As 14 ações que se protegem do provável cenário de disparada do dólar e da inflação

Em meio à mudança repentina do Banco Central, que optou por manter a Selic em 14,25% na última reunião do Copom, o BTG Pactual listou 8 ações que se protegem de uma inflação galopante e outras 6 que ganham com o dólar mais apreciado
Blog por Thiago SalomãoRicardo Bomfim  

SÃO PAULO - A mudança repentina do rumo da política monetária brasileira, evidenciada nesta semana com o Copom (Comitê de Política Monetária) mantendo a Selic em 14,25% - após dar claras sinalizações nos últimos meses de que iria subir os juros - trouxe um grande "choque" no mercado financeiro, com os contratos futuros de DI de vencimento curto despencando e o dólar atingindo seu maior fechamento da história do real (R$ 4,116).

Essa nova precificação ocorreu porque o mercado agora interpreta que o BC mudou o "centro das preocupações", que antes estava na inflação a dois dígitos, para a recessão brasileira, cujo PIB (Produto Interno Bruto), que deve mostrar queda de 3,71% em 2015, 2,99% em 2016 e alta de 1,00% em 2017, segundo as projeções do Boletim Focus - a lembrar: o FMI (Fundo Monetário Internacional) projeta variação nula para o nosso PIB no ano que vem.

Resumindo: dificilmente o Comitê elevará os juros nas próximas reuniões e a projeção de Selic a 15,25% ao final de 2016 (média das projeções dos economistas, apresentada no último boletim Focus) não deve se concretizar. Há quem trabalhe, inclusive, com projeções de corte na taxa de juros nos próximos encontros do Comitê. E indo mais direto ao ponto: aumentaram as chances de inflação e dólar subirem ainda mais no curto e médio prazos.

Assim, a equipe de análise do BTG Pactual acredita que o momento ainda clama por uma abordagem defensiva. "O completo desarranjo da política brasileira e o estado pálido da economia significam que entramos em 2016 da mesma maneira que saímos de 2015: com um portfolio bastante defensivo, ancorado em ações expostas de maneira positiva a um dólar mais forte", dizem os analistas Carlos Sequeira, Fábio Levy e Bernardo Teixeira.

Se você tem ações na Bolsa, pode estar se perguntando: o que fazer nesse cenário? O próprio BTG deu uma resposta - ou melhor, 14 respostas - para essa pergunta. Em relatório enviado a clientes nesta sexta-feira (22), o banco de investimentos fez uma lista com 14 ações que melhor combinam com esse cenário de "inflação + câmbio + baixa alavancagem". Ao todo, são 8 ações na "carteira inflação" e 6 papéis na "carteira dólar".

CARTEIRA INFLAÇÃO:

  • Transmissão Paulista (TRPL4), Taesa (TAEE11), AES Tietê (TIET11) e Alupar (ALUP11)
    Empresas de transmissão de energia elétrica sempre se mostraram boas opções para se proteger da inflação e ganhar bons dividendos, lembra o BTG. No caso da Transmissão Paulista, ainda há o adicional de ser um papel que oferece uma boa oportunidade de valorização por conta da esperada decisão 
    sobre o tamanho e a forma dos pagamentos da Rede Básica do Sistema Existente que serão feitos à empresa. Na sequência em termos de atratividade dentro do setor ficam Taesa, AES Tietê e Alupar.
     
  • Cielo (CIEL3)
    O BTG reconhece que uma Selic mais baixa tem um efeito relativamente negativo nos negócios de pré-pagamento na empresa. Mas este impacto deve ser ofuscado pelas despesas financeiras mais baixas relacionadas à joint venture com o Banco do Brasil. "Em relação à inflação, a Cielo tem um dos modelos de negócio mais defensivos para repelir aquele vento de proa, assim que a inflação tiver passado". Já com relação a câmbio, o BTG destaca que a companhia tem um hedge (proteção) quase completo, de modo que o efeito da depreciação do real acaba sendo neutro. 
  • Cetip (CTIP3)
    O banco destaca que quase todos os produtos da companhia são precificados em pontos-base ou em uma base anual ajustada pela inflação. Os analistas lembram também que a empresa está bem protegida contra uma disparada do dólar. E o melhor de tudo: a Cetip quase não tem dívida líquida.  
  • Linx (LINX3)
    Ela é potencialmente um bom “call de proteção à inflação” dentro do universos de companhias de tecnologia, já que seus contratos são reajustados com base em índices de preço. E tendo em vista a natureza do seu modelo de negócios - em que a empresa cobra baixas parcelas mensais -, seus clientes são mais propensos a aceitar esse aumento de preços. Além disso, embora a maior parte dos seus custos também seja ajustada à inflação, “seu business é escalável e discricionário de uma forma que lhe permite mitigar este efeito”, diz o banco em relatório. 
  • Ambev (ABEV3)
    A Ambev conseguiu performar muito bem em 2011, quando tivemos uma queda considerável na taxa de juros real. Ela possui uma posição competitiva única - em outras palavras: pode aplicar altos preços -, é uma máquina de gerar dinheiro e paga bons dividendos. Além disso, ela possui níveis de alavancagem extremamente confortáveis: atualmente ela possui R$ 10,4 bilhões em caixa e posições equivalentes, contra dívidas de curto prazo de R$ 1 bilhão, enquanto seu índice de alavancagem se mantém em baixíssimos 0,4 vez, exalta o BTG.

 

CARTEIRA DÓLAR:

  • São Martinho (SMTO3)
    Açúcar e etanol é outro tema que os analistas do BTG veem com otimismo. "A melhora nos preços e no volume de etanol devem continuar, ao mesmo tempo em que os preços do açúcar estão mostrando os seus primeiros sinais de recuperação. 
  • Embraer (EMBR3)
    Já no universo das indústrias e das concessões, a Embraer é considerada uma top pick pelo BTG. Isso porque a maior parte das receitas da empresa de aviação é denominada em dólar e deve haver uma sólida expansão do lucro por ação em 2016, que somada a uma tendência de melhora no fluxo de caixa, tornam as ações da empresa atrativas.
  • Suzano (SUZB5) e Fibria (FIBR3)
    As empresas de papel e celulose estão entre as mais beneficiadas com o enfraquecimento do real - isso ficou evidente no ano passado, quando Fibria, Klabin e Suzano ficaram entre as maiores altas do Ibovespa, com ganhos de mais de 50%. Contudo, o BTG ressalta a forte queda que esses papéis tiveram neste começo de 2016 - Suzano e Fibria já caíram 24% e 20%, respectivamente -, refletindo a expectativa de colapso nos preços da celulose na China, que foram corrigidos em aproximadamente US$ 80/tonelada durante os últimos meses, para o BTG, isso não é provável, o que tornou o valuation dessas empresas “extremamente atraentes”.
    “Acreditamos que este efeito é em grande parte explicado pela agressiva desestocagem e também por fatores psicológicos, que deve ser revertida em breve já que a demanda continua firme”, afirma o BTG, indicando que a indústria de celulose ainda opera abaixo de 90% da sua capacidade em 2016, o que torna difícil de acreditar em um colapso nos preços. “Por isso mantemos nossas projeções de US$ 750/tonelada para a HW (hardwood, ou madeira dura) em 2016”, conclui.
  • Minerva (BEEF3)
    Os produtores de carne bovina estão bem posicionados, segundo o BTG, em um cenário de enfraquecimento do real. "Além do benefício por conta da depreciação da moeda, as empresas de produção de carne irão se beneficiar de perspectivas cada vez melhores. A primeira dela é a expansão do mercado brasileiro para a carne bovina e a segunda é a racionalização da indústria, que atingiu níveis recordes. Dentro do setor, apesar de Minerva ser considerada a melhor opção, o BTG também destaca que JBS (JBSS3) e Marfrig (MRFG3) são bons cases.
  • Tupy (TUPY3)
    No caso da Tupy, que está presente também carteira de small caps do BTG, os analistas do banco destacam que quase toda a receita é lastreada em dólar e também os sólidos balanços divulgados nos últimos trimestres, apresentando um crescimento constante no Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização, na sigla em inglês). Aliado a isso, ela está sendo negociada na Bolsa a preços atrativos, conclui o BTG.
     

Na Carteira InfoMoney 2016, que disponibilizamos no começo de janeiro, há 4 ações citadas pelo BTG: Ambev, Cielo, Cetip e Fibria. Para as três primeiras, priorizamos a resiliência de seus resultados e a forte posição de caixa, o que poderia blindá-las de uma eventual alta de juros ou descontrole da inflação. Já a escolha da Fibria foi por acreditarmos que o dólar poderia, no mínimo, se manter acima de R$ 4,00 ao longo de 2016, o que garantiria bons resultados para a empresa mesmo se o preço da celulose sofresse um ajuste.

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Perfil do autor

É editor de Mercados do InfoMoney e analista CNPI-P (analista técnico e fundamentalista, certificado pela Apimec). Trabalha há 6 anos no InfoMoney. Graduou-se em Administração de Empresas pelo Mackenzie, já acompanhou mais de 200 horas de cursos sobre mercados de ações. Possui MBA em Mercado de Capitais pela Fipecafi e MBA de Mercados Financeiros para Jornalistas pela UBS/BM&FBovespa. thiago.salomao@infomoney.com.br