Nova Política? PT e PSDB fazem, do Brasil, um país normal

Já há algum tempo em que a política nacional é organizada pela competição entre PT e PSDB, estruturando-a em torno de dois polos ideologicamente distintos. Longe de estar tudo perfeito, apenas significa que o Brasil é um país normal – parem com citações apócrifas do general De Gaulle, por favor, e deixem a síndrome de vira lata de lado.
Blog por #épolítica  

Na próxima vez que alguém te disser que os partidos brasileiros não importam, que toda a política é feita por caciques e coronéis, lembre-se da eleição presidencial de 2014 antes de concordar.

Já há algum tempo em que a política nacional é organizada pela competição entre PT e PSDB, estruturando-a em torno de dois polos ideologicamente distintos.

Que me desculpe o senso comum, mas alguma coisa está errada com a pessoa que diz odiar a “privataria tucana” ou então aqueles “petralhas”, e ao mesmo tempo diz que políticos ou partidos são todos farinhas do mesmo saco.

Claro, existem incoerências aparentes quando analisamos a distribuição das alianças partidárias pelos estados – embora elas sejam menores do que pinta esse inimigo do diálogo, o senso comum.

Ainda assim, temos partidos institucionalizados, tolerância e competição eleitoral estruturada há décadas e – diferentemente do que se apregoa por aí – intensa coordenação política e coesão partidária no legislativo.

Longe de estar tudo perfeito, apenas significa que o Brasil é um país normal – parem com citações apócrifas do general De Gaulle, por favor, e deixem a síndrome de vira lata de lado.

Lutemos para aperfeiçoar nossas instituições e cultura políticas, sem ter em vista que nosso sistema político é sério.

Guardadas as devidas e necessárias proporções, você não precisa gostar de PT e PSDB para reconhecer isto – assim como um norte-americano não precisa gostar dos partidos Democrata e Republicano, um alemão não precisa gostar de Sociais Democratas e Democratas Cristãos...

Nem quero dizer que o fechamento do sistema político em torno de PT e PSDB seja algo, necessariamente, bom. Os extremos são importantes e tiveram seu espaço potencializado pela legislação eleitoral.

Se você se encantou com Luciana Genro (PSOL) ou se encontrou no Pastor Everaldo, saiba que o mínimo espaço destinado a eles é um mérito do sistema político brasileiro, que evita (até aqui) transformar o duopólio PT/PSDB em algo sagrado – como nos EUA.

A lição serve também para nós, analistas, que vivemos desconfiando da força dos partidos. Na eleição nacional, ao menos, não faz o menor sentido duvidar deles.

#épolítica
Vítor Oliveira

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Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil dos blogueiros

Ivan Fernandes, doutor em Ciência Política pela USP, professor da UFABC e da Fundação Mario Covas. Atuou como pesquisador visitante na Universidade de Illinois em Urbana Champaign em 2012 e foi professor nos cursos de graduação em Direito e Relações Internacionais na FMU.

Vítor Oliveira é graduado em Relações Internacionais e mestre em Ciência Política, ambos pela USP. É consultor da Pulso Público - Relações Governamentais e professor da Fundação Mario Covas.

Humberto Dantas é mestre e doutor em Ciência Política pela USP, professor do Insper e coordenador de cursos de pós-graduação na FESP-SP e na FIPE-USP, além de apresentador da Rádio Estadão.
eh.polit@gmail.com