Mercado não esconde decepção e small cap cai 7% após balanço - mas "dor" pode ser apenas de crescimento

Analistas mostram decepção com números apresentados pela M.Dias Branco, mas ressaltam que estratégia utilizada pode levar a benefícios no longo prazo: a questão é como equilibrar crescimento e lucratividade
Blog por Lara Rizério  

SÃO PAULO - Com ganhos de 75% no ano passado, alta de cerca de 30% no acumulado de 2017 e de um primeiro trimestre bastante positivo, as ações da M.Dias Branco (MDIA3) registram forte queda na sessão desta terça-feira. Os papéis chegaram a cair 7% na mínima do dia na esteira do balanço do segundo trimestre, revelado na noite da última segunda-feira (7). 

Alguns analistas não esconderam a decepção com os números da empresa, como foi o caso do BTG Pactual, que questionou se houve uma super-avaliação sobre a fabricante de biscoitos, bolachas e massas. Os analistas Thiago Duarte e Vito Ferreira destacaram um lucro por ação 19% abaixo do esperado por conta de margens menores e altas despesas com vendas. Após o resultado, os analistas revisaram o preço-alvo para doze meses de R$ 54,00 para R$ 51, mantendo recomendação neutra. 

A companhia obteve lucro líquido de R$ 199,4 milhões no segundo trimestre deste ano, aumento de 8,3% ante os R$ 184,1 milhões registrados em igual período do ano passado, informou a companhia na segunda-feira, 4. O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) avançou 7% na mesma comparação, para R$ 247,7 milhões. Já a receita líquida cresceu 3,7% no segundo trimestre, para R$ 1,375 bilhão. Esse resultado refletiu um aumento de 2,5% dos volumes e de 1% do preço médio de venda.  

Os analistas do BTG apontam que estão "particularmente decepcionados com a margem bruta (que veio 280 pontos-base do estimado pelo banco), dado o cenário que contou com uma dinâmica favorável do custo do trigo combinado com a verticalização nos anos
recentes. 

Receba os "Insights do Dia" direto no seu e-mail! Clique aqui e inscreva-se.

Dores do crescimento?
Além disso, a atenção se voltou para a forte alta nas despesas de vendas, de 20,7%. O BTG ressalta que, muitas vezes, essa é uma linha difícil de ler e aponta que, à medida que a empresa vem se concentrando em fortalecer a sua marca, voltada para o consumidor, tomou várias iniciativas para desenvolver o seu portfólio e desenvolver a sua relação com os pontos de venda e melhorar seu mix. 

"Nós gostamos dos pilares de longo prazo que essa estratégia poderia ajudar a construir, em última análise, ajudando a empresa a reduzir a exposição em commodities". Porém, há as dores típicas com a mudança, uma vez que os aspectos positivos só são percebidos no longo prazo, enquanto as margens no curto prazo sofrem", apontam os analistas.  Agora, eles esperam que esses investimentos permaneçam altos por mais alguns trimestres e mantêm recomendação neutra uma vez que ainda esperam para ver como ela atuará para balancear crescimento e lucratividade. 

Mais positivo, o Bradesco BBI reitera recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para a ação e, fazendo apenas um ajuste fino nas estimativas após o balanço, possuem preço-alvo de R$ 60,00 para os ativos MDIA3. "Estamos confiantes de que esse aperto de margem irá gerar benefícios a longo prazo, enquanto a rede de distribuição otimizada e maior percepção de marca de valor agregado". Para justificar a recomendação outperform, os analistas do banco destacaram que ação está sendo negociada a um múltiplo de 17 vezes o preço sobre o lucro esperado para 2018, considerado baixo para uma empresa de marca com ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) de 18%, enquanto também é um consolidador em seu setor. 

Os principais destaques do balanço apontados pelo Bradesco BBI, além das maiores despesas com distribuição e marketing, foram: o crescimento contínuo do volume e ganhos de participação de mercado em biscoitos e a queda de 1% na base anual nos preços das massas dado o mercado mais competitivo. A XP Investimentos, por sua vez, destacou que a companhia reportou números saudáveis em geral, com aumento de margem em relação ao ano passado, e ganho de participação de mercado na categoria de biscoitos. "Em linhas gerais, o ambiente de demanda parece ter se tornado mais saudável, embora tenha se mostrado promocional em algumas categorias", ressaltaram os analistas. 

Já de acordo com o BB Investimentos o balanço, mesmo não sendo tão bom quanto o esperado, ainda está em uma faixa positiva. "Mantivemos nosso preço-alvo para a empresa com preço-alvo de R$ 57 e reiteramos a recomendação outperform. Embora estivéssemos mais otimistas em nossas estimativas, consideramos positivos os números e, em relação ao desempenho operacional, acreditamos que a M.Dias Branco pode continuar em uma tendência ascendente", afirma a analista Luciana Carvalho.

Conforme ressalta a analista, os reajustes de preços implementados no segmento de massas devem melhorar os volumes e a participação de mercado, bem como a diversificação geográfica pode contribuir para o crescimento do volume. Luciana Carvalho ressalta que a maior parte do aumento dos volumes em biscoitos e bolachas foi notada no Sul, Sudeste e Centro Oeste do país, indicando que a empresa tem conseguido implementar a sua estratégia de crescimento. "Além disso, a reestruturação comercial também contribuiu para aumentar seu serviço direto, o que, consequentemente, aumenta a rentabilidade. Assim, esperamos que a empresa mantenha as margens à frente, compensando algumas pressões que podem vir de custos e despesas", conclui a analista do BB Investimentos. 

Desta forma, os analistas destacaram a sua insatisfação com os números da companhia divulgados neste segundo trimestre, mas sem motivos para pânico, ainda mais pelos motivos apresentados pela companhia para as menores margens. Assim, a grande dúvida do mercado fica sobre se a M.Dias Branco conseguiria balancear a sua virada - ou se sofrerá por mais alguns trimestres para depois mostrar todo o seu potencial. 

 Gostou desta análise? Clique aqui e receba-as direto em seu e-mail!

Deixe seu comentário

Perfil do autor

É editor de Mercados do InfoMoney e analista CNPI-P (analista técnico e fundamentalista, certificado pela Apimec). Trabalha há 6 anos no InfoMoney. Graduou-se em Administração de Empresas pelo Mackenzie, já acompanhou mais de 200 horas de cursos sobre mercados de ações. Possui MBA em Mercado de Capitais pela Fipecafi e MBA de Mercados Financeiros para Jornalistas pela UBS/BM&FBovespa. thiago.salomao@infomoney.com.br