanalidade' (integração das lojas físicas, virtuais e compradores) do mundo". Mais tarde, ele disse que a varejista pretende abrir bem mais do que 60 lojas no ano que vem e quer aumentar significativamente os investimentos em relação aos R$ 150 milhões. “É um ótimo momento para abrir lojas porque hoje o maior varejista do Brasil é o ‘aluga-se”’, afirmou.

Os investimentos não serão apenas focados em abertura de novas lojas, mas também em reformar as lojas atuais para dobrar o espaço dedicado a estoque e backoffice para 30% da área total, de olho no aumento da procura pela opção “retira na loja” de seu e-commerce - a meta é ter 100% das lojas nesse formato em até 2 anos.

Dentre outras perspectivas, os diretores disseram esperar um 4º trimestre “bem melhor” que o ano passado e um 1º semestre de 2018 bom, guiado não só pela melhora na economia quanto pela Copa do Mundo de futebol. 

Por fim, Frederico Trajano também falou sobre o movimento recente do Wal Mart, que anunciou a integração das lojas físicas e comércio eletrônico no Brasil. "Estamos ficando sozinhos no '1P' (loja física)", disse Fred. "Acreditamos há 17 anos no poder da multicanalidade, e não há 2 anos quando isso virou moda", complementou o CEO.

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2. "Entrega expressa": novidade anunciada
O evento também trouxe uma novidade anunciada em primeira mão: o entrega expressa", que consiste em realizar entregas de produtos em até 2 dias para compras feitas via aplicativo da empresa. Segundo Eduardo Galanternick, diretor executivo de e-commerce da empresa, o serviço de entrega expressa está sendo lançado imediatamente em 10 cidades, sendo 9 do estado de São Paulo (São Paulo, Guarulhos, Santana do Parnaíba, Osasco, São Caetano do Sul, Barueri, Santo André, São Bernardo do Campo, Diadema) e Belo Horizonte.

O diretor destrinchou o porquê do foco especificamente em aplicativo para este momento. "O cliente que já compra pelo app não paga frete, então pra nós o custo marginal disso é zero. O cliente 'prime', que tem recorrência maior, vem do app". Frederico Trajano, CEO da empresa, chegou a "cutucar" a concorrente internacional Amazon. "A gente não precisa cobrar US$ 99 por ano para fazer esse serviço extra", cutucou, em referência ao pacote de assinatura Amazon Prime.

"O nosso prime é o nosso app. De uma forma geral, acreditamos que essa estratégia pode ser uma grande alavanca para o nosso crescimento", disse Galanternick. Ele explicou que já existe entrega em até 2 dias para alguns serviços, mas essa novidade vem como consolidação. "O que fazemos agora é 'carimbar' o cliente que compra pelo app. Porque hoje a gente não promete 2 dias, a gente promete 4 mas entrega em 2", explica. Vale destacar que esse serviço só vale para compras feitas acima de R$ 99.

3. Sem novidades? Talvez só para quem já conhecia a empresa...
Apesar das boas notícias, será que isso justificaria uma alta de mais de 10% das ações da Magazine? Após conversarmos com analistas e gestores que participaram do ML Day, a conclusão é de que a empresa não anunciou nenhuma novidade que justificasse essa disparada, mas foi o que já dissemos no começo do texto: como havia muita gente do mercado no evento e boa parte deles não tem ações MGLU3 em carteira, isso foi o bastante para atrair novos compradores ao papel.

"A percepção do mercado foi muito positiva, a ação ficou parada num valor que não justifica o que a empresa é e que ainda tem potencial pra ser", disse ao InfoMoney Giovana Scottini, analista da Eleven Financial, que estava no evento.

Vale ressaltar que, desde outubro, quando a Amazon anunciou a sua expansão no Brasil, os papéis saíram da casa dos R$ 80,00 para até R$ 50,00. Isso apesar de alguns dias positivos para a empresa, como em 1 de novembro, quando a companhia soltou bons resultados para o terceiro trimestre de 2017.

Também é preciso lembrar que diversos analistas já estavam emitindo opiniões positivas sobre o papel antes do evento. Só em novembro, JPMorgan iniciou cobertura com recomendação 'overweight' (similar a "compra") e preço-alvo de R$ 72, mesmo target da Eleven Financial, enquanto o BTG Pactual reforçou call de compra e acredita que a ação voltará aos R$ 80, apontando que o marketplace da "companhia está de graça" na bolsa (o papel está cotado atualmente a R$ 64,46). A ação também voltou à Carteira InfoMoney de dezembro, com uma participação de 4,9% (para ver o portfólio completo, clique aqui). 

Cereja do bolo: prévia do Ibovespa
Em dezembro, a companhia teve mais uma notícia positiva: ela entrou na primeira prévia da carteira do Ibovespa que vai vigorar entre janeiro e abril de 2018 - teremos mais duas prévias a serem divulgadas: uma na metade do mês e uma no final de dezembro. Na prática: quando uma ação entra na prévia do Ibovespa, ela tende a sofrer uma pressão compradora ao longo do mês, tendo em vista que os fundos de ações que têm como mandato acompanhar ou performar levemente acima o Ibovespa precisarão comprar MGLU3 para deixar suas carteiras semelhantes ao índice.

Duas informações importantes sobre a alta de MGLU3 nesta quinta: i) o papel teve um desempenho totalmente descorrelacionado de suas duas "concorrentes" na Bovespa: B2W (BTOW3, -2,57%) e Via Varejo (VVAR11, +0,91%); ii) o volume financeiro movimentado pela ação na B3 foi de R$ 260,6 milhões, quase 50% acima da média diária dos últimos 21 pregões (R$ 145 milhões).

Para finalizar, uma curiosidade sobre o número de participantes do ML Day, mas que ajuda a entender a transformação da empresa na Bolsa: "neste mesmo horário em 2015, tinham umas 2 pessoas aqui no auditório", disse um dos analistas que estava hoje no evento poucos minutos antes da apresentação começar. Naquela época, os papéis MGLU3 valiam menos que R$ 2 na Bovespa.

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Perfil do autor

É editor de Mercados do InfoMoney e analista CNPI-P (analista técnico e fundamentalista, certificado pela Apimec). Trabalha há 6 anos no InfoMoney. Graduou-se em Administração de Empresas pelo Mackenzie, já acompanhou mais de 200 horas de cursos sobre mercados de ações. Possui MBA em Mercado de Capitais pela Fipecafi e MBA de Mercados Financeiros para Jornalistas pela UBS/BM&FBovespa. thiago.salomao@infomoney.com.br