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Ofertas públicas e bulas de remédio

Se lermos todas as bulas de todos os medicamentos e considerarmos todas as contra-indicações, talvez queiramos continuar com dor de cabeça.

Antibióticos
(Yoottana Tiyaworanan)

      Graças a Deus -  a algumas pessoas inteligentes também – hoje em dia, os pequenos investidores possuem acesso a uma gama realmente diversificada de produtos. Estão disponíveis ativos de renda fixa não só como os largamente conhecidos certificados de depósitos, mas também letras de crédito, debêntures, certificados de recebíveis, letras de câmbio e financeiras, fundos de investimento com os mais diferentes objetivos, riscos e benchmarks e de renomados gestores, que antes exigiam um valor mínimo de aplicação só acessível a grandes investidores e que agora possuem ticket mínimo quase que “zerado; isso tudo sem falar dos COEs, ou certificados de operação estruturada, que permitem exposição nos mercados locais e (grifo intencional) internacionais com ou sem proteção cambial.

 

      O mundo está literalmente a “gosto do freguês” com este podendo escolher entre produto, emissor, risco de mercado, ticket, vencimento, duration, etc.; enfim, são tantas alternativas que se faz imprescindível que o investidor se cerque de toda e qualquer informação disponível para uma melhor tomada de decisão, seja através de relatórios de análises, notícias de veículos de imprensa, lâminas, regulamentos e prospectos de emissão.

      Hoje, é sobre uma característica específica destes prospectos de ofertas públicas, primárias e/ou secundárias, que eu gostaria de fazer uma analogia. Além de super detalhados – o que é diferente de ser completo e acurado – estes prospectos têm por objetivo principal prover os potenciais interessados com informações padronizadas sobre os riscos inerentes ao ativo em questão. Analisando com calma inúmeros prospectos durante anos, tenho total confiança em dizer que boa parte deles tem um excesso de expressões e palavras pouco conhecidas pelo investidor médio, além de elencarem todo e qualquer risco mesmo que muitos destes “riscos” sejam menos prováveis que a chance de encontramos um cisne negro* dentre a população total de cisnes no mundo.

      Neste sentido, é muito clara a percepção de que se os investidores forem ler o prospecto inteiro e levarem em consideração todos os riscos que estão ali descritos dificilmente comprarão qualquer coisa, digo qualquer coisa mesmo os ativos mais corriqueiros. Não há como ganhar dinheiro sem correr riscos de perdê-lo, nem mesmo na poupança! Os riscos estão em toda atividade, em especial nos investimentos, novamente, por mais conhecidos e simples que sejam. Portanto, entendo que todo investidor deve sim se inteirar de toda a informação possível para a melhor decisão, bem como ser auxiliado por um profissional especializado competente mas, por outro lado, deve também aprender a ‘ler’ um prospecto de oferta pública, tomando sua decisão com todo o bom senso possível. Parafraseando uma amiga, podemos comparar os prospectos a bulas de remédio, pois se nós lermos por inteiro todas as bulas de todos os medicamentos que tomamos, acho que vamos preferir continuar com dor de cabeça...

      Então, tomemos um analgésico e vambora ganhar dinheiro.

 

*Em um próximo artigo, trataremos da relação entre cisnes negros e mercados financeiros.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

 

perfil do autor

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Rafael Pacheco

Rafael Pacheco atua no mercado de capitais desde 2009. Formado em Engenharia pela POLI-USP, possui a Certificação Internacional de Planejamento Financeiro - CFP (Certified Financial Planner). Atualmente é sócio e assessor de investimentos na Monte Bravo.

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