Como um goleiro pode aumentar suas chances de pegar um pênalti?

No ultimo sábado o goleiro Julio Cesar salvou a seleção graças a duas defesas de pênalti. Será que foi sorte ou habilidade? Entenda mais sobre estudo que avaliou centenas de pênaltis de campeonatos internacionais de ponta e que mostra a melhor estratégia.
Blog por Livia Mansur  

Em 2005 quatro professores de universidade Israelenses publicaram um trabalho muito interessante sobre pênaltis: Action bias among elite soccer goalkeepers: The case of penalty kicks. Eles estudaram centenas de pênaltis em campeonatos internacionais e avaliaram resultados e comportamentos de jogadores e goleiros da elite do futebol mundial.

Conforme demonstrado na tabela abaixo, os autores chegam à conclusão que a melhor escolha racional de um goleiro seria sempre ficar parado no centro do gol e aguardar o chute do jogador. Fazendo isso sempre, segundo o estudo, o goleiro teria um resultado bem melhor do que a média. Já que, mesmo acertando o canto o goleiro ainda tem uma probabilidade baixa de pegar a bola. E a posição central cobre com mais precisão uma área maior do gol. E foi exatamente o que o Julio Cesar fez nos 2 pênaltis que ele defendeu.

A pergunta que não quer calar é: se sabemos disso, porque em 94% das vezes o goleiro resolve escolher um canto? E a resposta vem mais uma vez de um viés comportamental do ser humano: o viés de ação (action bias). O goleiro prefere fazer alguma coisa (escolher um canto) do que não fazer nada (ficar no centro) porque se ele não pegar o pênalti, o que é altamente provável, ele “pelo menos fez alguma coisa”.

Mas o que isso tem a ver com economia e finanças? Os próprios autores do estudo sugerem que as autoridades financeiras mundiais também atuam de acordo com esse viés. Bancos centrais e governos são muitas vezes tentados a “fazer alguma coisa” para mudar algumas variáveis econômicas, mesmo que as consequências positivas não sobre passem as possíveis consequências negativas.

A Mariana Araújo, analista da gestora internacional MFS Investments, escreveu semana passada um artigo muito interessante fazendo exatamente esse paralelo: entre o goleiro que sempre escolhe um canto e gestores profissionais que estão sempre fazendo mudanças, quando na verdade a melhor opção seria ficar parado.

A ideia aqui não é pregar a ausência total de mudanças de estratégias. Mas alertar sobre esse viés comportamental de necessidade de ação sem avaliação racional prévia. Trata-se de uma mera justificativa para os outros e para nós mesmos de que “pelo menos estou fazendo alguma coisa”.

Pense, estude e então aja! Bons investimentos!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

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