Tragédia não sela destino das eleições, mas pode levar a novo patamar

Marina Silva (PSB/Rede) não é bem vista por parte da militância do PSB, criou uma série de dificuldades para a concretização de acordos regionais e teria uma tarefa difícil de coordenação partidária. Tudo mais mantido constante, a ausência de um terceiro candidato competitivo pode dificultar a concretização de um segundo turno.
Blog por #épolítica  

Eduardo Campos morreu em um acidente de avião na cidade de Santos, com apenas 49 anos. Mais seis pessoas morreram.

A notícia é tão chocante que é preciso repeti-la, sem grandes conjecturas, para que seja crível.

Até mesmo para um simples blogueiro, escrever sobre a repercussão eleitoral de uma tragédia parece pequeno, soa como uma piada de péssimo gosto. Tanto mais parecerá ao candidato que aparecer como esperto e sucessor de Campos, a fim de capturar os votos de seus seguidores.

Simplesmente não há precedentes, ao menos no Brasil, de um evento similar. Os adversários de Campos cancelaram suas agendas, os noticiários não param de repercutir a manchete. É espantosa, esta manhã de 13 de agosto de 2014 – a mesma data em que faleceu seu avô, Miguel Arraes.

Evento Crítico
Mas é preciso pensar. Chamamos de eventos críticos os acontecimentos curtos e repentinos, os quais possuem a capacidade de levar a um patamar muito distinto, a trajetória de alguma conjuntura política.

A questão é saber se, neste momento da campanha, a morte de Eduardo Campos é suficientemente crítica para uma mudança na campanha – a despeito do quão trágica seja.

Na ausência de Campos, quem assumirá a candidatura pelo PSB?

Marina Silva (PSB/Rede) não é bem vista por parte da militância do PSB, criou uma série de dificuldades para a concretização de acordos regionais e teria uma tarefa difícil de coordenação partidária. Tudo mais mantido constante, a ausência de um terceiro candidato competitivo pode dificultar a concretização de um segundo turno. 

E mesmo que Marina Silva obtenha a condição de candidata pelo PSB, simplesmente não sabemos em que nível está sua rejeição junto ao eleitor. Seu nome, no entanto, pode mobilizar parte do eleitorado que ainda não se manifestou nas pesquisas (Não Sabe, Não Respondeu, Branco e Nulo).  

Outro aspecto importante é entender até que ponto a intenção de voto em Eduardo Campos significava um voto oposicionista. Embora tenha marcado posição contra o governo Dilma Rousseff, sua imagem ainda é muito associada aos governos Lula. 

Em Pernambuco, estado do qual foi governador e que lhe dá o melhor desempenho estadual na corrida presidencial, e possivelmente em boa parte do nordeste, o perfil do seu eleitor parece mais próximo de Dilma, enquanto seu desempenho nos estados do sudeste é indicativo de uma migração de votos para a oposição.

Vítor Oliveira
#épolítica

Importante: As opiniões contidas neste texto são do autor do blog e não necessariamente refletem a opinião do InfoMoney.

Deixe seu comentário

Perfil dos blogueiros

Ivan Fernandes, doutor em Ciência Política pela USP, professor da UFABC e da Fundação Mario Covas. Atuou como pesquisador visitante na Universidade de Illinois em Urbana Champaign em 2012 e foi professor nos cursos de graduação em Direito e Relações Internacionais na FMU.

Vítor Oliveira é graduado em Relações Internacionais e mestre em Ciência Política, ambos pela USP. É consultor da Pulso Público - Relações Governamentais e professor da Fundação Mario Covas.

Humberto Dantas é mestre e doutor em Ciência Política pela USP, professor do Insper e coordenador de cursos de pós-graduação na FESP-SP e na FIPE-USP, além de apresentador da Rádio Estadão.
eh.polit@gmail.com