O que os principais gestores do Brasil pensam sobre o Dólar

Até o inicio desse ano parecia haver um consenso entre os maiores gestores Brasileiros de que o Dólar deveria se valorizar em relação ao Real. Mas a queda recente da moeda americana fez alguns gestores mudarem de ideia. Como eles estão posicionados atualmente?
Blog por Livia Mansur  

No post “Os mitos da diversificação” falamos sobre o problema de diversificarmos nossa carteira por classes de ativos e não por fatores de risco. Como vocês sempre pendem pra explorar melhor os temas abordados, vamos falar hoje de um exemplo pratico e recente de diversificação por classe de ativo versus diversificação por fatores de risco.

O IFMM é um Índice de Fundos criado pelo Pactual que consolida os 75% maiores e mais importantes fundos multimercados da indústria brasileira. Entre os “top 10” estão gestoras tradicionais e renomadas como: Verde (maior fundo do país gerido pelo famoso Luis Stuhlberger), SPX (do Rogério Xavier, ex-garantia e ex-BBM), BTG Pactual (do famoso André Esteves), Safra, Ibiuna (do Mario Torós ex-BC e ex-Santander), Ventor, Itaú, JGP (do André Jakurski, ex-pactual), GAP Prudencial e Península (do Antonio Quintella, ex-CS).

Se calcularmos a correlação entre o IFMM e o dólar nos últimos 12 meses ela chega a 0,71! Não é de se estranhar então que muitos investidores que fizeram o trabalho, aparentemente correto, de diversificar seus recursos entre diversos gestores de multimercados viram seus investimentos andarem juntos pra baixo com a recente queda do dólar contra o real. Por isso da importância de se diversificar em fundos e ativos com diferentes fatores de riscos.

Desde meados do ano passado, o discurso de compra de dólar contra o real já se fortalecia entre os principais gestores. Mas a partir de setembro de 2013 o discurso se tornou praticamente unânime. Não havia quem dissesse o contrário. Praticamente todos acreditavam que os fundamentos Brasileiros eram ruins demais. O gráfico abaixo mostra bem esse comportamento:

Quando o dólar começou a ceder no começo desse ano, alguns gestores optaram por reduzir ou zerar as posições, seja por mudança de cenário ou, seja, simplesmente, por preservação patrimonial, mesmo que o fundamento não tenha se alterado. Outros aproveitaram pra manter ou até aumentar a posição. De fato, se analisarmos a correlação dos fundos multimercados com o dólar nos últimos 6 meses, ela cai para 0,33.

Outro fator interessante é que começamos a ver alguns gestores que preferem optar por comprar dólar via derivativos, pois a baixa volatilidade recente do papel tem tornado mais atrativo a compra de calls. Sendo assim, o fundo continua com potencial de ganho em caso de alto, mas reduz bastante as perdas em caso de queda.

Aparentemente os gestores que zeraram suas posições em dólar contra real se deram melhor, mas o ano ainda não acabou. Agora é esperar pra ver quem tem razão.

Façam suas apostas e bons investimentos!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

É especialista em alocação de recursos de clientes de alta renda e tem 10 anos de experiência no mercado financeiro. blogliviamansur@gmail.com