O que esperar dos resultados de bancos? Dois deles devem se destacar - mas não há unanimidade no setor

Analistas veem trimestre positivo para Bradesco e Santander - contudo, entre as top picks, casas de análise têm diferentes avaliações
Blog por Lara Rizério  

SÃO PAULO - A temporada de balanços ganha forças nesta semana, tendo como alguns dos destaques a divulgação dos números do setor bancário. O Bradesco (BBDC4) revela seus números na próxima quinta-feira, antes da abertura do mercado, enquanto o Santander Brasil (SANB11) reporta seus dados no dia seguinte, também durante a manhã. O Itaú Unibanco (ITUB4), por sua vez, solta o resultado no dia 31 após o fechamento do mercado, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) divulga os seus números só no próximo dia 10 de agosto.

Em meio à proximidade dos resultados, o mercado olha para as projeções de analistas sobre qual instituição deve reportar os melhores números para o período. Porém, há algumas visões diversas sobre o que esperar para as companhias. 

De acordo com os analistas do Credit Suisse, os bancos devem reportar resultados fortes, com melhora do NPL (Non Performing Loans, ou inadimplência) sendo um dos grandes destaques positivos; contudo, mais para frente, o aumento de margens deve ser um dos grandes desafios do setor. 

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O BB Investimentos, por sua vez, aponta que, "infelizmente, este trimestre não será tão diferente do anterior", ao apontar que a qualidade dos ativos deve ser pressionada por uma queda dos empréstimos, enquanto o índice de inadimplência deve seguir afetando os balanços negativamente. Além disso, avaliam Wesley Bernabé, Carlos Daltozo e Kamila Oliveira, a crise política trouxe mais incertezas, fazendo o cenário ficar mais nebuloso. Para o segundo trimestre, os analistas do BB Investimentos esperam ver o primeiro impacto do corte de 400 pontos-base na taxa Selic desde outubro de 2016 na receita dos bancos. "No entanto, em nossas estimativas, o lucro líquido permanece estável (queda de 1% na base trimestral), enquanto apenas o Santander Brasil deve reportar alguma evolução trimestral", afirmam os analistas.

Já o Credit Suisse ressalta a sua principal aposta para a temporada de balanços: o Bradesco, cujo resultado os analistas esperam vir mais forte do que o consenso, com i) impacto positivo do juro menor; ii) potencial dividendo de investimentos ajudando a NII (margem financeira); iii) melhora da da inadimplência e iv) controle de custos. Para o Itaú BBA, o Bradesco também deve ser o destaque no setor, com uma alta no lucro (de 0,8% na base trimestral e de 5,2% na base anual) e também apontando para inadimplência mais baixa. 

O Santander Brasil, aponta o Credit Suisse, também deve registrar um balanço relativamente forte, principalmente por conta do aumento de receitas. O Deutsche Bank e o Itaú BBA também esperam um resultado positivo, mas ligeiramente mais fraco do que no primeiro trimestre. O Deutsche destaca ligeira pressão das margens financeiras por conta das menores taxas do cartão de crédito; enquanto isso, a qualidade dos ativos deve seguir "sob controle", assim como as despesas.

Por outro lado, as expectativas não são tão boas para o Banco do Brasil. De acordo com o Itaú BBA, a lucratividade do BB está em uma tendência positiva. Contudo, a expectativa é de continuidade da deterioração da qualidade dos ativos, sendo um motivo de cautela para o setor. "Ao contrário de seus pares, o Banco do Brasil viu seu índice de inadimplência se expandir, o que impediria uma queda substancial nas provisões de devedores duvidosos do banco", afirmam os analistas. Já o Deutsche Bank, que também espera um resultado fraco para o banco estatal, aponta que pode haver um "risco de alta para as estimativas" caso as provisões caiam e a gestão continue a controlar as despesas.  Enquanto isso, a margem financeira deve permanecer resiliente e as taxas podem crescer a um ritmo saudável, apontam os analistas do banco alemão.

E o que esperar para o balanço do Itaú? Segundo o Deutsche, haverá tendências semelhantes às registradas nos primeiros três meses do ano, com crescimento mais fraco de empréstimos e compressão das margens financeiras, estas últimas particularmente impactadas pela redução das taxas de cartão de crédito neste trimestre. Por outro lado, as despesas devem estar sob controle, com economia de custos por conta dos esforços de digitalização, enquanto as provisões devem ficar relativamente estáveis no trimestre. Já o ROE (Retorno sobre o patrimônio) deve permanecer perto de 20%. O Credit Suisse também aponta para o momento pior para lucros do banco. 

Desta forma, os analistas já apontam quais serão os destaques entre os quatro grandes bancos neste trimestre: enquanto veem o Bradesco despontando positivamente e o Santander também registrando surpresas positivas, Banco do Brasil e o Itaú não devem "brilhar" nesta temporada de resultados. 

Recomendações
Se os destaques dos balanços são mais ou menos sabidos pelo mercado, há divergências sobre quais papéis são os melhores do setor, olhando para mais fatores além do resultado das próximas semanas. No mesmo relatório de prévia do segundo trimestre, o Credit Suisse revisou suas expectativas para o setor e manteve o Bradesco como top pick, seguido de Santander Brasil e Banco do Brasil, ambos com recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado). Já o Itaú é o "menos preferido": além do pior momento para os balanços, o valuation não é mais tão atrativo, com um potencial de valorização limitado em 16%. 

Se o Itaú é o "menos preferido" do Credit, por outro lado, ele é o preferido do BB Investimentos no setor bancário, que destaca os altos ROE e dividend yield. Já o Bradesco BBI aponta os ativos BBAS3 como o top pick do setor. Assim, enquanto dois bancos devem ser o destaque no segundo trimestre, não há unanimidade sobre a preferida do setor.  

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Perfil do autor

É editor de Mercados do InfoMoney e analista CNPI-P (analista técnico e fundamentalista, certificado pela Apimec). Trabalha há 6 anos no InfoMoney. Graduou-se em Administração de Empresas pelo Mackenzie, já acompanhou mais de 200 horas de cursos sobre mercados de ações. Possui MBA em Mercado de Capitais pela Fipecafi e MBA de Mercados Financeiros para Jornalistas pela UBS/BM&FBovespa. thiago.salomao@infomoney.com.br