Prepare-se: balanço do 2º trimestre da Vale não será animador - por três razões principais

Queda do minério de ferro, entregas estáveis e resultados mais fracos em metais básicos devem guiar trimestre fraco da mineradora
Blog por Lara Rizério  

SÃO PAULO - Os últimos dias têm sido movimentados para a Vale (VALE3;VALE5). Se ontem foi anunciado o novo código de mineração (que foi visto por analistas de mercado como de neutro para levemente negativo para os números da mineradora, mas com vantagem de promover um quadro regulatório mais estável para o setor), a manhã da próxima quinta-feira (27) marcará a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2017.

E, de acordo com a compilação de estimativas de analistas de mercado feita pelo InfoMoney, o resultado da companhia não deve trazer boas notícias. 

Conforme aponta o Bradesco BBI, os principais direcionadores para o trimestre serão os preços em queda do minério de ferro,  as entregas de minério estáveis em base anual e os resultados mais fracos em metais básicos.  

O BTG também espera resultados fracos no segundo trimestre. "Há uma série de efeitos negativos como: 1) embarques de minério menores que o esperado; 2) preço realizado menor de minério principalmente em função dos ajustes negativos do preço provisionado e 3) desempenho muito deprimido na divisão não-ferrosa, em grande parte como resultado do desligamento de um alto forno em Sudbury impactando volumes e base de custos", destacam os analistas. 

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Esses efeitos devem contribuir para pressionar o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) para baixo em 40% na comparação trimestral, para U$ 2.6 bilhões a US$ 2,7 bilhões, apesar da alta na comparação com o mesmo período do ano anterior. Por outro lado, ponderam os analistas, vários componentes dos ganhos potencialmente decepcionantes a serem revelados na próxima semana são transitórios.

Para o BofA, o Ebitda no trimestre deve ser ainda menor, de US$ 2,4 bilhões, com o preço realizado do minério de ferro a US$ 52 a tonelada (queda de 31% na comparação trimestral). 

Além desse fator, o Itaú BBA também aponta um trimestre "sem brilho" na divisão de metais básicos ao levar em consideração a parada para manutenção na operação de níquel de Sudbury, no Canadá, e também como consequência da queda nos preços do níquel de do cobre. Por fim, os analistas do banco esperam que o lucro da companhia atinja US$ 450 milhões, uma queda de 59,3% na base de comparação anual e de 89% na comparação com o primeiro trimestre, tendo em vista o impacto negativo não-caixa da depreciação do real na posição de dívida da empresa.

Assim, de acordo com os analistas de mercado, quem espera pelo resultado da Vale, deve se preparar para resultados pouco animadores. Contudo, vale destacar que outros fatores estão no radar da companhia: entre eles, o futuro do minério de ferro e a reestruturação societária da mineradora (confira mais clicando aqui). 

Confira as estimativas de analistas para o balanço da Vale:

(em US$ milhões) 2T17E 2T16 2T17E/2T16
Lucro líquido 361 1.106 -67,4%
Receita líquida 6.913 6.162 +12,2%
Ebitda  2.608 2.351 +10,94%
Margem Ebitda 37,75% 38,2% -0,45 p.p.

 *Média da compilação de projeções de BTG, Itaú BBA, Bradesco BBI, BofA

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Perfil do autor

É editor de Mercados do InfoMoney e analista CNPI-P (analista técnico e fundamentalista, certificado pela Apimec). Trabalha há 6 anos no InfoMoney. Graduou-se em Administração de Empresas pelo Mackenzie, já acompanhou mais de 200 horas de cursos sobre mercados de ações. Possui MBA em Mercado de Capitais pela Fipecafi e MBA de Mercados Financeiros para Jornalistas pela UBS/BM&FBovespa. thiago.salomao@infomoney.com.br