Aécio ou Dilma? Quem ganha e quem perde com a candidatura de Marina Silva

Descobrir qual o efeito da candidatura de Marina sobre a eleição no nordeste é um dos principais desafios neste momento
Blog por #épolítica  

O trágico falecimento de Eduardo Campos, em acidente aéreo ocorrido em Santos (SP), nesta quarta-feira (13), traz uma incerteza enorme sobre o rumo das eleições.

Ainda que seja muito cedo para delinear todas consequências da morte do ex-governador pernambucano, devemos projetar cenários sobre a candidatura de Marina Silva, que parece mais provável neste momento.

Cenário A: Dilma > Aécio
Em um primeiro cenário, temos um grande perdedor, Aécio Neves (PSDB) e uma grande ganhadora, Dilma Rousseff (PT).

Neste caso, a ausência de Campos reabriria a "avenida" do Nordeste do país para que a atual presidente Dilma Rousseff corra sozinha, sem maiores contendores.

Isto depende de que seja verdadeira a hipótese de que Campos debilitava os índices do PT na região, de forma que nem a possível candidatura de Marina ou as pretensões de Aécio conseguiriam replicar.

Um segundo problema para o tucano seria a divisão dos votos com os descontentes com o governo na região Sudeste.

Se antes o mineiro vinha arrebanhando majoritariamente aqueles que rejeitavam Dilma, a entrada de Marina Silva no jogo pode dividi-los, diminuindo sensivelmente o fôlego da candidatura tucana para o primeiro turno.

Cenário B: Aécio > Dilma
Um cenário alternativo considera uma candidatura forte de Marina Silva no nordeste. Neste caso, a maior perdedora seria Dilma Rousseff e Aécio Neves se mantém competitivo no sudeste.

De modo contra intuitivo, neste cenário o desempenho de Dilma Rousseff piora no nordeste com Marina Silva, com poucos efeitos sobre a candidatura de Aécio Neves.

A tabela abaixo mostra o desempenho relativamente forte de Marina no nordeste em 2010. Especialmente em dois dos três principais colégios eleitorais, CE e PE.

Outro argumento a favor desta visão provém da última pesquisa Datafolha que considera Marina Silva candidata, em lugar de Campos, colhida entre os dias 02 e 03 de abril.

Quando trocamos o candidato do PSB, o desempenho de Dilma Rousseff no nordeste piora e o de Aécio não é afetado, ao mesmo tempo em que as intenções de voto em Marina crescem cerca de 5 pontos percentuais, frente a Campos.

Esse desempenho, no entanto, deve ser minimizado em função do forte recall de Marina Silva, que já passara por uma eleição presidencial - ao contrário de Aécio e Eduardo.

Também não se sabe como teria evoluído a intenção de votos em Marina ao longo dos meses subsequentes, quando os oposicionistas ganharam força. A pesquisa foi feita há muito tempo, antes que as candidaturas passassem a ter maior divulgação. Portanto, os dados acima não passam de indícios.

Segundo Turno
Embora o cenário para o primeiro turno ainda possa ser bom para Aécio Neves, a correlação de forças no próprio PSB prejudica-o em um eventual segundo turno, uma vez que as duas maiores lideranças do partido hoje – a própria Marina e o agora presidente do partido Roberto Amaral – são sabidamente avessos ao PSDB e suas lideranças, dificilmente lhe franqueando apoio em um eventual segundo turno com a presidente Dilma Rousseff.

Um dos problemas para o PSB de uma eventual confirmação da candidatura de Marina Silva seria, exatamente, a dificuldade de torná-la parte de um acordo para o segundo turno.

A candidata recusou a orientação do PV, seu partido em 2010, para apoiar José Serra (PSDB). Nada sugere que deixaria de fazer o mesmo agora, especialmente com a possibilidade de fundação da Rede Sustentabilidade.

Certamente, o momento de comoção impõe que se diga: perdemos uma promissora liderança no Brasil. Contudo, diante dos impactos eleitorais mais imediatos, há que se contabilizar tais perdas e ganhos.

Leandro Consentino e Vítor Oliveira
#épolítica 

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Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

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Perfil dos blogueiros

Ivan Fernandes, doutor em Ciência Política pela USP, professor da UFABC e da Fundação Mario Covas. Atuou como pesquisador visitante na Universidade de Illinois em Urbana Champaign em 2012 e foi professor nos cursos de graduação em Direito e Relações Internacionais na FMU.

Vítor Oliveira é graduado em Relações Internacionais e mestre em Ciência Política, ambos pela USP. É consultor da Pulso Público - Relações Governamentais e professor da Fundação Mario Covas.

Humberto Dantas é mestre e doutor em Ciência Política pela USP, professor do Insper e coordenador de cursos de pós-graduação na FESP-SP e na FIPE-USP, além de apresentador da Rádio Estadão.
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