Lula não precisa de FHC para que o PSDB contenha impeachment de Dilma

PSDB e PT detém o duopólio presidencial e as barreiras para novos entrantes nesse mercado são enormes. Num momento de fragilização do polo petista, é natural (e nada presunçoso) que os tucanos calculem conquistar a vitória em 2018. Assim, a quem interessa o impeachment? O PMDB é um forte candidato, visto que poderia utilizar a vitrine da presidência e da crise para tentar furar o duopólio.
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Lula teria procurado Fernando Henrique Cardoso para uma conversa sobre um eventual processo de impeachment de Dilma Rousseff. Mais efetivo, no entanto, seria apelar para o instinto de autopreservação dos tucanos na condição de principal força antipetista.

Por mais influência e prestígio que tenha o ex-renegado FHC, é no interesse próprio dos candidatos tucanos à presidência e do partido que está a mais poderosa vacina anti-impeachment de Dilma.

PSDB e PT tem comandado a política partidária em nível nacional desde 1994. Nem mesmo os acontecimentos trágicos, a sanha marinista e a comoção com a morte de Eduardo Campos foram capazes de alterar este quadro em 2014.

Gostem ou não, PSDB e PT detém o duopólio presidencial e as barreiras para novos entrantes nesse mercado são enormes.

Num momento de fragilização do polo petista, é natural (e nada presunçoso) que os tucanos calculem conquistar a vitória em 2018. Obviamente, o jogo só acaba quando o Juiz apita – no caso, o Tribunal Superior Eleitoral – mas o favoritismo tucano é inegável.

O Momento Oportuno
Assim, a quem interessa o impeachment? O PMDB é um forte candidato, visto que poderia utilizar a vitrine da presidência e da crise para tentar furar o duopólio.

A estratégia menos arriscada para o PSDB é a clássica, de qualquer oposição democrática: jogar várias cascas de banana na direção do governo, esperar que ele escorregue e reassumir o poder.

Mesmo sendo ruim na velha arte de bater na situação, parece que finalmente a hora e a vez do PSDB chegaram. Tirar Dilma da presidência antes da hora por meio do impeachment é simplesmente irracional para o partido, criando a possibilidade de que um rival surja e ponha a perder não apenas 2018, mas sua ascensão sobre o polo antipetista da política brasileira.

O Senão do Livro
O maior senão dessa história diz respeito à esperança aecista de que o TSE casse o mandato de Dilma, em caso de condenação por abuso de poder político ou econômico durante sua campanha de 2014.

Jackson Lago, ex-governador do maranhão, foi cassado em 2009. Na ocasião, quem assumiu foi a segunda colocada no pleito, Roseana Sarney. Com todo respeito ao Maranhão, as consequências políticas de uma decisão do TSE para a presidência da república são muito maiores.

A menos que o jogo mude, com provas alarmantes de envolvimento da campanha de Dilma Rousseff, parece pouco provável que o TSE casse o seu mandato. Embora esta análise seja tão objetiva quanto um quadro de Monet, as sinalizações dos ministros até aqui sugerem que essa hipótese é razoável.

A Herança
Mesmo nesse caso, não seria melhor para os tucanos esperar que as impopulares medidas de contração fiscal e monetária, adotadas por Dilma e Levy, façam seu trabalho? Não é melhor deixar o PT arcar sozinho com esses custos, deixando o PSDB livre para aproveitar no ciclo econômico seguinte?

Não obstante, se de fato o mandato fosse cassado pelo TSE e a Presidência caísse no colo de Aécio Neves, isto agradaria ao PSDB como um todo? Não é de hoje que os tucanos sofrem com as dificuldades de coordenação interna e mobilização durante as disputas nacionais com o PT.

Sem institucionalizar o processo de definição de candidaturas, definindo regras para a escolha da candidatura presidencial, o partido continua à mercê de conclaves e acordos pouco confiáveis que o fragilizam eleitoralmente.

Mas a situação petista é tão difícil que, dessa vez, nem mesmo as disputas internas ao PSDB parecem capazes de evitar seu retorno ao Palácio do Planalto.

 

Vítor Oliveira escreve toda segunda-feira no #épolítica
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Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil dos blogueiros

Ivan Fernandes, doutor em Ciência Política pela USP, professor da UFABC e da Fundação Mario Covas. Atuou como pesquisador visitante na Universidade de Illinois em Urbana Champaign em 2012 e foi professor nos cursos de graduação em Direito e Relações Internacionais na FMU.

Vítor Oliveira é graduado em Relações Internacionais e mestre em Ciência Política, ambos pela USP. É consultor da Pulso Público - Relações Governamentais e professor da Fundação Mario Covas.

Humberto Dantas é mestre e doutor em Ciência Política pela USP, professor do Insper e coordenador de cursos de pós-graduação na FESP-SP e na FIPE-USP, além de apresentador da Rádio Estadão.
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