Apresentação do Blog

O ser humano não mudou muito desde a Odisséia de Homero que data do século VIII a.c. Em pleno século XXI ainda lutamos contra nossos instintos em prol de um propósito maior e melhor. No post introdutório do nosso blog, falamos um pouco desse comportamento e trazemos uma nova forma de pensar nossos investimentos.
Blog por Livia Mansur  

Na Odisséia de Homero, conta-se que quando Ulisses estava voltando para casa após conquistar Tróia, passou pela Ilha de Capri, a ilha das sereias, e sabendo do encanto da canção, onde qualquer homem que ouvisse, não resistiria e se atiraria para a ilha, onde elas os devoravam, sabendo disse, ele colocou cera no ouvido dos tripulantes e falou para o amarrarem no mastro e por mais que ele gritasse, para não soltá-lo. Quando passou pela ilha, ouvindo a canção das serias, implorou para seus homens soltá-lo, ameaçou fez de tudo, mas não eles não o obedeceram, sendo o único homem a ouvir a canção das serias e sobreviver.

Nesses mais de 10 anos aconselhando pessoas a investir, vi muitas vezes esse comportamento. Assumimos um compromisso e nos amaramos a um mastro pra não cair na tentação de gastar. Procuramos produtos que os proteja de nós mesmos, que dificultam ou até mesmo impossibilitam resgates antes da hora. Também evitamos olhar, mexer, ou fazer qualquer alteração pra não ficar tentados. A verdade é que enxergamos os investimentos presentes como uma espécie de sacrifício em prol de uma felicidade futura.

Mas não precisa ser assim. Pensando nisso, a CEMEX, líder global na indústria de materiais de construção cujas ações são negociadas na Nasdaq (CX), lançou em 2010 uma campanha de sucesso no México para famílias de baixa renda conseguirem juntar dinheiro para construir suas casas. Qualquer pessoa podia se cadastrar no programa e fazer depósitos para a empresa mensalmente. Depois que o individuo tinha depositado um montante mínimo para compra de materiais, a empresa mandava entregar na casa do cliente um conjunto de materiais de construção. Quando as pessoas viam seu dinheiro guardado se transformando em materiais palpáveis, ficavam ainda mais estimuladas a poupar. Finalmente, muitas famílias conseguiram abriram mão de gastar o dinheiro com prazeres imediatos para concretizarem seu sonho da casa própria. Muitas que já haviam desistido da idéia, por ser difícil e distante, finalmente conseguiram chegar lá.

O que essa história nos ensina? Que o ser humano é de fato muito imediatista. O que dificulta a poupança futura é a falta de visibilidade presente da concretização do sonho. Se conseguirmos converter, mesmo que mentalmente, as etapas que nos levam à concretização de um sonho, tudo fica mais fácil. Pouparemos mais, nos interessaremos mais pelos nossos investimentos, estaremos atento à oportunidades e teremos prazer nisso. Prazer no presente, em cada etapa alcançada, até a conclusão de um sonho que pode ser: uma casa, uma aposentadoria tranquila, ou qualquer outro sonho que o dinheiro possa comprar.

Sejam bem vindos e bons investimentos!

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

É especialista em alocação de recursos de clientes de alta renda e tem 10 anos de experiência no mercado financeiro. blogliviamansur@gmail.com