De alta de 2% a queda de 5%: as decepções e as surpresas positivas entre os balanços desta quarta

Telefônica Brasil foi a surpresa positiva, enquanto Gerdau e Minerva foram as maiores decepções
Blog por Lara Rizério  

SÃO PAULO - Além do mercado ter ficado de olho nos indicadores externos, com destaque para a ata do Fomc (Federal Open Market Committee), o grande guia para o Ibovespa na sessão desta quarta-feira (22) foi a divulgação de diversos balanços, muitos deles piores do que o esperado pelo mercado e que impactaram os papéis de diversas empresas na Bolsa. Foram eles: Braskem, Gerdau, Telefônica Brasil, OdontoPrev, Minerva, Iguatemi e WEG. Confira o desempenho das ações e como o mercado leu o resultado das companhias:

Braskem (BRKM5)
A Braskem chegou a cair 4,18% após divulgar balanço não auditado, mas diminuiu fortemente as perdas. A  companhia teve prejuízo líquido consolidado de R$ 2,637 bilhões no quarto trimestre do ano passado, em função da provisão da multa referente ao acordo de leniência com as autoridades no âmbito da operação Lava Jato. Em igual período do ano anterior, a empresa havia tido resultado líquido positivo de R$ 35 milhões.

Os números divulgados pela petroquímica são prévia não auditada do balanço. Em fato relevante, a Braskem informa que decidiu postergar para 29 de março de 2017 o arquivamento das demonstrações financeiras auditadas. O cronograma foi alterado em função do acordo global com as autoridades anunciado em 21 de dezembro para encerrar acusações envolvendo denúncias levantadas pela operação Lava Jato. Na época, a Braskem se comprometeu a pagar US$ 957 milhões (R$ 3,1 bilhões), submetendo-se ainda a monitoramento externo por até três anos. 

De acordo com o Itaú BBA, os resultados foram mais fracos em relação ao esperado, como resultado de uma menor demanda do propileno nos EUA e alta nos custos dos produtos vendidos. Contudo, os analistas seguem com recomendação outperform para os ativos, com preço-alvo de R$ 41,00. Os analistas apontam o valuation atrativo e a assinatura do acordo de leniência, que vinha sendo a principal fonte de preocupação dos investidores. 

Em teleconferência,  o CEO da Braskem, Fernando Musa, afirmou que a divulgação de resultado auditado foi adiada porque processo de auditoria foi atrasado por restrições de confidencialidade impostas por acordo com autoridades. Ele ainda afirmou que a petroquímica decidiu divulgar resultados não auditados para aumentar fluxo de informação e transparência junto a agentes de mercado e que os resultados operacionais estão muito próximos daqueles que serão divulgados em balanço auditado. 

Sobre as projeções, a Braskem espera aumento da demanda interna por resinas e produtos petroquímicos em meio à retomada da economia e o mercado de resinas deve crescer em torno de 2%, recuperação ainda tímida perto da queda acumulada nos últimos dois anos, afirmou. 

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Gerdau (GGBR4)
As ações do grupo siderúrgico Gerdau caíram até 4,8% após o balanço do quarto trimestre. A companhia teve prejuízo líquido consolidado ajustado de R$ 205 milhões no quarto trimestre, ante resultado negativo de R$ 41 milhões no mesmo período de 2015. A maior produtora de aços longos das Américas apurou Ebitda ajustado de R$ 716 milhões, recuo de 21,4%  em relação aos últimos três meses de 2015.

De acordo com o Bradesco BBI, a siderúrgica apresentou número abaixo do esperado, com o Ebitda ficando 7,5% abaixo das estimativas da instituição. O motivo-chave para os números piores foram os preços de exportação abaixo do esperado e os preços realizados nos EUA também abaixo. 

Os analistas do BTG Pactual destacaram que os dados operacionais foram fracos, mas apontaram que a geração de fluxo de caixa livre é uma estratégia bem vinda ao alcançar R$ 1,2 bilhão, mas as questões seguem sobre a sustentabilidade da geração de caixa. O BTG mantém recomendação de compra para os ativos, com preço-alvo de R$ 16,00 para 12 meses. 

Telefônica Brasil (VIVT4)
 A operadora de telecomunicações Telefônica Brasil chegou a subir 2,5% após o balanço, considerado positivo pelo mercado. A dona da marca Vivo, teve lucro líquido de R$ 1,21 bilhão no quarto trimestre, alta de 9% ante mesma etapa de 2015. 

Segundo o Credit Suisse, a Vivo reportou resultado melhor do que o esperado, tendo como grande destaque positivo a margem Ebitda de 33,8%, se beneficiando da redução do custo de serviço como resultado da conclusão da renegociação com a Globo. "Essa renegociação era chave para o plano de sinergia da companhia, fazendo com que as sinergias de opex somassem R$ 251 milhões no quarto trimestre, mais forte do que esperávamos", afirmam os analistas.

Já o Santander apontou que os resultados foram “sólidos” em termos gerais; “apesar da maior concorrência no pós-pago, a rentabilidade da companhia segue inalterada: o “segmento fixo continua a diminuir em comparação com o período homólogo; entretanto, observamos melhora contínua no ARPU/rentabilidade”.


OdontoPrev (ODPV3)
A OdontoPrev registrou volatilidade após a companhia divulgar o balanço, considerado fraco, mas que mostrou evolução nos números. As ações passaram de alta de 1,17% a queda de 1,93% após a companhia reportar lucro líquido de R$ 216 milhões em 2106, o que representa uma queda de 2,2% sobre o ano anterior. O Credit Suisse afirmou que a Odontoprev entregou um trimestre fraco, mas no qual a empresa conseguiu reportar alguns dados positivos depois de três trimestres de base declinante. No lado negativo, o time destaca que o segmento corporativo ainda continua em uma tendência de queda com uma redução na receita de 1,4% na comparação anual.

Já o Itaú BBA destacou que os resultados foram “suaves, sem intercorrência”, “em linha com nossas estimativas”. O Santander, por sua vez, aponta que os resultados foram “suaves e ligeiramente acima das estimativas do banco e em linha com o consenso”; “no entanto, permanecemos cautelosos com a ação, particularmente devido ao crescimento moderado de clientes que prevemos para 2017 e à baixa visibilidade sobre a evolução das provisões de inadimplência e DLR”.

SulAmérica (SULA11)
A seguradora SulAmérica vê suas ações em queda de até 3,27% após a companhia registrar lucro líquido de R$ 315,7 milhões no quarto trimestre de 2016, o que representa uma alta de 5,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano, porém, o lucro recuou 5,3%, para R$ 698,4 milhões. 

De acordo com o BTG Pactual, os resultados vieram um pouco fracos o que, somado com o recente rali, pressiona as ações. Contudo, a companhia segue com uma forte posição no setor e a recomendação segue de compra para os ativos. 

Minerva (BEEF3)
A Minerva vê suas ações em queda de até 5,71% após o resultado e depois a companhia ser rebaixada de outperform (desempenho acima da média) para neutra pelo Bradesco BBI na esteira do balanço, além do valuation esticado e a apreciação do real acima da esperada. 

A companhia teve lucro líquido de R$ 12,3 milhões no quarto trimestre, 81,5% inferior em relação ao mesmo período de 2015. O Ebitda caiu 25,8%  na mesma base de comparação, para R$ 249,9 milhões. O BTG Pactual apontou que os números foram abaixo do esperado, principalmente por conta das margens baixas. Contudo, os analistas apontam que a perspectiva para o setor continua positiva e a recomendação segue de compra para os ativos, com preço-alvo de R$ 16,00.  O conselho de administração da companhia aprovou ainda a proposta de distribuir R$ 60,162 milhões em dividendos aos acionistas. O valor corresponde a R$ 0,257818 por ação, o que corresponde a um "yield" (razão do dividendo pago sobre o preço atual da ação) de 2,23%. 

Iguatemi (IGTA3)
A Iguatemi vê suas ações em queda de até 1,15% depois de abrirem com alta após a companhia divulgar o balanço do quarto trimestre. A companhia viu seu lucro líquido subir 18% no quarto trimestre, para R$ 49,7 milhões, enquanto a receita líquida avançou 6,9%, fechando os três último meses do ano em R$ 183,7 milhões. No acumulado do ano passado, porém, o lucro líquido atingiu R$ 164 milhões, queda de 15,2% ante 2015. A receita líquida, por sua vez, ficou em R$ 668,1 milhões, alta de 5%. O Credit Suisse aponta que a Iguatemi conseguiu entregar um trimestre forte e reiterar o guidance mesmo dentro de um ambiente bastante difícil para o varejo. O resultado veio em linha com as estimativas do banco, com destaque para o crescimento de Ebitda de 13% em função do forte crescimento de receita líquida e esforços de corte de custo. "Continuamos a gostar do case de Iguatemi e enxergamos a empresa como um bom play para queda de juros", apontam os analistas.


Weg (WEGE3)
A fabricante de motores elétricos e tintas industriais vê suas ações em queda de até 2,6%, mesmo após o resultado forte da companhia. A empresa teve lucro líquido de R$ 323,2 milhões no quarto trimestre de 2016, uma queda de 15,8% sobre o resultado obtido no mesmo período do ano anterior. O Ebitda subiu 4,9%, para R$ 400,6 milhões. A margem no período ficou em 16,9% ante 14% no último trimestre de 2015.

Segundo o Itaú BBA, a companhia apresentou fortes resultados, com uma expressiva margem Ebitda e um sólido fluxo de caixa.  Além disso, o conselho de administração da WEG aprovou ainda a distribuição de R$ 102,7 milhões em dividendos complementares, equivalente a R$ 0,064 por ação. O pagamento será feito em 15 de março, com base na posição acionária em 24 de fevereiro. Também em 15 de março, serão pagos os juros sobre o capital próprio declarados em setembro e dezembro do ano passado.

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(Com informações da Reuters e Bloomberg)

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Perfil do autor

É editor de Mercados do InfoMoney e analista CNPI-P (analista técnico e fundamentalista, certificado pela Apimec). Trabalha há 6 anos no InfoMoney. Graduou-se em Administração de Empresas pelo Mackenzie, já acompanhou mais de 200 horas de cursos sobre mercados de ações. Possui MBA em Mercado de Capitais pela Fipecafi e MBA de Mercados Financeiros para Jornalistas pela UBS/BM&FBovespa. thiago.salomao@infomoney.com.br