Vale a pena investir em ativos no exterior?

Entenda porque vale a pena diversificar seus investimentos no exterior e quais são as melhores alternativas para fazê-lo.
Blog por Livia Mansur  

Já li muitos trabalhos internacionais que evidenciam a importância da diversificação internacional de investimentos. Mas nunca tinha lido nada que justificasse, o que já aconselho para meus clientes há muitos anos, uma diversificação internacional de investimentos para o público brasileiro, que investe em reais. Foi então que essa semana uma amiga (obrigada Carol!) me apresentou a Dissertação de mestrado de Guilherme Wertheimer para FGV em 2013 que exemplifica em números essa eficiência.

Por que é eficiente investir em ativos internacionais?

O trabalho de  Wertheimer mostra que, apesar da grande maioria dos investidores brasileiros utilizarem muito pouco ativos internacionais em suas carteiras, existem ganhos de eficiência para as carteiras de investidores brasileiros ao se incluir ativos internacionais. Esses ganhos de eficiência são evidenciados para todos os perfis de risco, desde os mais conservadores até os perfis mais agressivos. Os resultados mostram também que, quanto maior o perfil de risco da carteira, maior é a alocação internacional que maximiza a eficiência da carteira.

Comparando a fronteira eficiente de ativos globais com a de ativos exclusivamente Brasileiros, é possível perceber que para qualquer ponto da fronteira eficiente de ativos Brasileiros existe uma composição com ativos internacional que aumenta a expectativa de retorno para o mesmo nível de risco.

Por que então os Brasileiros investem tão pouco em lá fora?

O principal fator que impede a maioria dos investidores do mundo a investir fora de seu país é o “Home Bias” (viés de casa). É obvio que investidores preferem investir em ativos conhecidos, do seu país, que eles conheçam melhor, do que navegar no desconhecido. E o Brasileiro não foge a essa regra. Mas mesmo assim, o nível de internacionalização de investimentos entre os Brasileiros é bem mais baixa do que a média mundial. Logo, o “home bias” não explica tudo.

Outro fator muito relevante é a quantidade elevada de restrições regulatórias. Isso não é tão forte em países desenvolvidos como é no Brasil. Aqui, o investidor que decide investir no exterior é extremamente desestimulado por causa por restrições, taxações, obrigações tributárias, etc..

E o ultimo fator, não menos relevante, são as altas taxas de juros praticadas pelo país, o que torna alguns investimentos no exterior menos atrativos.

Como investir?

Há basicamente duas maneiras de se investir no exterior: enviando recursos pra fora ou comprando produtos no Brasil que invistam no exterior.

Ao mandar os recursos pro exterior, o investidor pode abrir uma conta pessoa física fora do Brasil. Mas com isso, passa a ser obrigado a recolher mensalmente o IR devido sobre os rendimentos (carnê-leão). A outra opção, com maior eficiência fiscal e utilizada por investidores de alto patrimônio, é a abertura de uma empresa no exterior (“offshore”) que permite o diferimento de pagamento de imposto de renda até a repatriação dos recursos.

Se o investidor optar por deixar os recursos no Brasil ele pode investir em fundos de investimento “multimercado” ou de “investimento no exterior” que podem investir no exterior até 20% ou até 100% do PL respectivamente. Mas vale lembrar que os fundos que investem 100% no exterior são limitados a investidores super qualificados, isto é, com aplicação mínima de R$ 1 milhão. Os fundos cambiais, apesar de diversificar o cambio, são passivos em outras estratégias, o que acaba não sendo tão eficiente do ponto de vista de diversificação. 

Conforme sugerido pelo Arthur Moraes, meu companheiro de Blogs no Infomoney, além das alternativas acima citadas, o investidor ainda pode escolher entre BDRs de ações americanas listadas na Bovespa ou ETF de S&P500 (IVVB11) também negociado aqui.

O quanto investir?

Agora que esclarecemos alguns pontos importantes, fica a dúvida: qual percentual dos meus investimentos devo aplicar em ativos estrangeiros? Ouço muito essa pergunta e a reposta não é muito útil: depende. Depende do seu patrimônio, do seu trabalho ou empresa, das suas perspectivas futuras, etc.. Mas sempre vale a pena lembrar que quem vive no Brasil tem despesas em real e converter 100% do patrimônio em dólar pode não ser a melhor opção.

Entenda mais do mercado internacional, escolha a melhor alternativa e bons investimentos!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

É especialista em alocação de recursos de clientes de alta renda e tem 10 anos de experiência no mercado financeiro. blogliviamansur@gmail.com