Como investidores deixam bilhões na mesa

Estamos sempre em busca da melhor alternativa de investimento. Mas você sabia que o excesso de trocas pode prejudicar os resultados de seus investimentos? Entenda porquê.
Blog por Livia Mansur  

No livro "O Paradoxo da Escolha" (recomendo a leitura!), Barry Schartz explica que vivemos em um mundo em que o excesso de possibilidades de escolhas nos faz um desfavor, ao invés de aumentar a nossa liberdade. Segundo ele, o excesso de opções deixa a vida mais complicada e traz uma série de angústias como o aumento das expectativas e uma eterna sensação de insatisfação.

No mundo dos investimentos não é diferente. O excesso de opções faz-nos questionar constantemente se fizemos a melhor escolha e essa angústia nos leva a trocar de investimentos constantemente.

O título desse post foi extraído da matéria “How Investors Leave Billions on the Table” publicada em novembro de 2013 no The Wall Street Journal. Jason Zweig chocou o mercado a trazer a tona valores (altos!) sobre um assunto já bem conhecido do mercado: porque o excesso de trocas pode prejudicar e muito o desempenho de uma carteira de investimentos.

Já um estudo realizado com fundos brasileiros pelo Itaú e publicado pelo Valor Econômico em 2013 mostrou que 93% dos cotistas de fundos multimercados obtiveram um retorno médio de 0,63% enquanto o alfa gerado pelos fundos foi de 2,60% no mesmo período.

A explicação desses resultados é simples. O investidor em geral resgata um fundo que está com uma performance ruim no curto prazo e migra pra outro olhando sempre pro retrovisor. Eventualmente o novo fundo começa a ir mal e o antigo recupera. É o que o mercado chama de “perna trocada”.

Além disso, há outros custos que não foram considerados pelos estudos e que ainda corroboram ainda mais pra tese de que o excesso de trocas prejudica o resultado dos investimentos, como:

Menor eficiência fiscal: Primeiramente, toda vez que resgatamos um investimento muitas vezes adiantamos um imposto a pagar. Segundo, ao ficarmos menos tempo investidos em um produto com tabela regressiva de IR, pagamos mais impostos.

Maiores custos de oportunidade na transação: Quase todos os fundos do mercado têm prazo de cotização e liquidação diferentes. Por exemplo, se o fundo cotiza em D+10 e paga em D+11, a cada resgate os recursos ficarão necessariamente 1 dia sem render. E esse prazo pode ser maior dependendo do produto. Se esse evento se repete muitas vezes, o prejuízo anual pode ser relevante.

Maiores taxas de performance a pagar:  a taxa de performance de um fundo em geral segue o modelo de marca d’água. Um cliente que paga taxa de performance pro gestor, só volta a pagar novamente se o fundo passar novamente daquela marca. Quando o investidor migra de fundo essa marca é zerada. Se ele recuperar uma eventual perda em um novo fundo, pagará novamente a taxa de performance.

Pense bem antes de escolher e bons investimentos!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

É especialista em alocação de recursos de clientes de alta renda e tem 10 anos de experiência no mercado financeiro. blogliviamansur@gmail.com