O que mudou nas recomendações de investimentos?

O que mudou nas principais recomendações dos especialistas de 2012 para 2014. E como isso possivelmente afetou o resultado dos investidores que seguiram ou não seus conselhos. Veja uma simulação interessante sobre o assunto.
Blog por Livia Mansur  

No início do ano, os repórteres procuram os especialistas em investimentos para dar “dicas” do que fazer com o dinheiro nos próximo 12 meses. Normalmente as perguntas são as mesmas. Mas recentemente uma repórter me surpreendeu com uma pergunta muito interessante: “Você saberia me dizer como teria sido a rentabilidade em 2014 de um investidor que tivesse estruturado uma carteira de investimento em 2012 segundo a recomendação dos especialistas na época e tivesse mantido a estratégia até hoje? E como teria sido a rentabilidade em 2014 de um investidor que tivesse estruturado uma carteira de investimento no início mesmo ano segundo a recomendação atualizadas dos especialistas?”

Achei muito interessante a pergunta. Já discutimos aqui anteriormente que excesso de trocas em uma carteira de investimentos pode ser prejudicial devido à impostos, perda de rentabilidades, etc... Mas sabemos também que modificações ao longo do tempo são importantes por causa de mudanças de cenários, legislações, etc.. Como de 2012 para 2014 muita coisa mudou, fiquei curiosa em testar o resultado.

Carteira 2012: Elaborei uma carteira fictícia com as principais recomendações de especialistas da época (início de 2012) para superar a taxa básica de juros que estava declinando na época: bolsa brasil, bons fundos multimercados (escolhi alguns dos mais conhecidos da época), fundos de inflação (vedetes na época), e fundos DI para caixa. Só lembrando que, na época, a maior preocupação era com a perspectiva de queda da taxa de juros que já vinha ocorrendo, e a maioria dos especialistas sugeria aumento de exposição à investimentos mais arriscados para conseguir rentabilizar a carteira.

Carteira 2014: Elaborei uma carteira fictícia com as principais recomendações de especialistas da época (início de 2014) para rentabilizar em uma ano conturbado de eleições: bolsa internacional (S&P), poucos e bons fundos multimercados (mantive os mesmos da recomendação anterior, mas é menor quantidade), ativos de renda fixa isentos de IR (LCI, LCA, etc) e bolsa Brasil com proteção (hedge).  Só lembrando que as alternativas de investimentos no exterior para os investidores Brasileiros ampliaram muito desde 2012 e que a garantia para LCIs/LCAs por CPF e por emissor passou de R$ 70 mil pra R$ 250 mil em abril de 2013. Só lembrando também que, em relação á cenário econômico, muitos especialistas começaram 2014 muito preocupados com a economia brasileira.

Repare que a “Carteira 2012” de fato foi boa para 2012, rendendo 12,0% contra um CDI de 8,4%. Mas se o investidor tivesse permanecido nela e não tivesse atento às mudanças de cenário econômico (preocupação com a economia brasileira) e legislação (ativos isentos, instrumentos internacionais), ele teria ficado muito pra trás. Sua carteira teria rendido apenas 6,4% em 2014 contra 14,7% da carteira recomendada no início de 2014.

É claro que estamos falando de carteiras fictícias, e não tenho como saber exatamente a carteira que a maioria das pessoas tinham. Mas tomei como referência clientes com acesso à produtos mais sofisticados e procurei recomendações da época para uma carteira diversificada. O resultado chamou a minha atenção. Tinha uma noção de que o investidor que não fez mudanças em sua carteira em 2014 “ficou pra trás”, mas ver a diferença em números reforça a tese.

Concluindo, acho que esse exemplo reforça a importância de procurar ajuda de bons profissionais (ou referenciais) não só na hora de estruturar sua carteira, mas também na manutenção e acompanhamento da mesma para não perder oportunidades.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

É especialista em alocação de recursos de clientes de alta renda e tem 10 anos de experiência no mercado financeiro. blogliviamansur@gmail.com