Como nosso emocional afeta nossa escolha de ações?

Muito tem se falado sobre a influencia do nosso lado emocional na hora de investir. Os americanos, cientes disso, usam os "nomes fantasia" em suas ações na bolsa em vez de utilizarem seus nomes institucionais como no Brasil. Mas será que somos tão irracionais assim? Qual o limite da nossa afeições por empresas?
Blog por Livia Mansur  

O artigo “The Effect of Corporate Image as an Affect Heuristic on Investors' Decision Making” escrito por Hung-Jen Su, Chia-Jung Chang e Shih-Chieh Chuang  da Universidade de Chung Cheng emTaiwan, apresenta um estudo que investigou o impacto dos estímulos afetivos positivos e negativos em um investidor na avaliação da compra de ações.

Primeiro, os alunos foram divididos em dois grupos (Grupo 1 e Grupo 2) e foram dadas informações "positivas" ou "negativas" sobre uma dada empresa. O Grupo 1 foi presenteado com imagens positivas: descrições de uma empresa com alta qualidade, produtos de baixo custo com design inovador, com um bom serviço ao cliente e focada em responsabilidade social. O Grupo 2 foi apresentado com imagens negativas: uma empresa com baixa qualidade, os produtos superfaturados com desenhos antigos, mau serviço ao cliente, e uma filosofia orientada para o lucro.

Questionados então se eles comprariam ações da tal empresa, 85% dos estudantes do Grupo 1 disseram que sim, contra apenas 9% do Grupo 2. Isso demonstra que, quando os investidores têm uma visão positiva de uma empresa, eles são mais propensos a comprar ações da mesma. Mas até aqui, nenhuma grande novidade, certo?

A parte mais interessante vem em seguida. Os pesquisadores resolveram adicionar mais uma variável à pesquisa: informações financeiras das empresas. Para testarem justamente a influência dessas informações financeiras (racionais) nas escolhas de compra dos papeis. Neste caso a visão “Positiva" era de um bom desempenho sazonal, um EPS (Lucro por ação) com revisão para cima, ou uma redução de custos gerais. A visão "Negativa" era de mau desempenho sazonal, uma revisão para baixo de EPS, ou um aumento dos custos gerais.

Um novo grupo de estudantes foi dividido em quatro subgrupos, cada um recebendo diferentes combinações de imagem corporativa e informações financeiras. Abaixo estão os resultados:

Imagem corporativa "positiva" e informação financeira "positiva": 91% optaram por comprar ações

Imagem corporativa "positiva" e informação financeira "negativa": 13% optaram por comprar ações

Imagem corporativa "negativa" e informação financeira "positiva": 9% optaram por comprar ações

Imagem corporativa "negativa" e informação financeira "negativa": 3% optaram por comprar ações

O estudo confirma que a afeição dos investidores por uma dada empresa pode afetar substancialmente sua escolha de compra e que, de fato, é o fator com mais peso em nossas escolhas. No entanto, também concluiu que informações financeiras negativas tiveram uma influência significativa sobre o efeito da imagem corporativa positiva da empresa.

Mas o quão negativas essas informações financeiras precisam ser para eliminarem o fator emocional da escolha de um papel? Os pesquisadores concluíram que essas informações precisam estar 15% piores do que no mesmo período do ano anterior.

A boa noticia é que o efeito de um numero aumentado de pistas cognitivas sobre nossas intenções de compra poderia superar o efeito de pistas afetivas. Isto é, por mais que o nosso emocional tenha papel fundamental na escolha de investimentos, podemos controlá-lo com informações racionais relevantes. Ponto para o lado esquerdo do nosso cérebro!

Não deixe de lado as pistas cognitivas e bons investimentos!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

É especialista em alocação de recursos de clientes de alta renda e tem 10 anos de experiência no mercado financeiro. blogliviamansur@gmail.com