Além do resultado forte, Smiles pode surpreender com dividendo extra; confira prévia

Analistas aguardam mais um resultado positivo para Smiles, que pode surpreender com dividendo extraordinário após incorporação da Webjet
Blog por Rafael de Souza Ribeiro  

SÃO PAULO - Considerada uma empresa premium da bolsa por conta do alto nível de eficiência, Smiles (SMLS3) é uma "figurinha carimbada" na Carteira Recomendada InfoMoney (clique aqui para acessar a última carteira recomendada), principalmente em tempos de maior incerteza do mercado. Desde que voltou para o portfólio em julho até o último fechamento, os papéis não decepcionaram e subiram 33,5%, enquanto o Ibovespa registrou alta de 18% no mesmo período, desempenho que comprova o bom momento operacional da companhia, tendência que deve ser mantida no terceiro trimestre deste ano.

A empresa, que detém um dos maiores programas de milhagens do Brasil com mais de 13 milhões de participantes inscritos, publicará seus números nesta segunda-feira (6) após o fechamento do mercado. "Como o resultado do trimestre passado, que surpreendeu o mercado, o terceiro trimestre também promete excelentes números, comprovando, mais uma vez, o nível de eficiência operacional da Smiles", assim os analistas do BTG Pacutal resumem sua expectativa para o balanço. Mas antes de falar dos números em si, é preciso entender a estrutura de negócio da companhia.

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A Smiles tem seu modelo de negócio baseado no desenvolvimento de um programa de fidelização de clientes, que consiste no acúmulo e resgate de milhas. No caso do acúmulo de milhas, o cliente recebe milhas quando adquire passagens aéreas da Gol (GOLL4) ou de outras companhias aéreas parceiras, assim como quando usufrui de produtos e serviços dos parceiros comerciais e financeiros da empresa, no momento em que passa o cartão de crédito para comprar algum produto, por exemplo. Em troca, eles oferecem as milhas da Smiles como forma de fidelização de seus consumidores. Enquanto na parte de resgate de milhas, o cliente tem o direito de gastar os seus pontos acumulados, o que a empresa chama de prêmios. Esse processo nada mais é do que a troca das milhas por passagens aéreas (destino maior das milhas) ou ainda por produtos e serviços dos parceiros comerciais e financeiros da Smiles.

Os resgates de milhas (quando os prêmios são efetivamente amortizados) são a principal fonte de receita da empresa. Para se ter uma ideia da importância dessa linha do resultado, no segundo trimestre deste ano, 84% da receita bruta estão relacionados ao spread de pontos (resgates de milhas), que ainda é composta por Breakage (milhas emitidas que expiram sem serem resgatadas) com 12% e Floating (ganho financeiro ao aplicar o caixa recebido à vista na emissão de pontos) com uma pequena parcela.

Vamos aos números
Compreendido o modelo de negócio, agora podemos falar sobre as projeções para o resultado. Para o terceiro trimestre, as receitas com resgates de milhas devem crescer 15% em relação ao mesmo período do ano passado, atingindo a marca de R$ 430 milhões, de acordo com as projeções do Itaú BBA. Com a principal linha indo bem, nada mais natural que esperar um avanço na receita líquida, que deve crescer 20% frente ao terceiro trimestre de 2016 conforme as estimativas compiladas pela Bloomberg.

Apesar da queda dos juros, fator que afeta negativamente Smiles uma vez parte da receita da empresa está relacionado com a variação da Selic, os analistas do Itaú não preveem um impacto negativo na receita financeira graças ao acordo com a Gol, qual a Smiles compra passagens antecipadas, ou seja, "prefixa parte da receita financeira por uma taxa de remuneração alta e blinda seu resultado financeiro para os próximos trimestres", conforme explica Francisco Kops, analista da Garde Asset, que também espera por um bom resultado para a empresa.

Para fechar com chave de ouro, além do robusto operacional, a empresa reconhecerá R$ 180 milhões em créditos fiscais pela incorporação da Webjet. Em 6 de junho, o conselho de administração aprovou plano de reorganização societária e a Smiles foi incorporada pela Webjet, o que inclusive resultou na mudança recente do ticker das ações de SMLE3 para SMLS3. Em vista deste lucro caixa, existe a possibilidade da empresa anunciar um dividendo extraordinário, o que seria um evento bastante positivo. O assunto, no entanto, não é uma certeza entre os analistas de mercado, mas sem dúvida será abordado na teleconferência que será realizada na próxima terça-feira (7), às 11h00 (horário de Brasília).

Confira os números esperados para o terceiro trimestre de 2017:

em R$ milhões 3T17E* 3T16* 3T17E/3T16
Receita líquida 465,2 387,5 +20,05%
Ebitda 173,6 141,7 +22,51%
Lucro líquido ajustado 153,7 131,5 +16,88%

*Dados e estimativas compiladas da Bloomberg

Efeito dólar
Assim como a dinâmica de juros, o investidor de Smiles deve acompanhar de perto as movimentações do dólar, principalmente após a divisa norte-americana ter subido 3,3% no mês passado e voltado para a região de R$ 3,30, níveis verificados em meados de junho deste ano quando Rodrigo Janot apresentou a primeira denúncia contra Michel Temer. A forte alta da moeda impacta negativamente a Gol, que nada mais é do que a controladora da empresa e sua principal parceira no ramo de passagens aéreas: "a alta do dólar aumenta o risco da Gol por conta da situação de caixa apertada, já que piora a margem de lucro da companhia aérea em vista do aumento dos custos. Portanto, se o mercado tem uma percepção de risco maior para ela, isso acaba afetando a Smiles", explica Kops.

Outro efeito negativo da moeda para Smiles é que a alta tende a reduzir os estoques de pontos dos bancos, uma vez que os gastos com cartão de crédito são em dólar e, portanto, quanto maior sua valorização, menos pontos são gerados no sistema e isso impacta diretamente nos resgates de milhas, aponta o analista da Garde Asset. E o terceiro efeito negativo está relacionado com as passagens internacionais: "quando o cliente vai resgatar uma passagem internacional, fica nas mãos da Smiles a compra do bilhete e uma disparada do dólar tem efeito direto no custo da passagem, então cobrará mais pontos para efetuar a operação e ficará mais difícil o resgate de milhas, principal fonte de receita da companhia", descreve Kops.

No caso, como a disparada do dólar foi em outubro, isso não afetará o resultado do terceiro trimestre, mas sim os números do último quarto do ano, que devem ser publicados no começo do ano que vem. Mas como sabemos, o mercado antecipa os movimentos e a manutenção desta tendência de alta da moeda norte-americana pode começar a pesar sobre os papéis da companhia. 

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Perfil do autor

É editor de Mercados do InfoMoney e analista CNPI-P (analista técnico e fundamentalista, certificado pela Apimec). Trabalha há 6 anos no InfoMoney. Graduou-se em Administração de Empresas pelo Mackenzie, já acompanhou mais de 200 horas de cursos sobre mercados de ações. Possui MBA em Mercado de Capitais pela Fipecafi e MBA de Mercados Financeiros para Jornalistas pela UBS/BM&FBovespa. thiago.salomao@infomoney.com.br