No mercado da carne, quem será a grande ganhadora com a crise da JBS? Analistas divergem

Enquanto a companhia enfrenta uma grande crise, as suas concorrentes no setor podem se beneficiar 
Blog por Lara Rizério  

SÃO PAULO - Na última quinta-feira, o Insight do Dia falou um pouco sobre a complicada situação da JBS (JBSS3), as ameaças de boicotes e como as principais redes varejistas nacionais já estão alertando as concorrentes para aumentar a produção.

Ou seja, enquanto a companhia enfrenta uma grande crise, as suas concorrentes no setor podem se beneficiar. Porém, a questão passa a ser quem será o maior beneficiado e o quão grande será o benefício.

Na análise de ontem, mostramos que, em meio à crise, os analistas do Bank of America Merrill Lynch mostram preferência pela BRF (BRFS3), apesar do cenário desafiador que a companhia também vive.  "Nós acreditamos que a BRF apresenta a melhor relação risco-retorno dentro do setor de alimentos da América Latina dada a incerteza política e macroeconômica brasileira", aponta o banco americano. 

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Além do ambiente competitivo mais favorável com o impacto na marca da JBS, a desvalorização do real, a queda dos custos de alimentação do gado e o valuation abaixo da média histórica são fatores que pesam a favor da BRF.  O BofA também fez um lembrete importante. Em julho desse ano, todas as restrições aplicadas pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) acabarão. Como resultado, a BRF poderá relançar a Perdigão em todas as categorias e, mais importante, lançar novas marcas. 

Se para o BofA, a BRF é mais favorecida com esse cenário, o JPMorgan tem outra aposta: a Minerva (BEEF3). Em relatório em que rebaixou a JBS de neutra para underweight e cortou o preço-alvo dos papéis de R$ 15,00 para R$ 5,00, o banco americano reiterou recomendação overweight para a Minerva, apontando que ela será a maior beneficiária da potencial crise da JBS. 

Os analistas do JPMorgan Pedro Leduc e Ian Luketic apontam que a gestão da JBS deve, pelo seu histórico, tentar evitar a venda de ativos o quanto for possível, o que implica uma diminuição dos negócios de forma a lidar com os débitos e multas. Sob esse cenário, os preços atuais das ações implicam uma provável armadilha de avaliação. "Os mercados irão, em nossa visão, revisar o Ebitda para baixo e a dívida da companhia terá revisões para cima": eles cortaram em 30% a expectativa para o Ebitda de 2018 e aumentaram a provisão para a dívida em R$ 5 bilhões. 

Neste cenário, a Minerva é apontada como a maior ganhadora se as previsões para a JBS se confirmarem. Isso porque a J&F é responsável por 30% dos abates bovinos totais no Brasil e por 55% das exportações nacionais de carne bovina. O gado também é o negócio de maior capital intensivo, possui as menores margens e seria a melhor forma para a JBS reduzir o capital trabalhado. Além disso, como ressaltamos ontem, o impacto nas marcas da companhia pode levar as redes varejistas a diversificar e buscar outras marcas. Os importadores também podem ficar com medo do cumprimento das remessas e passarem a recorrer a outros nomes. 

Enquanto isso, a Minerva tem capital  disponível e capacidade de produção ociosa para aumentar o abate e fornecer mais carne bovina, aponta o JP. E, de acordo com eles, a cada 5% de perda de receita no Mercosul da JBS, a absorção de mercado pela Minerva levaria a um aumento das vendas líquidas em 15%, por exemplo.

Já para a BRF, os analistas do JPMorgan também apontam que a companhia se beneficiaria, mas em menor grau, em nossa opinião.
"Os consumidores brasileiros geralmente não associam JBS à marca Seara, e a JBS é também muito menos relevante no abastecimento de aves / suínos em relação à carne bovina. A cada 5% de receita perdida na Serara, a absorção do mercado pela BRF levaria a um aumento de suas vendas líquidas em 6%, por exemplo", dizem os analistas.  

Ou seja, de longe, não é suficiente para alterar o ponto de vista do JP sobre a BRF. "Em termos relativos, a BRF é preferível ao JBS. Porém, nossa preferência é pela Minerva". 

Assim, uma coisa é certa - Minerva e BRF devem se beneficiar com a crise da JBS. Mas quem sairá ganhando? É nesse ponto que as divergências acontecem. 

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Perfil do autor

É editor de Mercados do InfoMoney e analista CNPI-P (analista técnico e fundamentalista, certificado pela Apimec). Trabalha há 6 anos no InfoMoney. Graduou-se em Administração de Empresas pelo Mackenzie, já acompanhou mais de 200 horas de cursos sobre mercados de ações. Possui MBA em Mercado de Capitais pela Fipecafi e MBA de Mercados Financeiros para Jornalistas pela UBS/BM&FBovespa. thiago.salomao@infomoney.com.br