Braskem de mudança para os EUA? Para o mercado (e para a Petrobras), esta é uma ótima notícia

Ações da Braskem se animam em meio a notícias de que a petroquímica pode se mudar para os EUA
Blog por Lara Rizério  

SÃO PAULO - Não é nada oficial, mas as notícias de jornal desta sexta-feira (4) revelando os planos dos controladores Odebrecht e Petrobras (PETR3;PETR4) para a mudança da sede da Braskem (BRKM5) para os EUA e a listagem da companhia na Bolsa de Nova York já animam os papéis da companhia. No começo desta tarde, as ações eram negociados com alta de cerca de 3%, mostrando que o mercado está animado com mais essa grande operação. Os planos ainda preveem um capital pulverizado e a rescisão do atual acordo de acionistas. 

Conforme apontou o jornal Valor Econômico nesta sexta, essa não é a única alternativa na mesa para a questão societária da Braskem, mas a que vem ganhando cada vez mais força. A estrutura agrada especialmente a Petrobras, em um momento em que a relação com a Odebrecht está especialmente deteriorada devido à Operação Lava Jato e em que ela procura maximização de valor para a Braskem de modo a vender a sua participação na companhia. 

Vale destacar que, em julho, as sócias anunciaram que estavam conversando sobre a revisão do acordo de controle, uma vez que o contrato atual tem se mostrado um empecilho para a Petrobras de desfazer de sua fatia no negócio dado o poder limitado da estatal na empresa. A Odebrecht tem 50,1% das ações ordinárias e controla a gestão da companhia, enquanto a Petrobras possui 47%. Considerando o capital total, Braskem e Petrobras têm, juntas, cerca de 75%, sendo o restante é negociado em Bolsa. Embora a estatal queira deixar o negócio, a Odebrecht vê o ativo como sua “joia da coroa” - ainda mais após a empreiteira ter encolhido seu e tamanho.

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Agora, as sócias têm uma meta comum, ainda que com finalidades diferentes: aumentar o valor da Braskem. E é essa a perspectiva que faz as mudanças nos EUA agradarem ambos. A mudança teria o potencial de fazer o mercado ver o negócio mais negócio propriamente. Atualmente, a companhia tem sido negociada em bolsa com múltiplo de Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) em torno de 5 vezes, abaixo do patamar de 7 vezes dos seus pares internacionais. Assim, se a empresa fosse equiparada a suas concorrentes, a valorização potencial seria de no mínimo 40%. Além disso, a mudança da sede permitiria a reforma da governança e afastaria o comando de onde ocorreram os problemas de corrupção: a Petrobras e a política brasileira, aponta o Valor.

Além disso, segundo apontou o jornal O Estado de S. Paulo, a ideia de mudar a operação para os Estados Unidos faria sentido dentro da estrutura atual da companhia, que já arrecada mais de 50% de sua receita total fora do País, visão esta que também foi reiterada pelo UBS em nota enviada a clientes. Vale ressaltar que, no fim de junho, a petroquímica anunciou um investimento de US$ 2,2 bilhões para a construção de sua sexta fábrica nos Estados Unidos. O objetivo é que a unidade, a ser erguida em La Porte, no Texas, entre em operação em 2020.

Dentro das discussões do novo acordo de acionistas, o Estadão ainda aponta que outro tema é a unificação das ações da Braskem – dando peso igual a todos os acionistas. Neste sentido, o movimento agrada o mercado e que está sendo empreendido atualmente pela Vale. Mas ainda se trata de uma proposta em debate, e não de um martelo batido.

 De acordo com o BTG Pactual, estas medidas, somadas ainda a um novo contrato, mais longo, de fornecimento de nafta da Petrobras para a Braskem, apontam para um caminho importante para a maximização do valor. 

Por outro lado, aponta o BTG, por enquanto, ainda há alguns fatores "impeditivos" para uma convergência completa caso haja a mudança para os EUA.

Em primeiro lugar, a parte mais relevante do Ebitda ainda é proveniente da América Latina - mas é algo que deve diminuir ao longo do tempo, conforme sinalizou o presidente da Braskem, Fernando Musa, em entrevista concedida em abril ao Estadão. “No curto e médio prazos, a proporção do Brasil (na receita) tende a diminuir. Para aumentarmos capacidade de produção, precisamos de demanda local. Lá fora tem demanda e também matéria-prima competitiva, com contratos longos, de até 20 anos”, afirmou. “A Braskem, nos próximos cinco ou dez anos, vai investir fora do Brasil. Por aqui, os investimentos serão incrementais, mas sem um salto relevante.”

Outra questão são possíveis preocupações quanto a uma possível investigação de seu contrato de longo prazo com a Pemex nas operações do México. Em abril, alguns rumores de que a Braskem teria praticado ato ilícito em suas operações fizeram a ação da companhia cair. 

Mesmo com todas essas questões no radar, o BTG reitera visão positiva ao apontar que, se o processo for concluído e a Braskem se tornar uma empresa dos EUA, a visão para a empresa deve ser positiva. Após tantas turbulências em meio à Lava Jato e ter fechado um acordo de leniência no valor de R$ 3,1 bilhões com o MPF (Ministério Público Federal) em junho, a Braskem pode estar prestes a virar uma página - distanciando-se do Brasil. 

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Perfil do autor

É editor de Mercados do InfoMoney e analista CNPI-P (analista técnico e fundamentalista, certificado pela Apimec). Trabalha há 6 anos no InfoMoney. Graduou-se em Administração de Empresas pelo Mackenzie, já acompanhou mais de 200 horas de cursos sobre mercados de ações. Possui MBA em Mercado de Capitais pela Fipecafi e MBA de Mercados Financeiros para Jornalistas pela UBS/BM&FBovespa. thiago.salomao@infomoney.com.br