Alucinações eleitorais tucanas e as disputas de 2018

Alckmin no PSB, Serra no PMDB e Aécio no PSDB. O vislumbre da derrota eleitoral petista agita o ninho tucano e pode levar a cabo algumas das especulações sobre a disputa presidencial que, até então, pareciam apenas alucinação.
Blog por #épolítica  

Preste bem atenção no título desse texto. E agora pense no seguinte cenário: o PSB paulista articularia a ida de Geraldo Alckmin para a legenda, desde que o vice Marcio França fosse o indicado para a vaga do atual governador em 2018.

Para disputar a presidência, o governador de São Paulo teria que sair do cargo e deixaria a vaga para o “candidato natural” à reeleição – movimento semelhante ao que fez Anastasia em Minas Gerais em 2010, e Pezão em 2014 no Rio de Janeiro.

A questão é: depois de uma primeira votação na Câmara dos Deputados: a reeleição cai ou não? Ao contrário de 1997, quando foi aprovada e valeu para quem estava no poder, esse novo modelo respeitaria o cenário institucional de 2014? Aguardemos. Mas vamos avaliar o que pode ocorrer em 2018.

Fim de ciclo
Em 2002 o presidente Fernando Henrique Cardoso experimentou avaliação negativa e perda de sustentação junto à opinião pública. Como existia uma oposição consistente feita pelo PT, era esperado que o PSDB tivesse dificuldades.

Serra foi o “candidato oficial”, e teve praticamente o dobro do tempo de TV de Lula (PT). Naquele ano a justiça eleitoral inventou a verticalização das coligações, e dos dez maiores partidos à ocasião, dois optaram por não participarem do pleito – PFL (hoje DEM) e PPB (hoje PP).

Como grande novidade tivemos quatro candidatos competitivos, três deles por partidos considerados de esquerda – Lula, Garotinho e Ciro Gomes, por mais difícil que seja aceitar a classificação ideológica de alguns desses personagens.

A partir dali, inclusive, com a vitória de Lula (PT), a esquerda se espraiou pelo país - ao menos as suas legendas se espalharam pelo que se convencionou de rincões do Brasil. E a direita ficou fadada a uma posição de conservadorismo e corrupção. Longe disso: ser de direita ou esquerda são questões mais razoáveis do que apregoam seus antipatizantes. Feito o recorte histórico, vamos para o futuro, e os riscos representados por exercícios desse tipo.

A história repetida?
Com a queda acentuada do PT nesse início do segundo governo Dilma, o que esperar de 2018? As pesquisas mostram um governo com índices vergonhosos de aprovação. Teremos candidatos ou partidos de direita reaparecendo com chances reais de vitória contra um PT hoje enfraquecido? Ou teremos uma terceira via?

O PT estuda relançar Lula, mas é comum ouvirmos de membros do partido que Dilma fraca não pode colocar Lula na fogueira. E a notícia mais recente é: o PT iria de Fernando Pimentel, eleito governador em Minas Gerais em 2014, estado que pode ser compreendido matematicamente como o responsável maior pela recondução de Dilma ao poder.

No PSDB, que alguns insistem em dizer que tomará a presidência em 2018 como algo natural – o que duvido que seja fácil, mas podemos apostar como algo com chances reais de ocorrer – os velhos conflitos voltam. Quem seria o candidato? Aécio, Serra ou Alckmin?

O primeiro se julga concorrente natural pela quase vitória em 2014, mas tem contra si as derrotas recentes em Minas Gerais. O segundo tem uma vontade respeitável de ocupar o posto e duas campanhas nas costas: perderia uma terceira? Teria nova chance? A questão é contornar certa rejeição que passou a rondar seu nome desde 2002. E o terceiro traz a experiência de São Paulo, mas em 2006 saiu do segundo turno com menos voto do que obteve no primeiro. O movimento que descrevemos no início desse texto é crível?

De dentro da própria legenda vem o sentimento de que, numa situação absolutamente extrema, os três podem estar juntos em 2018, ou melhor: separados em torno de um mesmo ideal que é conquistar o Planalto. Muitos tucanos apostam que Aécio Neves será o candidato.

A despeito do protagonismo recente de tucanos paulistas, o mineiro teria amarrado estruturalmente o partido em torno dessa ideia e removê-lo do posto seria tarefa burocrática quase impossível. Seu nome só não seria lançado se o problema viesse de fora. Um escândalo, por exemplo. Assim, surgem as maiores especulações, as teorias bizarras que podem beirar o absurdo, mas que fazem algum sentido.`

A primeira dá conta de Alckmin no PSB. E Serra? Alguns dão como certo que seria, ou será o candidato ao governo do estado de São Paulo pelo PSDB em 2018, mas a aproximação com o PMDB no Senado, em pautas que têm agradado Renan Calheiros pelo perfil técnico, poderia leva-lo de volta ao partido do qual saiu para fundar o PSDB na década de 80.

Alucinação? Claro que sim. Pode até ser, e das grandes. Mas Alckmin no PSB, com Marta Suplicy candidata à prefeitura em 2016 sob as bênçãos do mandatário paulista não é absurdo algum. Geraldo pode estar pronto para fazer pela ex-petista o que sofreu com Serra quando foi candidato derrotado do PSDB à prefeitura paulista em 2008. Serra apoiou “veladamente” Kassab desde o primeiro turno – o movimento rachou o PSDB local, que nunca mais foi o mesmo. Se o candidato tucano na capital for um serrista, não duvide que o gesto surja quase que naturalmente. Mas ínsito: viagem, alucinação.

Mesmo porque dois paulistas gigantes dificilmente poderiam concorrer à presidência como adversários. E o maior prejudicado? Seria Aécio? Que teve dois terços dos votos paulistas? Pode ser. Nesse caso: uma novidade seria a vencedora? Que novidade? Ou a desunião da desunida oposição, marcada pela ganância, seria responsável por instalar aparelhos no quase morto PT? É cedo, e até lá, tudo pode mudar. Até o PT pode ressuscitar.

Humberto Dantas
#épolítica
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Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil dos blogueiros

Ivan Fernandes, doutor em Ciência Política pela USP, professor da UFABC e da Fundação Mario Covas. Atuou como pesquisador visitante na Universidade de Illinois em Urbana Champaign em 2012 e foi professor nos cursos de graduação em Direito e Relações Internacionais na FMU.

Vítor Oliveira é graduado em Relações Internacionais e mestre em Ciência Política, ambos pela USP. É consultor da Pulso Público - Relações Governamentais e professor da Fundação Mario Covas.

Humberto Dantas é mestre e doutor em Ciência Política pela USP, professor do Insper e coordenador de cursos de pós-graduação na FESP-SP e na FIPE-USP, além de apresentador da Rádio Estadão.
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