UM GOVERNO EM ESTADO DE CHOQUE

Passa outa semana e o governo Dilma aumenta o cipoal de problemas políticos e econômicos do país. Contudo, nessa semana uma novidade foi apresentada. A presidência busca uma aproximação com os governadores para melhorar a governabilidade do país e encontrar alguma forma de sustentação política. Infelizmente, mais uma vez, a solução encontrada pelo governo não passa por um debate sério a respeito dos problemas do país -- nenhuma reforma fundamental é discutida ou mesmo aventada! A pergunta que nos resta, será que Dilma pode se tornar uma líder a altura dos desafios do Brasil?
Blog por #épolítica  

Como já foi dito tantas vezes neste espaço, as expectativas políticas do governo são tenebrosas. A existência de uma tempestade perfeita decorre da convergência e complementariedade de diversas crises: a crise política, a crise econômica, as denúncias de corrupção abrangendo praticamente todos os milímetros do governo federal, o estelionato eleitoral e a abrupta e monumental queda de popularidade da presidente.

 

E O SHOW CONTINUA

E a ação das últimas semanas do governo continuou desastrada: redução da meta de superávit, o que aproxima o Brasil do dia em que terá perdido o grau de investimento das principais agências de rating; discursos sem pé nem cabeça feitos pela presidenta, o que a talvez a tenha tornado nas últimas semanas a maior comediante do país (a saber: a ode a mandioca, o caso da mulher sapiens e agora o esforço em dobrar a meta que não será estabelecida);

E, por fim, e mais grave; a completa desorganização da coalizão de governo com o anúncio por parte de Eduardo Cunha que não mais atuará como membro da coalizão de governo.

Contudo, apesar de todo este cenário negativo, resultado da falta de virtú e de fortuna que acomete a presidenta, o governo nesta semana buscou uma medida positiva. A reunião com os governadores em busca de uma posição conjunta em torno do ajuste fiscal e na expectativa de reforçar a governabilidade do país.

 

A REUNIÃO COM GOVERNADORES

Neste grupo, talvez a presidenta encontra alguns parceiros com desejos genuínos de cooperação, uma vez que por também serem governos enfrentam grandes desafios econômicos e fiscais com a desaceleração da economia brasileira.

E também podem ser submetidos ao escrutínio dos Tribunais de Contas Estaduais caso, pela primeira vez na história do Brasil, o Tribunal de Contas da União cumpra com seu papel institucional e julgue de maneira técnica as contas dos governos desde FHC até o primeiro mandato de Dilma.

 

O BLOG DO PLANALTO

Denuncia apontada pelo Blog do Josias de Souza e confirmada na visita ao site do Blog do Planalto mostram, contudo, que o pacto que o governo busca com a reunião dos governadores é outro.

Um pacto pela garantia que Dilma permaneça como presidenta até 2018. Um pacto pelo sufocamento dos movimentos de impeachment e não pelo ajuste fiscal ou pela governabilidade.

Infelizmente, mais uma vez temos um exemplo claro de desajuste político do governo. Ao invés de criar um evento positivo, o governo busca envolver outros atores no circo armado pelo governo federal.

Me pergunto, qual seria o interesse dos governadores Geraldo Alckmin, Marconi Perillo e Beto Richa em participar de um movimento como este?

 

MAIS DO MESMO

Agora que o governo está a beira de um colapso nervoso, qual parece ser a solução política encontrada?

Mais uma vez, mais do mesmo, o inchaço da máquina pública com a ampliação da distribuição de cargos e emendas, com um custo ainda maior pelo cenário abrasivo da política brasileira. Nem uma discussão sobre alguma reforma estrutural que torne o Estado brasileiro mais eficiente e o ajuste menos danoso às políticas públicas fundamentais como educação e saúde e os programas de investimento público. 

Isto indica que outra vez a responsabilidade do governo em solucionar a crise econômica é deixada de lado por conta das suas necessidades de sobrevivência política.

Tal solução tende somente a adiar o inevitável: a adoção de uma estratégia política que promova a reestruturação do Estado brasileiro, tornando seus custos operacionais menos onerosos ao contribuinte e, portanto, sem reduzir a capacidade do governo em executar os programas e políticas sociais, os programas econômicos e os projetos de investimentos, e não apenas buscando o adiamento de conflitos e das decisões políticas fundamentais.

A pergunta que nos resta fazer é: está a presidenta Dilma a altura do desafio para guiar o país neste processo?

 

Ivan Fernandes escreve toda sexta-feira no #épolítica

Curta nossa página >>> facebook.com/ehpolitica 

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

Deixe seu comentário

Perfil dos blogueiros

Ivan Fernandes, doutor em Ciência Política pela USP, professor da UFABC e da Fundação Mario Covas. Atuou como pesquisador visitante na Universidade de Illinois em Urbana Champaign em 2012 e foi professor nos cursos de graduação em Direito e Relações Internacionais na FMU.

Vítor Oliveira é graduado em Relações Internacionais e mestre em Ciência Política, ambos pela USP. É consultor da Pulso Público - Relações Governamentais e professor da Fundação Mario Covas.

Humberto Dantas é mestre e doutor em Ciência Política pela USP, professor do Insper e coordenador de cursos de pós-graduação na FESP-SP e na FIPE-USP, além de apresentador da Rádio Estadão.
eh.polit@gmail.com