O Ibovespa tem todo o potencial para "dobrar de valor", diz BofA - mas há algumas condições

Enquanto alguns agentes de mercado seguem reticentes, analistas estão otimistas sobre perspectivas para a bolsa
Blog por Lara Rizério  

SÃO PAULO - Enquanto ainda há muitas reticências sobre o que esperar para o Ibovespa nos próximos anos - ou mesmo meses - muitos analistas de mercado estão otimistas sobre as perspectivas para o benchmark da bolsa. 

Após o BTG Pactual destacar que vê o índice a 100 mil pontos com a queda de juros e o Bradesco BBI apontar que a desaceleração dos salários nominais pode impulsionar o benchmark da bolsa brasileira, desta vez foi o Bank of America Merrill Lynch que ressaltou a visão positiva com o mercado nacional. 

Em relatório, o banco americano manteve recomendação overweight (exposição acima da média do mercado) para o Brasil dentro do portfólio para a América Latina e elevou o alvo para o Ibovespa de 75 mil pontos para 80 mil pontos até o final do ano - o que configura um potencial de valorização de cerca de 5% na comparação com o fechamento de sexta-feira (20). 

Os estrategistas do banco ainda fizeram uma comparação entre Brasil e México, apontando que ambos enfrentam eleições no ano que vem (também um evento binário para ambos os países). Porém, o BofA vê uma melhor relação risco-retorno para o Brasil.

Eles apontam que os múltiplos no Brasil estão caros em relação ao México, considerando bases históricas. Contudo, o Brasil tem melhores perspectivas de crescimento do PIB (3% ante 1,6% no México para 2018) e do lucro (19% no Brasil versus 8% no México em 2018).  

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"As expectativas de melhores lucros, flexibilização monetária e ambiente internacional benigno devem manter o Ibovespa em maior movimento”, afirma o BofA.  Além disso, apontam os estrategistas, a aprovação de uma reforma da Previdência - mesmo uma versão
diluída - pode trazer um potencial de valorização maior para o mercado diante das baixas expectativas de aprovação no cenário internacional.  

Dobrando de valor
Indo ainda mais além, o BofA apontou em relatório chamado "Ibovespa pode dobrar de valor: você está preparado?" que, com apoio do cenário internacional e um resultado eleitoral positivo para o mercado, o Ibovespa poderia chegar ao dobro do patamar atual, lembrando que, neste rali desde janeiro de 2016, o índice subiu ligeiramente mais do que o dobro em dólares após cair quase 80% desde o pico anterior. Agora, o rali pode durar mais dois anos, de acordo com o que aponta o bull market anterior. Mais especificamente, o benchmark da bolsa pode ir além também com crescimento dos lucros das empresas em dois dígitos nos próximos anos, a maior exposição de investidores locais (que ainda são maciçamente pouco posicionados em ações), além de um dólar mais fraco e uma economia da China mais fortes. 

Desta forma, assim como um dos maiores catalisadores para o Ibovespa são as eleições de 2018, por outro lado, os estrategistas apontam que este é o maior risco para os mercados. Mas ponderam: os cenários de bull market mais recentes no Brasil não terminaram com uma crise política, e sim com uma crise global, como a crise da Ásia, a bolha de tecnologia dos anos 2000 e a crise financeira de 2008. A exceção fica para o baixo desempenho desde 2011 atribuído à severa recessão e instabilidade política nacional. 

Voltando para o pleito do ano que vem, os estrategistas ressaltam que "a corrida presidencial de 2018 está bem aberta e os candidatos só anunciarão sua intenção de concorrer em junho/julho de 2018. Os clientes locais citam a incerteza nas eleições presidenciais como o principal motivo pelo qual não estão mais ativos em ações, mesmo que as taxas de juros atinjam mínimas históricos. Como a situação fiscal do Brasil continua a ser uma preocupação, a próxima administração desempenhará um papel fundamental na abordagem das contas fiscais". Assim, com um resultado considerado pró-mercado, o otimismo dos locais para as ações pode se intensificar - e o Ibovespa mudar de patamar. 

Nesse cenário, por setor, os estrategistas do BofA seguem positivos em setores de consumo discricionário, indústria e de construção civil, de olho nas taxas de juros mais baixas, que devem levar a uma aceleração do crescimento em 2018, sendo o consumo um motor-chave. Além disso, os analistas seguem positivos com o setor de mineração e siderurgia, destacando o crescimento global e crescimento robusto na China. Já os setores em que estão com peso abaixo da média do mercado são o financeiro (menor crescimento dos lucros e pressão sobre as margens devido ao forte ciclo de flexibilização monetária no Brasil) e bens de consumo básicos (baixo crescimento dos lucros e valuations esticados).

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Perfil do autor

É editor de Mercados do InfoMoney e analista CNPI-P (analista técnico e fundamentalista, certificado pela Apimec). Trabalha há 6 anos no InfoMoney. Graduou-se em Administração de Empresas pelo Mackenzie, já acompanhou mais de 200 horas de cursos sobre mercados de ações. Possui MBA em Mercado de Capitais pela Fipecafi e MBA de Mercados Financeiros para Jornalistas pela UBS/BM&FBovespa. thiago.salomao@infomoney.com.br