Dilma melhora desempenho e empata com Aécio no eleitorado de baixa renda

Eleitor de 2 a 5 salários mínimos é o retrato da disputada acirrada, dividido igualmente entre Dilma e Aécio. Tucano perde vantagem obtida no início do segundo turno, mas ainda possui o melhor desempenho do PSDB no segmento desde 2002.
Blog por #épolítica  

Aécio Neves (PSDB) começou o segundo turno com um perfil muito favorável do seu eleitorado, segundo a renda, nas pesquisas de intenção de voto. Não obstante, o candidato oposicionista chega às vésperas da eleição em situação bem menos consistente.

O momento é de Dilma Rousseff (PT) não pela inversão do empate técnico – se é que faz sentido falar em inversão de empate –, mas pela retomada do predomínio no segmento identificado com o partido desde 2006: o eleitor de baixa renda.

Como dissemos anteriormente, existem indícios de que os eleitores na faixa entre 2 a 5 salários mínimos são mais sucetíveis à percepção difusa sobre a qualidade do governo, em relação aos de baixíssima renda - até 2 SM. 

Nesta reta final, a avaliação do governo melhorou, tornando-se majoritariamente positiva - algo que pode estar relacionado à melhora de Dilma Rousseff junto ao eleitorado em questão. Ainda assim, é a posição mais delicada de um petista neste segmento desde 2006.

Em geral, parte-se do pressuposto que a militância petista é maior e mais engajada que a de outros partidos – embora dados recentes, como o número de votos na legenda maior no PSDB forcem uma reavaliação desta ideia.

Não é algo específico ao Brasil, mas sim uma tendência da análise partidária nascida com os modernos partidos de massa da esquerda. O PT, desde seu nascimento é o que se tem de mais parecido com o tipo ideal no País.

Estratégia
Mas a mudança de estratégia foi fundamental: o PT concentrou seus esforços de campanha no estado de São Paulo neste segundo turno. A atuação da militância é visível, com manifestações em larga escala na capital – algo muito distinto do que ocorrera no primeiro turno.

O resultado decepcionante no primeiro turno em São Paulo, em relação ao histórico petista no estado, parece ter sido revertido. Possivelmente, o maior espaço à crise hídrica na imprensa também cobrou seu preço.

Curiosamente, a aposta petista na militância deu certo, ao mesmo tempo em que os trunfos tucanos renderam menos que o esperado. O apoio explícito de Marina Silva passou batido pelas pesquisas de intenção de voto.

Além da ampla liderança junto ao eleitorado de maior renda e escolaridade, possuía mais de 10 pontos percentuais de vantagem em um dos redutos petistas de eleições presidenciais – a faixa de eleitores cuja renda ficava entre 2 e 5 salários mínimos.

A importância deste segmento foi discutida no texto anterior, aqui mesmo no #épolítica. E é neste eleitor em que o equilíbrio da disputa pode ser visualizado com maior facilidade, conforme o gráfico abaixo demonstra.

 

Rejeição
Outro feito petista neste segundo turno foi o aumento da rejeição ao candidato Aécio Neves. Caso isto tenha sido um efeito da pesada propaganda negativa feita pelo PT, a intromissão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) pode ter sido providencial para o tucano.  

É possível, contudo, que isto seja apenas uma contingência da corrida acirrada. Aécio e Dilma têm, agora, praticamente a mesma rejeição, assim como estão praticamente empatados no que diz respeito à intenção de voto.

Rejeição não é o mesmo que intenção de voto, mas as coisas podem ter se aproximado pela polarização do segundo turno, assim como pela longa e pesada campanha.

Já ganhou?
Isto significa que Aécio já perdeu? Não; longe disso. Ele continua a ser o presidenciável tucano com mais chances e a disputa segue em aberto. 

Se é verdade que ambos os candidatos estão empatados na preferência agregada dos eleitores, a diferença fundamental da eleição poderá estar na capacidade de mobilização do eleitorado.

Não adianta simplesmente ter a intenção; é preciso transformá-la em voto, no dia da eleição. Uma das principais fontes de erro nas análises é assumir que a distribuição da abstenção é a mesma por todas as camadas do eleitorado.

Embora seja difícil falar sobre isso, em função da qualidade dos dados de que dispomos, há indícios de que os eleitores mais novos (até 24 anos) e mais velhos (após 60 anos) votam menos, algo apenas parcialmente explicável pela obrigatoriedade formal do voto.

Assim, é preciso convencer o eleitor de que valerá a pena comparecer, a despeito da chance de ir à praia, descansar em casa ou fazer qualquer outra coisa. Se o eleitor seguisse os preceitos da racionalidade, não deveria ir à urna. As chances de afetar o resultado são mínimas. Mas isto é tema para outro texto...

#épolítica
Vítor Oliveira

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Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil dos blogueiros

Ivan Fernandes, doutor em Ciência Política pela USP, professor da UFABC e da Fundação Mario Covas. Atuou como pesquisador visitante na Universidade de Illinois em Urbana Champaign em 2012 e foi professor nos cursos de graduação em Direito e Relações Internacionais na FMU.

Vítor Oliveira é graduado em Relações Internacionais e mestre em Ciência Política, ambos pela USP. É consultor da Pulso Público - Relações Governamentais e professor da Fundação Mario Covas.

Humberto Dantas é mestre e doutor em Ciência Política pela USP, professor do Insper e coordenador de cursos de pós-graduação na FESP-SP e na FIPE-USP, além de apresentador da Rádio Estadão.
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