As famosas previsões da Goldman Sachs sobre a copa

Às vésperas da copa a Goldman Sachs publica regularmente um relatório sobre futebol e economia com estatísticas e previsões pra lá de interessantes. O relatório arrisca palpites e apresenta probabilidade muito bem fundamentadas sobre o desenrolar do campeonato, mas também fala de economia.
Blog por Livia Mansur  

Desde a copa de 98 em Paris, a Goldman Sachs divulga às vésperas da copa um relatório e mistura futebol e economia. O relatório surgiu de uma paixão de Jim O'Neil, economista chefe do banco e inventor do famoso termo "BRIC", por futebol. O relatório logo se tornou leitura obrigatória entre os agentes do mercado financeiro. Tudo parece uma grande brincadeira com metáforas futebolísticas. Mas as previsões, simulações históricas e curiosidades tornam a leitura irresistível. São 60 paginas que trazem previsões sobre os resultados da copa e estatísticas no mínimo curiosas sobre a economia dos países participantes. Pra quem não quiser ler o relatório todo, segue um pequeno resumo do que achei mais interessante.

Primeiramente, vamos falar de Copa. A previsão para o resultado de cada jogo é baseado em um regressão matemática obtida usando como base todos os jogos internacionais desde 1960 (quase 14 mil dados). Só então, através de um modelo estocástico, eles estimam os resultados dos 64 jogos da copa. O resultado final aparece no quadro abaixo:

Entendendo a margem de erro de previsões de placares nos jogos, eles geram distribuições de probabilidade para cada jogo utilizando simulação de Monte Carlo. Que é um modelo muito utilizado pelos bancos para simulações de rentabilidade. As probabilidades resultantes dessa simulação aparecem no quadro abaixo:

Agora falando de economia, a primeira discussão do relatório da Goldman Sachs é se o resultado da copa pode influenciar a bolsa Brasileira. Na visão deles sim. Mesmo que por um breve período de tempo apenas. Olhando para a historia, o mercado de ações do time vencedor tende a “outperformar” os mercados globais em 3,5% no primeiro mês apos o campeonato. Mas a alegria dura pouco, e o mercado tende a “underperformar” os mercados globais em 4% no ano seguinte.

E relação aos países participantes, fala-se de equipe e de economia. E o paralelo entre os dois é inevitável.

- No Brasil o pacote inflação alta + crescimento baixo preocupa. E nem precisa dizer que o futebol está bem melhor do que a política!

- Na Alemanha a economia está mais estável que a defesa do time. Nas eliminatórias o time fez mas também levou muitos gols. Já a economia do país deve crescer 2% nesse ano e no próximo, podendo ainda surpreender positivamente esse ano.

- Os Ingleses acreditam que o time irá mal na copa, o que pode ser uma boa noticia pra economia, já que historicamente a economia vai bem quando o futebol vai mal.

- No Japão a idade média do time, assim como o da população, está aumentando. É ruim pro futebol porque times mais velhos tendem a performar pior. E é ruim pra economia.

- Em Portugal, tanto a economia quanto o time parecem depositar suas esperanças em um único jogador. O time coloca suas fichas em Cristiano Ronaldo e a economia no setor de exportação de bebidas, principalmente vinho.

- Na França a performance do futebol anda mais volátil que a performance da economia. O desvio padrão, desde 1980, do crescimento anual da economia francesa está em 1,4, quando o do resto do mundo está em 3,3.

- Na Espanha apesar do futebol estar em ótima forma há algum tempo, a economia só começa a se recuperar agora. Mais do que olhar pra trás, eles acreditam que a estratégia da Espanha deve ser a de olhar pra frente e remodelar a sua economia. E é o que eles tem feito. Numa visão otimista é possível fazer uma paralelo com a equipe em 2008.

- O México, que está na chave do Brasil na copa, não tem futebol pra ganhar do Brasil, segundo o relatório. Mas do ponto de vista de política fiscal "dá um banho" no Brasil.

- Enquanto o time Argentino é um forte candidato ao título, a economia vai de mal a pior. Com crescimento atual estagnado, probabilidade de recessão e inflação de 35% ao ano, só mesmo o futebol pra trazer alguma alegria. Que seria ainda maior se eles ganhassem do Brasil na final.

Nossa torcida é pelo nosso time mas também, e principalmente, pela nossa economia!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

É especialista em alocação de recursos de clientes de alta renda e tem 10 anos de experiência no mercado financeiro. blogliviamansur@gmail.com