Com alta de 2.600% e título de "melhor do mundo", ação do Magazine Luiza está prestes a alçar voos ainda maiores

Companhia anunciou o tão esperado desdobramento de ações - e agradou o mercado 
Blog por Lara Rizério  

SÃO PAULO - Na última segunda-feira, a Bloomberg havia destacado a transformação do Magazine Luiza (MGLU3) na ação de melhor desempenho do mundo do setor de varejo, com uma alta de mais de 2.000% desde o início de 2016.

Contudo, o tamanho sucesso cobra literalmente o seu preço, com os papéis tendo ultrapassado os R$ 480 (ou seja, uma alta superior a 2600% desde o começo do ano passado) nesta quarta-feira. Os efeitos colaterais são sentidos, com os papéis da companhia tornando-se menos acessíveis para os investidores dado o seu alto preço justamente em um momento em que eles chamam tanto a atenção dos investidores em geral. 

Assim, nesta quarta-feira, a companhia fez o anúncio "tão esperado" pelo mercado, aprovando por unanimidade a proposta de desdobramento das ações ordinárias da companhia. O desdobramento proposta é na proporção de um para oito. Assim, se levado em conta o fechamento da última terça-feira, quando os papéis valiam R$ 454,26, a ação passaria a ser negociada a R$ 56,78. 

Assim, o desdobramento das ações tem como objetivos aumentar a sua liquidez e conferir melhor patamar para a cotação, a fim de torná-las mais acessíveis aos investidores. Com o aumento da liquidez, a companhia pode alçar voos ainda maiores na Bolsa, podendo inclusive ambicionar a entrada no Ibovespa, uma vez que este é um dos critérios para a entrada no principal índice da B3 - o que pode significar ainda mais valorização para os ativos. 

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"É difícil dizer a linha do tempo para isso, mas o desdobramento das ações é bastante positivo, pois aumenta a chance de entrar no índice, permite o acesso do investidor pessoa física ao papel e aumenta a liquidez, melhorando assim as condições de negociação do ativo", ressalta Giovana Scottini, analista da Eleven Financial. 

Vale ressaltar que ainda não foi divulgada a data em que as ações passarão a ser negociadas desagrupadas. Segundo o comunicado ao mercado, será feita uma AGE (Assembleia Geral Extraordinária) para ajustar esta proposta. 

Novo passo
Assim, a proposta de desdobramento foi mais um passo que evidencia o sucesso das operações da varejista na Bolsa desde o final de 2015, quando os papéis atingiram a mínima ao chegarem a cotação de R$ 7,83 no fechamento da sessão do dia 14 de dezembro de 2015. 

Mesmo em meio a um ambiente bastante desafiador para o setor de varejo dada a crise econômica, a companhia conseguiu reverter o cenário, em um movimento que veio concomitantemente à ascensão de Frederico Trajano ao cargo de presidente da companhia, em 1 de janeiro de 2016. 

Desde então, a companhia vem tendo êxito em investir no e-commerce, com destaque para o marketplace, modelo de negócios em que outros varejistas pagam uma comissão para utilizar as suas plataformas virtuais. Por sinal, a varejista registrou um aumento de 56% nas vendas pela internet no primeiro semestre de 2017 em relação ao ano anterior, um ritmo muito superior ao avanço de 12% do comércio eletrônico como um todo no Brasil. 

A estratégia de crescimento é muito semelhante a de uma gigante americana o que, inclusive, vem suscitando cada vez mais a comparação entre elas. "O Magazine Luiza será a Amazon do Brasil", disse à Bloomberg Luiz Alves Paes de Barros, magnata brasileiro dono da Alaska Investimentos, que fez da varejista uma de suas maiores participações antes que a alta decolasse. 

Para destacar o forte ânimo das ações, cabe lembrar que, no último dia de julho, a companhia divulgou à noite seus números do segundo trimestre, com o maior lucro da sua história de 60 anos, totalizando R$ 72 milhões, uma alta de quase 600% em relação ao valor registrado no mesmo período do ano passado. Após a divulgação do balanço, o Bradesco BBI elevou o preço-alvo para o ativo MGLU3 de R$ 395 para R$ 420, quando os papéis estavam na casa dos R$ 385,00. Em um pouco mais de duas semanas, os papéis não só ultrapassaram os R$ 400 como estão bem mais perto dos R$ 500 do que dos R$ 400, com uma valorização de 31% apenas neste mês e de 355% no ano.

Assim, com o desdobramento, a avaliação é de que as ações da companhia podem alçar novos voos na Bolsa - mas, claro, se continuar animando o mercado com a sua estratégia inovadora. 

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Perfil do autor

É editor de Mercados do InfoMoney e analista CNPI-P (analista técnico e fundamentalista, certificado pela Apimec). Trabalha há 6 anos no InfoMoney. Graduou-se em Administração de Empresas pelo Mackenzie, já acompanhou mais de 200 horas de cursos sobre mercados de ações. Possui MBA em Mercado de Capitais pela Fipecafi e MBA de Mercados Financeiros para Jornalistas pela UBS/BM&FBovespa. thiago.salomao@infomoney.com.br