Quem tem mais dinheiro necessariamente entende mais de investimentos?

O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Leonardo Pereira, disse, na ultima quinta-feira dia 4, em conversa com jornalistas, que está trabalhando para que a atualização da instrução 409 seja editada ainda neste ano. Juntamente com a 409, Pereira citou que as normas em relação ao conceito do investidor qualificado e profissional, além da eliminação da exigência do tíquete mínimo para o investimento deverão ser editadas também em 2014. Mas o assunto tem gerado polêmica.
Blog por Livia Mansur  

A CVM classifica como “investidor qualificado” quem tem mais de R$ 300 mil e como “investidor super qualificado” quem tem mais de R$ 1 milhão pra investir. Esses valores, inclusive, estão em discussão na CVM e devem sofrer um ajuste ainda esse ano. Tudo isso tem levantando muitas discussões sobre o assunto. A polêmica existe porque clientes com mais recursos são automaticamente classificados como investidores com maior conhecimento, e isso os habilita automaticamente a terem acesso a produtos mais sofisticados. Mas será que o investidor com mais recursos tem mais necessariamente mais conhecimento financeiro? Não seria um pré-conceito assumir isso? O que impede que um investidor com menos recursos tenha tanto ou mais conhecimento?

Antes de tirarmos nossas próprias conclusões é importante entender alguns conceitos importantes. Segundo as pesquisas mais recentes em Financial Literacy, consumidores investem tempo e dinheiro em conhecimento financeiro, desde que seu ganho marginal em fazê-lo seja compensado por benefícios financeiros em consequência. Traduzindo: o dinheiro e o tempo (que também vale dinheiro) investido por um indivíduo em aumentar seus conhecimentos financeiros deve ser inferior ou igual ao ganho auferido com esses conhecimentos. Simples assim!

Isso quer dizer que um indivíduo com maior patrimônio tem mais a ganhar, financeiramente, aumentando seus conhecimentos sobre investimentos do que um investidor com menor patrimônio. Por isso, em geral, ele gasta mais tempo lendo, pesquisando e se informando sobre o assunto. Então até aqui a regra da CVM faz sentido então.

Mas os estudos vão além, e provam que o conhecimento financeiro também depende de outros fatores como: nível de escolaridade, estágio de ciclo de vida e benefícios sociais concedidos pelo país. O nível de escolaridade é obviamente diretamente proporcional ao nível de conhecimento financeiro. Em relação ao estágio de ciclo de vida, o investidor tende a aumentar seu conhecimento em investimentos até a aposentadoria. A partir daí, esse nível de conhecimento fica estagnado ou até diminui, em alguns casos, por falta de atualização. Já a quantidade de benefícios sociais concedido por um país é inversamente proporcional ao nível de conhecimento financeiro de sua população. Se as pessoas não precisam se preocupar com sua própria aposentadoria já que o governo já faz isso, elas tendem a se interessar menos por finanças.

Em minha opinião, nesse mercado financeiro dinâmico e complexo, a educação financeira deve ser um aprendizado constante para todos os tipos de investidores, independente de idade, patrimônio ou país, para que os mesmos usufruam dos melhores produtos e serviços para atingir seus objetivos. Como diria Bernanke: “Consumidores bem informados são seus próprios defensores contra produtos não adequados, desnecessariamente onerosos ou financeiramente abusivos.”

Estude sempre e bons investimentos!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

Deixe seu comentário

Perfil do blogueiro

É especialista em alocação de recursos de clientes de alta renda e tem 10 anos de experiência no mercado financeiro. blogliviamansur@gmail.com