Se tempo é dinheiro, por que os mais ricos têm menos tempo?

O último post do ano post do ano não fala de investimentos e sim de tempo. A edição especial de fim de ano da revista inglesa “The Economist” trouxe uma matéria muito interessante sobre a falta de tempo das pessoas e me fez refletir bastante. Por isso, resolvi compartilhar.
Blog por Livia Mansur  

Segundo a matéria da The Economist, o número de profissionais americanos com ensino superior que trabalham mais de 50 horas por semana subiu para 28% em 2006. Um estudo recente mostrou que 60% dos usuários de smartphones ficam conectados ao trabalho pelo menos 13,5 horas por dia.

Nos EUA, entre 1985 e 2005, um homem sem segundo grau ganhou, em média, 8 horas semanais de descanso, enquanto um homem com ensino superior perdeu 6 horas semanais de descanso. As mulheres perderam ainda mais tempo livre do que os homens em relação a 1985. Atualmente, uma mulher com ensino superior trabalha em média 11 horas a mais por semana do que uma mulher sem segundo grau.

A matéria sugere algumas explicações para o fenômeno. Mas as que eu acredito que façam mais sentido pra nossa realidade são:

1-      O custo de vida ficou mais caro, e a expectativa de vida aumentou. Isso faz com que as pessoas que não querem depender dos serviços públicos (aposentadoria social, saúde e educação públicas) tenham que ganhar mais dinheiro tanto pro presente quanto pro futuro.

Comentário: O objetivo é legitimo. É uma preocupação geral.

2-      Em geral, as pessoas com mais estudos conseguem encontrar trabalhos mais prazerosos, e por isso, acabam dedicando mais tempo ao trabalho. Como parte de uma realização pessoal.

Comentário: Se esse for o objetivo das longas horas de trabalho, este sem dúvida lhe trará mais do recompensas financeiras apenas.

3-      A pessoa que passa mais horas na mesa de trabalho normalmente é mais reconhecida por sua produtividade e lealdade à empresa. Sendo assim, enxerga nesse hábito uma premissa para uma eventual promoção.

Comentário: Algumas empresas já estão mudando esse pensamento ultrapassado. Na verdade, o melhor funcionário não é aquele que passa mais tempo no escritório necessariamente, mas o que produz mais. Pode levar menos tempo pra fazê-lo que seu colega. E isso é visto como eficiência.

4-      Como, em geral, as pessoas bem sucedidas profissionalmente são muito ocupadas, as pessoas acreditam que ocupação é sinônimo de sucesso.

Comentário: Atenção com essa troca de valores. Afinal excesso de trabalho sem recompensa financeira ou realização pessoal não parece fazer sentido, certo?

Concluindo, vale lembrar que, apesar de ser relativamente fácil transformar tempo em dinheiro, não é tão simples transformar dinheiro em tempo quando se mais precisa. Deixo aqui a frase famosa de Albert Einstein propícia para o tema: "Not everything that can be counted counts, and not everything that counts can be counted."

Boas festas e até 2015!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

É especialista em alocação de recursos de clientes de alta renda e tem 10 anos de experiência no mercado financeiro. blogliviamansur@gmail.com