Alta de mais de 70% no ano e balanço positivo: mas por que os analistas não "compram" Hering?

Analistas de mercado destacam resultado positivo da companhia, mas esperam para ver se os bons números vão continuar
Blog por Lara Rizério  

SÃO PAULO - Após períodos de grandes dificuldades, a Cia. Hering (HGTX3) registra um 2017 bastante positivo na B3, com ganhos acumulados de cerca de 74% no ano. Nesta quinta-feira, os papéis chegaram a avançar 6% e seguem a sessão com forte alta, após os números do segundo trimestre de 2017 serem bem elogiados pelos analistas. O JPMorgan, por sinal, elevou a recomendação para as ações da companhia de underweight para neutro, com preço-alvo sendo elevado de R$ 16 para R$ 22.

A companhia encerrou o período com lucro líquido de R$ 88,02 milhões, uma alta de 42,8% em relação ao lucro de R$ 61,66 milhões um ano antes. A receita líquida, por sua vez, aumentou 7,5%, para R$ 406,36 milhões, com a  margem líquida chegando a 21,7% entre abril e junho. O Ebitda da companhia avançou 19,5% no segundo trimestre, totalizando R$ 73,37 milhões, com a margem Ebitda subindo 1,9 ponto percentual, chegando a 18,1%. Em seu release de resultados, a empresa atribuiu o crescimento do lucro líquido no trimestre à expansão do resultado operacional e à maior receita financeira líquida no período, que totalizou R$ 36,29 milhões.

Os analistas de mercado destacaram os números positivos da empresa, mas mantêm um certo ceticismo com os ativos, de olho principalmente no próximo trimestre da empresa.

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Para Fabio Monteiro e Luiz Guanais, do BTG Pactual, um dos principais destaques positivos ficou com a alta da margem bruta da empresa em 600 pontos-base, como resultado da venda de coleções antigas e melhor gerenciamento de estoques. As vendas se recuperaram em quase todos os canais, exceto nas franquias, que se manteve em queda ( de 1.4%) depois de 14 trimestres. Assim, apesar de alguma pressão sobre despesas gerais e administrativas, o Ebitda da companhia registrou crescimento. 

Para o Credit Suisse, o resultado da companhia também apontou para recuperação, com destaque mais uma vez para as vendas multi-marcas continuaram sólidas.  Por outro lado, há pontos de preocupação. De acordo com os analistas Tobias Stingelin e Leandro Bastos, mesmo com o crescimento do Ebitda, a empresa fechou 19 lojas nos ultimos doze meses, o que pode ser preocupante. 

Desta forma, apontam os analistas do banco suíço, os resultados demonstram a resiliência do negócio em um cenário de performance ruim de vendas nos ultimos três anos. Contudo, uma performance consistente no preco da ação depende de evidências que a melhora nos fundamentos realmente irá se materializar, o que justifica a recomendação neutra para os papéis, com preço-alvo de R$ 23,00.

O mesmo cenário é apontado pelo BTG Pactual, que aponta para os riscos de execução que a companhia enfrenta, além de esperar por uma recuperação mais sustentável. "Vemos como positivo os números da companhia, refletindo os esforços em gerir melhor seus estoques (com um efeito relevante nas margens) assim como uma perspectiva mais benigna para as vendas. No entanto, apesar de uma avaliação aparentemente atraente, ainda estamos esperando para ver uma recuperação sustentável no canal de franquias", apontam os analistas do BTG, que mantêm recomendação neutra para os ativos, com preço-alvo de R$ 17,00.

As sinalizações de que a recuperação pode ser lenta foram dadas pela própria companhia, conforme destaca o Bank of America Merrill Lynch, que destacou que os pedidos mais fracos feitos pelas franquias aumentam as incertezas quando ao ritmo de recuperação. 

Assim, embora os analistas percebam que a empresa se beneficia da demanda mais estabilizada e um cenário mais positivo em meio à queda da Selic, esse ponto é preocupante. O BofA também espera um melhor cenário e um valuation mais atrativo para mudar a sua recomendação para a ação da empresa, que também é neutra.

Desta forma, mesmo com os resultados animadores, os analistas seguem céticos com a Hering, preferindo esperar para ver se a gestão da companhia e a economia trarão notícias positivas para a ação. 

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Perfil do autor

É editor de Mercados do InfoMoney e analista CNPI-P (analista técnico e fundamentalista, certificado pela Apimec). Trabalha há 6 anos no InfoMoney. Graduou-se em Administração de Empresas pelo Mackenzie, já acompanhou mais de 200 horas de cursos sobre mercados de ações. Possui MBA em Mercado de Capitais pela Fipecafi e MBA de Mercados Financeiros para Jornalistas pela UBS/BM&FBovespa. thiago.salomao@infomoney.com.br