Quais são os vieses comportamentais dos gestores Brasileiros?

Muito se fala sobre os vieses dos investidores e o quanto isso pode afetar seus resultados financeiros. Mas e quando delegamos para um profissional a gestão dos nossos recursos? Ele mesmo não tem alguns vieses que podem influenciar o resultado?
Blog por Livia Mansur  

A FGV criou um Centro de Estudos de Finanças Comportamentais e em agosto desse ano fizeram o primeiro congresso Brasileiro sobre o assunto. Nele apresentaram alguns trabalhos muito interessantes. Um deles foi “Which are the Investment Fund Managers in Brazil behavioral investing biases and their characteristics?” escrito por Berenice Righi Damke, Willian Eid Junior e Ricardo Ratner Rochman. Nesse estudo eles avaliaram o quanto cada um dos vieses comportamentais mais tradicionais estava presentes no dia a dia desses gestores.

 

Segundo o estudo, os vieses MAIS presentes nos gestores são:

Optimism Bias (78%)

Excesso de otimismo é um viés emocional que faz a pessoas se considerar melhor do que a média. Esse tipo de pessoa acreditam que coisas ruins acontecem com os outros e não com elas. Investidores com esse viés tendem a ser extremamente otimistas em relação ao resultado financeiro que os mesmos podem ter.

Regret Aversion Bias (75%)

Aversão ao arrependimento é um viés emocional que impede que a pessoa tome alguma decisão por medo de se arrepender. Essas pessoas tendem a antecipar a “dor do arrependimento” de alguma decisão tomada. Na prática, investidores com esse viés tendem a segurar por longos períodos operações perdedoras por medo delas voltarem depois que eles venderem. Ou, tendem a não realizar operações que possam causar arrependimento.

Illusion of Control Bias (60%)

Ilusão de controle é um viés cognitivo que descreve a tendência do ser humano achar que pode controlar ou ao menos influenciar eventos futuros, quando, de fato, não tem. Alguns investidores que conseguem acertar várias previsões consecutivamente começam a achar que de fato são melhores adivinhadores, ou, fazem melhores previsões do que os outros. Quando na verdade a sequência de acertos é oriunda apenas de uma sequência estatística aleatória.

 

Segundo o estudo, os vieses MENOS presentes nos gestores são:

Overconfidence Bias (5%)

Excesso de confiança é um viés emocional presente em pessoas que tendem a subestimar sua habilidade de previsão futura e precisão/veracidade que a mesma detém. “Pessoas tendem a achar que são mais inteligentes do que são e têm melhores informações do que têm.” – Pompian, 2006. Investidores com esse viés tendem a perder dinheiro por apostar “alto demais” pelo excesso de confiança.

Status Quo Bias (8%)

Status Quo é um viés emocional que leva as pessoas a escolherem, diante de uma série de opções, aquela que ratifica ou estende a situação atual (“Status Quo”) em vez de optar por mudanças. Investidores com esse viés tendem a perder dinheiro por serem muito estáticas, e não aceitarem bem mudanças.

Framing Bias (11%)

Enquadramento é um viés cognitivo que faz com que as pessoas respondam de maneira diferente a um mesmo estímulo, dependendo do cenário (“enquadramento”) em que estão no momento. O investidor com esse viés pode optar ou não por um investimento dependendo da maneira com a qual ele é apresentado, e não por uma análise racional do mesmo. 

 

O estudo ainda levantou algumas características dos gestores Brasileiros: eles são 90% homens, com média de idade de 36 anos e seus investimentos pessoais são conservadores apesar de serem gestores e fundos de ações e multimercados na sua maioria.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

É especialista em alocação de recursos de clientes de alta renda e tem 10 anos de experiência no mercado financeiro. blogliviamansur@gmail.com