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Pico do ouro? Como aproveitar o "novo" cenário de um dos ativos mais seguros do mundo

Atingimos peak gold? Qual o caminho a seguir? Como aproveitar o momento?

Importante: os comentários e opiniões contidos neste texto são responsabilidade do autor e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney ou de seus controladores.

Barras de ouro
(Shutterstock)

A Witwatersrand Basin é uma formação geológica localizada na África do Sul. É nela que se situa a maior reserva de ouro do planeta e de onde já foi extraído cerca de 1,5 bilhão de onças do metal desde o seu descobrimento, o que equivale a cerca de 50% do total já minerado na história do mundo.

O descobrimento dessa jazida causou um gold rush na África do Sul e a fundação de uma das cidades mais importantes no continente africano: Johannesburg.

A primeira descoberta na região data de 1852, pelo minerador inglês JH Davis, mas o início do boom veio mesmo em 1884. A produção atingiu um pico em 1970, e vem caindo desde então. Em 2016 foi minerado 83% menos ouro do que em 1970.

Grandes descobertas, apesar de não comuns, eram mais frequentes do que são agora. Segundo Pierre Lassonde, bilionário investidor no setor de ouro, a indústria era capaz de encontrar pelo menos um depósito de ouro contendo mais de 50 milhões de onças, pelo menos dez depósitos contendo mais de 30 milhões de onças e vários depósitos contendo de 5 a 10 milhões de onças a cada década.

Mas nos últimos 15 anos, não foi encontrado nenhum depósito contendo 50 milhões de onças, nenhum depósito contendo 30 milhões de onças e apenas alguns poucos contendo 15 milhões de onças de ouro.

Em outras palavras, estamos chegando ao que os experts chamam de peak gold, ou seja, de agora em diante, a produção deve cair. Sabendo que a demanda é relativamente previsível, a tese de investimento em ouro se torna ainda mais interessante.

Obviamente esse movimento foi causado por anos de desinteresse no setor, com empresas exploradoras do metal conseguindo aprovar poucos projetos. A situação pode mudar, mas necessitará de preços mais altos, para incentivar os produtores.

Após quase uma década de expansionismo monetário nas principais economias do mundo, ter parte do patrimônio alocado em um ativo que funciona como reserva de valor é uma questão de prudência. O investimento em ouro é um hedge contra a insanidade do mundo, especialmente dos bancos centrais.

Comparado a alguns outros ativos, o ouro tem a desvantagem de não remunerar dividendos nem juros periódicos. Na era dos juros negativos, essa característica deve ser redimensionada. Existem no mundo quase US$10 trilhões em títulos de dívida com yield negativo. Ou seja, detentores de uma quantia correspondente a metade do PIB dos EUA investiram em ativos com a garantia de que receberão menos do que aplicaram. Tendo isso em mente, o ouro parece cada vez mais atrativo.

Além do mais, o metal funciona como proteção em caso de perda de confiança na moeda e exemplos disso são visíveis nas disparadas que ocorreram com o ouro em pesos argentinos e em liras turcas.

Sinais de que os ativos estão superavaliados mundo afora não faltam. Por isso, recomendo a todos que aloquem uma pequena parte do seu patrimônio em ouro como forma de preservação do poder de compra.

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perfil do autor

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Marcelo López

Marcelo López tem certificação CFA, é gestor de recursos na L2 Capital Partners, com MBA pelo Instituto de Empresa (Madrid, Espanha) e especialização em finanças pela principal escola de negócios da Finlândia (Helsinki School of Economics and Business Administration). Atuou como Gestor de Carteiras e de Fundos em grandes gestoras internacionais, tais como London & Capital e Gartmore Investment Management.

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