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No mercado financeiro, vale o ditado: a ganância é boa

Afinal, quem investe no mercado financeiro (especialmente no mercado de ações) entra com o objetivo de ganhar muito dinheiro e ficar rico, não é mesmo? 

Gordon Gekko
(Reprodução)

Um dos meus filmes preferidos sobre mercado financeiro é o “Wall Street, poder e cobiça”. A frase título da coluna de hoje é do personagem principal, Gordon Gekko (interpretado pelo ator Michael Douglas), que é um investidor/especulador que ganha muito dinheiro utilizando informações privilegiadas nos anos 80 (a frase em código “Blue Horseshoe loves Anacott Steel”).

Emoções humanas no mundo dos investimentos

A frase acima é muito boa, pois demonstra a principal emoção que move os seres humanos quando estão realizando um investimento. Afinal, quem investe no mercado financeiro (especialmente no mercado de ações) entra com o objetivo de ganhar muito dinheiro e ficar rico, não é mesmo? Do contrário, qual seria o sentido de investir na Bolsa de Valores?

O mundo moderno está cada vez mais polarizado, com dois lados bastante definidos. Ou seja, um mundo binário cheio de zero ou um e preto e branco, com poucos tons de cinza. Como diz o meu tio que mora lá na roça: “De carne de porco a sorvete”. No mundo dos investimentos, existem dois polos opostos em termos de emoções humanas: ganância e medo.

Os investimentos mais populares do Brasil são poupança e criptomoedas

No mundo dos investimentos, eu acredito que os opostos representados por medo e ganância são: poupança (seguro morreu de velho) e Bitcoin, respectivamente.

Mesmo com o baixo rendimento da poupança (cuja rentabilidade mal supera a inflação), existem cerca de 65 milhões de investidores (CPF’s) com recursos na poupança. O saldo total de recursos aplicados na poupança era de R$ 776,2 bilhões em outubro de 2018.

A captação líquida da poupança totalizou R$ 23 bilhões de janeiro a outubro de 2018, mesmo com taxa de juros (Selic) no baixo nível de 6,5% ao ano. Por isso, a poupança representa cerca de 70% do total de recursos aplicados pelos investidores no varejo tradicional.

Existem mais de um milhão de investidores em criptomoedas (principalmente Bitcoin) no Brasil. A maioria dos investidores tem idade entre 18 e 30 anos e está em busca de novas tecnologias e investimentos. O retorno do Bitcoin foi de 1300% em 2017 e atingiu o topo histórico de cerca de R$ 65 mil em dezembro do ano passado. Isso que eu chamo de ganância.

Um psicólogo venceu o prêmio Nobel de economia

Daniel Kahneman é um economista comportamental que combinou ciência cognitiva para analisar o comportamento irracional (emocional) em situações racionais de tomada de decisão envolvendo risco. O resultado é que os seres humanos são emocionais quando supostamente deveriam ser racionais.

Um exemplo disso é que o medo da perda é mais forte do que a vontade de ganhar. Num experimento, a maior parte das pessoas preferia não perder R$ 100 do que ter um desconto de R$ 100 num determinado produto. O ganho econômico esperado era o mesmo, mas as pessoas têm muito mais medo de perder e preferiram o medo à ganância.

50 tons de risco e retorno

A seguir, segue um dado alarmante: a população de presidiários no Brasil é de 726 mil pessoas, número praticamente igual à quantidade de investidores na Bolsa de Valores.

Se a ganância é boa e a maior oportunidade de ganho está na Bolsa de Valores, por que existem apenas 730 mil investidores com conta cadastrada em corretoras de ações?

A resposta é simples: o medo de perder dinheiro é maior do que a ganância de ganhar, como bem mostra o estudo de Daniel Kahneman que citei há pouco.

É preciso buscar um meio termo entre o medo e a ganância no mundo dos investimentos. Entre a poupança (menor risco) e o Bitcoin (risco máximo) existem muitas alternativas de investimento: fundos de investimento (DI e Crédito Privado), renda fixa (Tesouro Direto), fundos imobiliários, fundos multimercado e os próprios investimentos em ações.

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O brasileiro ainda não conhece bem a Bovespa

Eu acredito que o investidor brasileiro até já ouviu falar das empresas da Bolsa, mas não investe por falta de informação e conhecimento e pouca tradição para correr mais riscos – afinal, a taxa de juros sempre foi muito alta no Brasil.

Eu acredito que essa cultura está chegando ao fim e que o brasileiro irá aumentar a sua alocação de investimento em ações. Inclusive, eu escrevi um artigo sobre o fim da cultura do CDI para o site da Levante.

Com esse grande fluxo de recursos direcionados para o investimento em ações, pode haver uma grande janela de oportunidade para você obter alta rentabilidade na Bolsa. Muitas pessoas que já assinam o produto As Melhores Ações já estão lucrando com as 7 ações recomendadas por mim na série.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

 

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Glenda Ferreira

Nascida em Cassilândia (MS), é economista formada na Facamp-SP. Gosta de comer em bons restaurantes e viajar para conhecer outras culturas.

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O estrategista-chefe é formado em Economia na FEA-USP. Especialista em renda fixa, é maratonista e pai da golden retriever Ibove.

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Formada em Administração no Mackenzie com pós em Finanças Corporativas, tem 15 anos de mercado. É faixa preta em taekwondo e adora viajar.

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Gestor especialista em fundos, é formado em Economia na FEA-USP. Também corre maratonas e passa os finais de semana em Serra Negra (SP).

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Especialista de ações há 15 anos, é formado em Administração na FGV. Gosta de música e futebol, e pega ondas nas horas vagas.

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Felipe Berenguer

Responsável pela análise política, estuda administração pública na FGV. Acredita nas instituições e na democracia, e seu amor é o Santos FC.

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