Home Bias

Por que não se beneficiar de tanta receita e lucro que geramos diariamente para as empresas internacionais?
Blog por Cid Oliveira  

A expressão Home Bias diz respeito à alta propensão de um investidor tradicional concentrar seus investimentos em seu país de residência apesar dos comprovados benefícios de uma diversificação internacional. Independente do motivo, o efeito principal de uma concentração doméstica de nossos investimentos é que estamos “deixando dinheiro na mesa”.

Diversos artigos e estudos já foram publicados a respeito do tema, no Brasil e no exterior. Dentre eles, destaca-se o artigo de Livia Mansur publicado em seu espaço Investimentos Bem Pensados na Infomoney.

A conclusão é clara e inequívoca: a diversificação internacional é benigna às carteiras de investidores tanto sob a perspectiva de mitigação de risco quanto ao potencial aumento do retorno esperado. Ainda assim o investidor tradicional brasileiro continua apresentando um alto nível de Home Bias. Podemos elencar uma série de fatores como causas desse comportamento, entretanto, destacamos como o mais relevante a falta de conhecimento e familiaridade com o tema. Mesmo o alto nível de juros no Brasil, que muitas vezes é tido como inibidor de investimento internacional, não explica completamente esse efeito, dado que já existem estratégias e fundos de investimentos locais que oferecem o alto retorno da renda fixa brasileira (CDI) mais a rentabilidade de ativos no exterior (renda fixa e variável). 

Mesmo deixando de lado a questão técnica (análise de risco-retorno, etc.), e partindo para o “lado mais prático” da discussão chegamos à mesma conclusão.

Como exercício, vamos imaginar o dia típico de um profissional brasileiro e tentar identificar a magnitude de seus gastos que é direcionado para empresas internacionais.

“O despertador do seu telefone (Apple, Samsung ou Nokia) toca. Antes de levantar da cama checa rapidamente o twitter (Twitter) e o feedly (Google) para se atualizar das principais notícias. Levanta-se, escova os dentes (Colgate), veste rapidamente seu tênis (Nike) e sua roupa de esportes da (Adidas), toma seu iogurte Activia (Danone) e parte para sua corrida matinal. Volta para casa, toma o remédio Advil (Pfiser) para aliviar dor nas costas, vai ao banheiro, lava o rosto com sabonete Dove (Unilever), faz a barba com aparelho de barbear (Gillete), toma banho, se veste com camisa da Ralph Lauren. Checa o Whatsapp (Facebook) em seu telefone e confirma um café da manhã de negócios no Starbucks, onde paga a conta com seu cartão Visa. Depois do café pega seu Chevrolet, passa no posto de gasolina Shell, abastece o carro e vai para o escritório, liga seu computador (Dell), entra no sistema da empresa que trabalha (SAP) para atualizar as rotinas, checa seus e-mails no Outlook (Microsoft), utiliza PowerPoint, Word e Excell ao longo do dia, entra no Linkedin para atualizar seu perfil. Depois do trabalho combina de levar o sobrinho ao cinema (Cinemark) para assistir o filme Malévola (Disney), seguido de um sanduiche do (Burguer King).”

O parágrafo acima é ilustrativo e não tem por objetivo fazer propaganda de nenhuma empresa ou marca. Seu intuito, portanto, é chamar atenção de como produtos e serviços oferecidos por empresas internacionais permeiam a vida de cada um de nós. Sem perceber, enviamos diariamente um montante significativo de recursos para essas empresas. O valor presente do fluxo de pagamentos que enviamos para empresas internacionais ao longo de nossas vidas representa parte do “passivo” em nosso balanço pessoal. Em contrapartida, no lado do “ativo” concentramos nossos investimentos no mercado local, abrindo mão de ganhos em potencial que investimentos nessas empresas nos trariam.

Investimento internacional sempre foi visto pelo brasileiro como um “esporte” para poucos. No entanto, o mercado de fundos de investimentos no Brasil evoluiu substancialmente nas últimas décadas. Hoje em dia, existem diversas modalidades de fundos de investimentos no Brasil que aplicam em ações e dívida de empresas internacionais. Com a mesma facilidade e praticidade que se investe num fundo referenciado DI, ações livres ou crédito privado; o investidor brasileiro hoje pode investir em fundos com exposição a ações e crédito das empresas citadas acima bem como muitas outras.

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil do blogueiro

Gestor de investimentos com 15 anos de experiência, trabalhou em bancos e gestoras de recursos e dedicou sua carreira a investimentos internacionais. É engenheiro pela UFRJ com Mestrado em Finanças pela University of Manchester.
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